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Adolescentes de centros socioeducativos visitam Bienal do Livro de Minas

Sexta-feira | 21/05/2010 | 15:41·Atualizado em 23/06/2013 | 17:53
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BELO HORIZONTE (21/05/10) - Capitu traiu ou não traiu Bentinho? O adolescente D.A.G., de 18 anos, que cumpre medida no Centro Socioeducativo Santa Terezinha (CSEST) vai, em breve, poder opinar sobre a questão que permeia o romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. Ele comprou um exemplar da obra literária na visita que fez à Bienal do Livro de Minas nessa quinta-feira (20). Além dele, cerca de outros 60 adolescentes que estudam na Escola Estadual Jovem Protagonista - instalada dentro das unidades socioeducativas Santa Helena, Dom Bosco, São Jerônimo, Santa Terezinha, São Benedito, Santa Clara e Centro de Encaminhamento para Semiliberdade - compareceram à feira, em três dias distintos. Acompanhados de agentes socioeducativos e professores, eles ganharam um voucher no valor de R$ 4,00 para trocarem por algum dos livros ou revistas que estavam à venda.

O hábito da leitura foi adquirido por D.A.G. quando ele estava no Centro de Internação Provisória Dom Bosco (Ceip/DB). “Até então eu só lia revistinha. Lá me deram um livro do Billy The Kid e eu gostei. Quando fui para a CSEST continuaram me emprestando bons livros. Agora eu passo a maior parte do tempo lendo”, conta o adolescente, que quer ser advogado. Atualmente ele lê dois ou três livros por semana e prefere os do gênero policial.

A preferência do adolescente S.G., do Centro Socioeducativo Santa Helena (CSESH) também é por livros policiais, investigativos e de suspense. “Gosto das obras de Agatha Christie e das histórias do Sherlock Holmes. Esta é a primeira vez que venho à Bienal. Estou adorando. Mas vou comprar apenas mangás (histórias em quadrinhos para adolescentes), porque os livros são mais caros”, explicou. 

De acordo com a psicopedagoga da Diretoria de Formação e Saúde do Adolescente da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), Valéria Cardoso Soares, os alunos que visitaram a Bienal foram escolhidos conforme seu desempenho escolar e com base no interesse demonstrado pela leitura. Ela faz uma avaliação positiva dos três dias. “Os adolescentes tiveram um comportamento exemplar e se mostraram completamente integrados ao espaço, com interesse em ver os livros e as revistas”, destacou. 

Incentivo 

A diretora da Escola Estadual Jovem Protagonista, Sylvia Maria Mesquita, conta que atualmente há cerca de 200 adolescentes que cumprem medida em sete centros socioeducativos, frequentando as aulas na escola. “Grande parte dos alunos chega com defasagem de escrita e alfabetização, pontos trabalhados de diferentes formas, sobretudo durante as aulas de português”, afirma. 

A Bienal do Livro é apenas um dos vários projetos de incentivo à leitura desenvolvidos pela Seds. No Centro Socioeducativo Santa Helena (CSESH) há ainda o projeto Ler Para Crescer, por meio do qual apresenta um livro em sala de aula e os alunos vão, em turnos, até a biblioteca para ter acesso à obra. 

Um dos alunos do CSESH, também presente na Bienal, disse que pretendia ver alguns livros, principalmente os de piada ou poesia. Ele destacou, além da leitura, outras coisas que considerou positivas no passeio. “É uma excursão da escola, legal para a gente ver o ambiente e viver um pouco em sociedade. Apesar de cada aluno ser acompanhado por um agente socioeducativo, foi uma excursão como a de qualquer outra escola, com direito a lanche, oração para que tudo corra bem e brincadeiras durante o trajeto.”