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Aécio Neves assume governo lembrando Tancredo

Aécio Neves assume governo lembrando Tancredo

Quinta-feira | 02/01/2003 | 00:00·Atualizado em 20/05/2013 | 11:17
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(Helena Hindi)

Ao abrir seu discurso na sacada do Palácio da Liberdade, depois de receber o Grande Colar das mãos do governador Itamar Franco, o novo governador de Minas, Aécio Neves, lembrou a frase de seu avô, Tancredo Neves, em pronunciamento feito no mesmo local, em 1983: “O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade”, recordando que este é “um Estado que não se curva, não ajoelha, não rasteja”.

Aécio fez uma retrospectiva da história do País e destacou que o Brasil tem hoje os ritos democráticos recuperados, “mas a democracia é um processo que busca a igualdade dos homens. Democracia é emprego, é saúde, é o pão na mesa da família, é educação e dignidade”.

O novo governador de Minas não poupou críticas à burocracia centralizadora da União.” Não há democracia onde Estados e municípios têm a sua autonomia violada pelo arbítrio de simples funcionários.” E destacou a atuação do ex-governador Itamar Franco, que lutou desde o início de seu governo contra esse centralismo.

Para Aécio, a União é uma entidade de poder que se isola, ao sobrepor-se sobre os Estados. Ele não concorda com a organização tributária nacional e que concentra na União 65% dos recursos fiscais do país. Para os Estados sobram apenas 25%, enquanto os municípios só recebem 10%.

Afirmou que assume o governo de Minas com o propósito de retomar a luta histórica por uma federação autêntica, “onde nenhum Estado se sinta mais importante que o outro, em que nenhum dos povos de nosso País se sinta obrigado a postular os favores dos outros e onde o direito de cada um terá de ser o direito de todos e o direito de todos terá de ser o direito de cada um.

Reconhecimento

Aécio Neves disse ao ex-governador Itamar Franco que o povo Minas reconhece os seus serviços prestados ao Estado e ao país, com uma vida pública exemplar. Destacou que ele e Itamar Franco são privilegiados pelo destino de governar Minas. “Suceder a Vossa Excelência é uma honra a mais para este servidor do povo mineiro”, salientou.

Ao dar um recado ao povo sofrido dos Vales do Jequitinhonha, do Mucuri e do Norte de Minas, Aécio garantiu que pretende dar atenção especial aos programas de desenvolvimento. “A tecnologia moderna e os métodos de mobilização econômica irão permitir a gradual superação das dificuldades dessa vasta extensão de nosso Estado”.

Para ele, é preciso um novo pacto federativo, que devolva aos Estados e municípios o que corresponde ao que produzem. Mas alertou que cortará gastos públicos, para garantir os serviços essenciais à população. Disse ainda que são três as responsabilidades básicas do Estado: a educação, a saúde e a segurança, e que todas dependem do nível de emprego.

Segurança

O novo governador confirmou que fará uma reforma profunda nos serviços de segurança, valorizando as polícias e investindo em sua preparação técnica. “Sei que essa situação só será resolvida quando houver educação e emprego para todos. É melhor dar ferramentas às mãos vazias do que as deixar disponíveis para as armas.”

A respeito dos funcionários do Estado, Aécio Neves salientou que seu governo será implacável na defesa dos fundamentos éticos. Para ele, não serão tolerados o peculato, os favoritismos e a complacência com a corrupção. Disse que não tem amigos a favorecer nem compromissos eleitorais que o façam olhar para o lado quando houver indícios de conduta ilícita, por mais elevada que seja a posição dos acusados. “Mas, ao mesmo tempo, o governo não será refém dos caluniadores, nem se perturbará com a leviandade dos intrigantes. Instruí os meus secretários para que imponham rigorosa austeridade no âmbito de sua competência administrativa. Temos que eleger, em conjunto, as prioridades na aplicação dos recursos escassos orçamentários”.

Transparência

Aécio Neves disse que sua administração será transparente, “pois os negócios do Estado são negócios do povo, e o povo tem direito de os acompanhar e de, se for o caso, manifestar os seus reparos e contestá-los, mediante os instrumentos jurídicos e políticos.”

Segundo ele, é preciso mobilizar os recursos internos na criação de empregos, na produção agrícola e industrial, no incentivo aos pequenos e médios empreendedores para acelerar o desenvolvimento econômico de Minas. ”Essa tarefa não é só do governo. É preciso uma participação da sociedade. Temos, em todos os municípios mineiros, inteligência, recursos naturais, mão de obra e consumidores. Cumpre-nos repetir que a solidariedade é o mais sólido investimento para a paz”, salientou o governador.

Reiterou que o Brasil sempre precisou de Minas e Minas nunca faltou ao País. “Não haverá desenvolvimento econômico e político no Brasil sem o apoio do povo mineiro, representado por suas forças políticas e econômicas. A Nação nasceu aqui, na riqueza produzida pelo trabalho, na cultura do século 18, que os homens do povo, como Aleijadinho, puderam expressar na consciência política dos rebeldes”.

No final de seu pronunciamento, Aécio Neves lembrou o escritor e jornalista Otto Lara Resende são-joanense como ele, que expressou seus sentimentos com este texto. “Sou brasileiro, sou mineiro, sou cidadão limitado por fronteiras fatais. Creio no homem, creio na justiça, creio na liberdade. Desejo que a vida de meus filhos e de todos os que vierem depois de mim seja melhor do que a minha. Desejo firmemente a utopia. Creio na utopia. Afinal, o Brasil não precisa ser permanentemente infeliz. Precisamos ter pressa. Precisamos urgentemente ter orgulho do Brasil.

Ao falar rapidamente à imprensa, quando se despedia do ex-governador Itamar Franco, Aécio disse que essa festa é da democracia, do civismo, e que tem uma honra muito grande de governar Minas. ”Hoje é um dia de muitas emoções. O contato com a população, esse calor que nós recebemos é o combustível fundamental para que possamos fazer o que precisa ser feito em Minas e faremos.

O coral Curumim da Vila Pérola, formado por 45 crianças e adolescentes, prestou uma homenagem ao governador cantando a canção Amigo, de Roberto Carlos.

Após a apresentação do coral, o governador Aécio Neves recebeu de presente das crianças uma peça de artesanato e seguida foi cumprimentar, juntamente com o seu vice, Clésio Andrade, as pessoas que estavam em volta do Palácio da Liberdade.

O governador foi em seguida para dentro do Palácio onde recebeu os cumprimentos de políticos e outras autoridades.