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Trabalho em horta é terapia para mulheres no Vale do Aço

Sexta-feira | 08/02/2008 | 13:25·Atualizado em 29/06/2013 | 16:22
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SANTANA DO PARAÍSO (08/02/08) - No município de Santana do Paraíso, na região do Vale do Aço, em Minas Gerais, 25 mulheres encontraram em um pedaço de terra com pouco mais de 1,5 hectare um espaço para terapia psicológica, orientações nutricionais e auxílio para alimentar suas famílias.

O projeto, implantado há seis meses, surgiu de uma parceria entre o escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e a prefeitura. "Percebi que a maioria das doenças e atendimentos que eram feitos aqui no posto tinha um cunho psicológico. Depressão, insônia e outras doenças. Uma certa falta de motivação e auto-estima por parte das pacientes, e isso se refletia em toda família. Daí surgiu a idéia do projeto", conta o clínico geral do Posto de Saúde da Família, Gildásio Ribeiro Mendes. Para conseguir a orientação necessária, ele procurou o extensionista da Emater-MG Valdir Resende, que se entusiasmou com a idéia.

O trabalho conjunto deu tão certo que já está programado o aumento no número de vagas: ainda para este semestre, mais 25 agricultoras poderão participar, informa Valdir. Ele ressalta que não são apenas elas as beneficiadas. "Tudo que é colhido, é dividido entre duas creches, um asilo e uma escola do município. Ao todo, cerca de 130 pessoas se beneficiam da horta."

As agricultoras se dividem em dois grupos: o primeiro grupo passa oito horas na horta, uma vez por semana, e o segundo, duas vezes por semana trabalha no local de 7h às 11h. As agricultoras também têm direito a uma cesta semanal de hortaliças, com a condição de manterem o compromisso de trabalho na horta e a continuidade do tratamento terapêutico. Para facilitar e incentivar ainda mais, a prefeitura disponibiliza um ônibus para o deslocamento das trabalhadoras.

A diarista Gilciléia Soares, de 25 anos, tem dois filhos e diz que os trabalhos na horta melhoraram sua auto-estima, com impactos positivos na sua saúde. Diabética, Gilciléia conta que até sua taxa de glicose caiu. "O clima de descontração melhorou meu humor e minha saúde. Consegui emagrecer 15 quilos", relata. A diarista conta que a horta estimulou a mudança dos hábitos alimentares de sua família. Agora, as refeições são mais ricas em verduras e legumes.

Outro exemplo de melhoria de qualidade de vida é o da diarista Teresinha das Mercês Rufino, de 47 anos. Mãe de quatro filhos, Teresinha sofre de hipertensão e diz que dos três remédios que tomava por causa da doença, conseguiu eliminar um da receita médica.

"A horta comunitária é um meio de terapia, que ao mesmo tempo enriquece o cardápio de suas famílias", comenta a secretária de Assistência Social do município, Marlene Rodrigues da Rocha. A indicação das voluntárias para o trabalho na horta partiu do próprio posto médico. "Hoje, o atendimento a essas mulheres e suas famílias foi reduzido em até 90%", constata, entusiasmado, o médico Gildásio.