Aécio Neves apresenta o Choque de Gestão a empresários
RIO GRANDE DO SUL (12/12/07) – A experiência de Minas Gerais na condução da recuperação das finanças do Estado, com o Choque de Gestão implementado a partir de 2003, foi o tema da palestra feita pelo governador Aécio Neves, nesta quarta-feira (12/12), durante almoço promovido pela Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), em Porto Alegre. Durante o evento, que reuniu cerca de 200 participantes, entre empresários, dirigentes de entidades de classe e políticos, Aécio Neves explicou o caminho adotado pela administração do Estado, que resultou no saneamento da economia e a retomada dos investimentos.
“Superamos dificuldades históricas no Estado, que tinha um déficit fiscal e orçamentário de R$ 2,5 bilhões, sem recursos para fazer qualquer investimento. Em um tempo muito curto, saímos, talvez, da pior situação fiscal do Brasil e temos hoje um estado que cresce muito acima da média do Brasil, que mais emprega na indústria, que já anunciou, em quatro anos, de R$ 130 bilhões em novos investimentos, com cerca de 700 mil novos empregos de carteira assinada gerados, e que vai fazer investimento de R$ 9 bilhões no ano que vem”, declarou Aécio Neves.
Segundo o governador, esses resultados só estão sendo alcançados porque houve gestão e metas estabelecidas. “Há uma coisa efervescente nascendo na administração pública brasileira, não só em Minas Gerais, mas na administração pública brasileira, e eu fico muito feliz em poder fazer parte dela”, afirmou.
Aécio Neves relatou aos participantes do evento, que Minas Gerais chegará a 2010 com 100% dos municípios com ligação asfáltica, 100% das propriedades urbanas e rurais com energia elétrica; todas as 853 cidades do Estado com sinal de telefonia celular, e investimentos de R$ 6 bilhões em saneamento básico.
“Projeto de gestão é a questão que eu venho falar aqui, com esse honroso convite que me faz a Federasul, e que acho que é o grande desafio. E isso é o que estou me dispondo a contribuir, introduzindo a questão na discussão nacional e mostrar que, num tempo extremamente curto, a resposta é extraordinária”, declarou Aécio Neves.
O governador de Minas, ao fim da sua palestra, apresentou uma lista de prioridades que precisam ser objeto de pressão e mobilização da sociedade. Algumas delas são a melhoria da qualidade do gasto público, para tornar o Estado menos interventor e mais eficiente; novos marcos regulatórios, para atrair capital privado onde o Estado tem dificuldade para investir; educação de qualidade; saúde melhor distribuída, para democratizar o acesso à assistência pública; segurança compartilhada, para conter a crise nacional de violência e criar alternativas às novas gerações que chegam ao mercado de trabalho; investimento em prioridades do cidadão, o que significa gastar menos com a máquina pública e fazer investimentos onde as pessoas mais precisam; e reformas por completo e não pela metade, da previdência, trabalhista, tributária e política.
Revolução
O presidente da Federasul, José Paulo Dornelles Cairoli, após a palestra do governador de Minas, ressaltou a importância dos exemplos citados por ele, como a fixação de teto salarial, estabelecimento de metas, redução de despesas e instituição do pregão eletrônico nas compras públicas, que servem de inspiração para outros estados brasileiros.
“Nós aqui do Rio Grande do Sul e de todo o Brasil assistimos a uma autêntica revolução na gestão pública que ocorreu em Minas. Reconhecemos que a experiência mineira, guardadas as peculiaridades da cada estado, deve servir de inspiração a todos os governantes, sobretudo para aqueles que dirigem estados com graves problemas estruturais em suas finanças”, disse.
Ainda segundo Cairoli, existem várias crenças sobre o serviço público, que é visto várias vezes com complacência e resignação na eficiência com que o estado presta seus serviços. “Serviços que são ineficientes, burocratizados, perdulários e desrespeitosos com o cidadão. A experiência de Minas mostra justamente o contrário. Que é possível adaptar princípios de gestão do setor privado ao setor público. É possível trabalhar o setor público com metas e critérios de desempenho. E mais que isso, a experiência do governo de Minas mostra que é possível fazê-lo sem crise. Com diálogo, construindo consensos políticos”, afirmou o presidente da Federasul.