Aécio abre exposição de obras sacras recuperadas
Aécio abre exposição de obras sacras recuperadas
O governador Aécio Neves participa, nesta segunda-feira (15), às 19h, da abertura da exposição "Minas Resgata sua História", que reúne 167 obras sacras do patrimônio histórico mineiro que tinham sido furtadas ou vendidas irregularmente e foram recuperadas pela força tarefa coordenada pelo Governo do Estado de Minas Gerais. A exposição ficará aberta a visitação pública até 28 de dezembro na Grande Grande Galeria do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1537, Centro, Belo Horizonte).
A força tarefa foi criada, este ano, pela Secretaria de Estado de Cultura e reúne a Secretaria de Estado de Defesa Social, a Superintendência da Polícia Federal em Minas, o Ministério Público Estadual, a Arquidiocese Metropolitana de Belo Horizonte, a Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, o IEPHA-MG e o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
Entre as peças de maior qualidade artística, estão os três anjos da Igreja Matriz de Santa Luzia e uma Sant´Ana Mestra que estão sub judice, uma imagem de São Sebastião, do século 19, uma Nossa Senhora da Conceição com Menino, do século 17, e uma Nossa Senhora do Carmo, do século 18.
Objetivos
A exposição “Minas Resgata sua História” tem três objetivos. O primeiro é mostrar às novas gerações como essas imagens, além de furtadas, foram adulteradas e desfiguradas para impedir a sua identificação.
O segundo é buscar a colaboração da população na identificação das peças sob a guarda do IEPHA-MG, possibilitando o retorno das mesmas para suas comunidades de origem. O procedimento de devolução depende de reconhecimento comprovado da origem.
O terceiro é enfatizar que apenas a conscientização e a educação para o reconhecimento da importância cultural e artística do patrimônio permitirão a sua preservação de forma permanente.
Ação Integrada
Grande parte das imagens que estão na exposição foi recuperada em ações policiais empreendidas pela Polícia Federal este ano em antiquários e galerias de arte de São Paulo e do Rio de Janeiro. Algumas imagens, contudo, encontram-se sob a guarda do IEPHA-MG desde o ano de 1998, quando foram resgatadas em ação da Polícia Civil de Minas Gerais.
Algumas das peças que serão apresentadas encontram-se sub judice, ou seja, são objeto de ações judiciais que visam a reintegração dos bens a seus proprietários originais ou a sua preservação. Não devem, portanto, ser confundidas com frutos de ações criminosas empreendidas por terceiros.
Apesar do valor econômico desses bens no mercado de arte, seu verdadeiro significado reside no valor cultural: são peças devocionais, que devem sua criação e concepção artística ao sentimento de religiosidade do povo mineiro, sem a qual não teriam as características artísticas e de veneração religiosa que possuem. Por isso, são parte da história do Estado e das comunidades do interior de Minas às quais pertencem.
A exposição
A imagem que simboliza a exposição é a de São Miguel Arcanjo, mutilada e adulterada para confundir especialistas e a própria comunidade de onde foi retirada. Ela teve importantes elementos – asas, penacho, base – removidos e recebeu um novo douramento. É um exemplo repudiável, mas que será mostrado de forma didática, para que o público possa compreender como é feita a identificação de um bem cultural. Essa peça é a única do conjunto exposto já identificada e deverá ser devolvida à sua comunidade, a cidade de Bonfim (MG), em breve.
A concepção visual da exposição utiliza cores branca, preta e vermelha que retratam o clima sombrio e dramático da cultura barroca.
O público poderá ver a exposição num cenário dividido em módulos. Logo na entrada, o público passará sobre a palavra "SIMONIA" (tráfico de objetos sagrados ou espirituais), escrita no chão, como símbolo de repúdio ao tráfico de obras sacras. Em seguida, encontrará uma porta de um santuário arrombado e um altar vazio, representando a angústia provocada pela ausência de uma imagem.
Um tapete de serragem, típico da cultura mineira, foi especialmente confeccionado no local, para representar a trilha ou as pistas para o encontro das peças. Ao longo desse tapete algumas imagens também foram destacadas para apresentação ao público, demonstrando a qualidade e riqueza de nossa arte e de nossa cultura.
Ao final do caminho, o visitante poderá encontrar, à esquerda, uma banqueta, no primeiro degrau atrás do altar, sobre o qual repousam os castiçais com velas, a cruz e as palmas. À direita, algumas alfaias (objetos, utensílios e paramentos de igreja). No chão, folhas cheirosas de rosmaninho, típicas das procissões de São João Del Rei, representando a guarda das peças pelo Governo de Minas Gerais e por todos os seus parceiros, para a sua identificação, recuperação e devolução às comunidades.
Finalmente, foi montado um ateliê de conservação, ilustrando como as peças são tratadas após o seu resgate. Como fundo musical, a música barroca mineira completará o clima de emoção que envolverá o público visitante.
Denúncia
A Secretaria de Estado da Cultura criou uma página na internet para que a população possa ajudar a preservar a história de Minas Gerais denunciando a localização de imagens roubadas. Denúncias e a obtenção de mais informações sobre as características das peças podem ser feitas pelo site www.cultura.mg.gov.br ou pelo telefone 0800-305000.
Os bens culturais brasileiros estão protegidos por lei desde 1937. O decreto lei no 25/37 os protege contra destruição, demolição ou mutilação. Além disso, a venda dos bens tombados deve ser informada ao órgão de preservação, bem como a saída do país por curto período de tempo, sob pena de multa. Segundo o artigo 26 do decreto lei, os negociantes de antigüidades, de obras de arte de qualquer natureza, de manuscritos e livros antigos ou raros são obrigados a um registro especial no IPHAN e a apresentar semestralmente ao mesmo relações completas dos objetos históricas e artísticas que possuírem. A legislação penal brasileira também prevê que o roubo, a receptação, a destruição, a inutilização ou a deterioração de peças sacras e/ou de qualquer bem tombado é crime.