Aécio Neves, na Expozebu, defende maior agregação de valor à produção agropecuária
Aécio Neves, na Expozebu, defende maior agregação de valor à produção agropecuária
O governador Aécio Neves defendeu, sábado último (03/05), em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a necessidade de se investir para agregar valor aos números da produção agropecuária nacional, que colocam o Pais hoje entre os maiores exportadores de carne do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Ele participou, junto com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e ministros, da abertura oficial da 69a Exposição Internacional de Gado Zebu (Expozebu), realizada pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), que reúne participantes de 23 países e que deve movimentar quase R$ 100 milhões até o seu encerramento, no próximo dia 12.
"Precisamos acreditar profundamente no enorme potencial da nossa diversidade
agrícola e Minas é o exemplo mais bem acabado dessa riqueza", afirmou o governador.
Como exemplo da potencialidade, o governador citou a cadeia produtiva da pecuária bovina. Apenas com o aproveitamento do couro dos animais abatidos para a produção de carne, poderiam ser agregados até R$ 5 bilhões por ano e gerados 500 mil novos empregos no País. "Nesse sentido, a questão do couro é emblemática. Perdemos um precioso processo de encadeamento de oportunidades geradoras de empregos, renda, impostos e, enfim, desenvolvimento", afirmou o governador.
Além da pecuária bovina e do couro, o governo de Minas Gerais já iniciou diagnósticos das potencialidades das cadeias produtivas da agricultura do Estado, como a do algodão. "Não podemos continuar admitindo que cerca de 45% da matéria prima necessárias para a indústria têxtil mineira tenha ainda que vir de fora. Estamos, assim, mobilizados para investir em todos os segmentos que já detêm alto potencial de desenvolvimento", disse.
O governador reivindicou também uma atenção ao setor cafeeiro, importante na geração de receitas e divisas para o País, e, em contrapartida, recebeu do presidente Lula a garantia de que o governo federal fará o que for possível para que os produtores não sofram com as oscilações do mercado.
Desafios
Um dos maiores desafios para o agronegócio são as barreiras protecionistas que existem no mercado externo e que ainda entravam o desenvolvimento da produção nacional. Segundo Aécio Neves, essa batalha só será ganha com a cooperação do Poder Público com os produtores.
Ainda assim, o agronegócio brasileiro já é fundamental para o superávit comercial brasileiro, mesmo sem depender de tecnologias ou de fatores externos. "Ou seja, importamos muito pouco para a realização desse saldo excepcional que particularmente orgulha a todos nós, mineiros, parte fundamental dessa cadeia produtiva", afirmou.
Para o governador, o maior desafio no plano interno é a aprovação da reforma tributária, que poderá interromper a exportação de impostos e permitir a construção um sistema tributário mais justo e eficiente.
Semi-árido
Durante a solenidade, foi assinado um acordo entre a Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado), a ABCZ e o Ministério do Desenvolvimento Agrário para a aprimorar a produção pecuária dos agricultores familiares e assentados do semi-árido mineiro. Segundo a Emater-MG, 55 mil pequenos produtores das regiões do Norte de Minas e dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri são responsáveis por um rebanho de 2,3
milhões de cabeças (11,5% do rebanho mineiro). Eles terão novas tecnologias incorporadas ao seu processo produtivo, junto com apoio ao cooperativismo, gerando renda, emprego e sustentabilidade.