Vistorias e remoção de famílias prossegue em Muriaé
BELO HORIZONTE (28/12/08) - Até o final da tarde deste domingo (28) as equipes de vistoria percorrem os 30 bairros com risco de deslizamento em Muriaé. A situação da cidade com o número de famílias removidas das áreas de risco será apurada em reunião que acontece até o final do dia.
A prioridade dos trabalhos é a remoção das famílias que estão na área de risco. Pela manhã, 200 famílias foram retiradas de suas casas no bairro Aeroporto, mas este número deve subir. “Nós permaneceremos com o trabalho de vistoria das equipes pelo tempo que for necessário”, informa o comandante do Corpo de Bombeiros de Muriaé, tenente Patrick Tavares Gomes.
As equipes de vistoria são compostas por engenheiros e assistentes sociais da Prefeitura Municipal de Muriaé e militares do Corpo de Bombeiros. Os trabalhos de prevenção e atendimento aos desabrigados na cidade contam ainda com a participação da Polícia Militar e Defesa Civil municipal e estadual e da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedese).
O tenente Patrick Tavares Gomes informa que ao longo dia a situação na cidade melhorou e o monitoramento dos rios Preto e Muriaé indicam que o nível das águas está baixando.
Até o momento, 103 pessoas estão nos seis abrigos da cidade. De acordo com a diretora regional da Sedese, Ana Maria Silveira Reis, o número de pessoas nos abrigos deve aumentar. No final da tarde, as equipes de vistoria e remoção iniciaram a evacuação das ruas Paulo Roberto Guimarães e Francisco Teodoro Filho, no bairro São José, onde há riscos de deslizamento de encostas.
Nos abrigos foram estabelecidos procedimentos e regras em conjunto com as famílias removidas de suas casas para promover um melhor funcionamento e convivência nesses ambientes. As pessoas são cadastradas e recebem assistência dos profissionais do Programa de Saúde Familiar e pedagogos desenvolvem atividades lúdicas com as crianças.
O material enviado pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), lonas, colchonetes e cobertores, estão sendo distribuídos junto com cestas básicas para as famílias atingidas pelas chuvas, estejam elas em abrigos ou na casa de vizinhos ou familiares.
Monitoramento da Cemig
De acordo com Ruibran Januário do Reis, hidrometeorologista da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), na Zona da Mata as águas de dezembro já alcançam o dobro do volume histórico, devendo continuar a chover até a próxima terça-feira (30/12). Nessa região, no município de Juiz de Fora, onde se localizam Marmelos, Joasal e Paciência, as três usinas não têm capacidade de regularização e, portanto, não influenciam no quadro de eventual inundação decorrente da intensidade das chuvas.
Para a região Leste, a Cemig recomenda que a população se mantenha alerta e não perca de vista os boletins da Cia. Pesquisa e Recursos Minerais – CPRM, instituição que quantifica e estabelece o grau de vigilância devido. Tem chovido muito em Governador Valadares, no entorno e na cabeceira dos rios que deságuam no Rio Doce, como o Piranga e o Piracicaba. Nessa região, particularmente os moradores de Timóteo e Coronel Fabriciano devem ficar atentos também aos boletins da Cemig, pois em Timóteo, próximo à Usina de Sá Carvalho, a vazão do rio Piracicaba está próxima do limite, o que pode ocasionar inundações em parte do Bairro Cachoeira do Vale. Já em Fabriciano, a vazão está abaixo do limite de risco, mas a permanência das chuvas pode reverter esse quadro.
Também na região Oeste, o volume de chuvas voltou a crescer nas cabeceiras do Rio Pará e Itapecerica. A Cemig continua a monitorar a evolução do volume das águas e vem soltando constantes alertas para a população, no intuito de prevenir quanto a eventuais inundações. No caso do Rio Itapecerica, a empresa não tem como intervir, ao contrário do Rio Pará, onde se localiza a Usina de Cajuru, com a qual pode intervir, mas apenas parcialmente, o que reforça a necessidade de se manter o estado de vigilância.
Devido à intensidade das chuvas, a Cemig também já enviou alerta para os moradores das ilhas do município de Pirapora, que poderão ser parcialmente atingidas com o aumento da vazão do Rio São Francisco, a partir da Usina de Três Marias.
Ponte Nova e Nova Era continuam em alerta para o risco de enchentes. Governador Valadares e Linhares (ES) também entraram em alerta após as 14 horas deste domingo, porém, segundo o Sistema de Alerta de Enchentes do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) novos pontos de alerta na bacia do Rio Doce não devem surgir nas próximas horas, já que as chuvas pararam.
O Corpo de Bombeiros atendeu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, neste domingo, 47 chamadas para queda de árvores, duas para inundações e 69 para casos de desabamentos.
A Copasa informa que os sistemas de produção de água na RMBH e na Zona da Mata anteriormente afetados pelas fortes chuvas estão operando normalmente. Até o final da tarde deste domingo, nenhum problema mais significativo foi identificado nos cadastros da empresa. A Copasa informa ainda que está mantendo equipes operacionais de plantão para atender as eventualidades que vierem a acontecer nesse período chuvoso.
Até o momento, as chuvas provocaram a morte de 18 pessoas em Minas Gerais. As últimas três mortes ocorreram no município de Prata, Triângulo, quando o córrego Mutuca transbordou e arrastou um carro que estava na ponte da MG-497, durante a madrugada.
Previsão do Tempo
A previsão para os próximos dias é que a frente fria vai continuar estacionária em Minas Gerais, causando chuvas principalmente nas regiões da Zona da Mata, Sul e Oeste. Na RMBH a nebulosidade diminui um pouco, porém ainda haverá possibilidade de ocorrência de pancadas de chuvas à tarde.








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