Agricultores Familiares de Inimutaba planejam investir em doces de frutas
Com a ajuda da Emater-MG, eles já produzem rapadurinhas para programas de alimentação escolar
Agricultores de sete comunidades rurais de Inimutaba, na região Central, se preparam para diversificar as atividades de agroindústria que mantém no município. Desde 2010, a fábrica produz rapadurinha para fornecer a programas de aquisição de alimentos da agricultura familiar e de merenda escolar. A meta agora é também investir na fabricação de doces de frutas de pomar, tais como goiaba, manga, abacaxi e banana, e de frutas nativas como o pequi. A proposta é aproveitar o período de ociosidade da unidade, para investir em novo projeto durante a entressafra de cana-de-açúcar, que vai de dezembro a maio.
O escritório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) do município está montando um projeto junto à Associação Comunitária das Microlocalidades, visando concorrer a uma chamada pública da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)/BNDES. O objetivo é obter recursos para comprar novos equipamentos tais como: câmara de congelamento, tacho a vapor, despolpadeira e envasadora de polpa. “Queremos aproveitar o potencial da fábrica na entressafra, possibilitando o seu funcionamento durante o ano todo para gerar mais renda aos produtores” explica o extensionista agropecuário do escritório local da Emater-MG Flávio Tadeu Nahas.
Atualmente, o empreendimento beneficia direta e indiretamente cerca de 30 famílias rurais do município, com a comercialização da rapadurinha para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que repassa o produto para a merenda escolar de alunos de oito escolas públicas de Inimutaba. A iniciativa acontece por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Doação Simultânea. A produção da fábrica de rapadura também fornece para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) nos municípios de Monjolos e Presidente Juscelino, onde respectivamente foram comercializadas em 2012, 1.400 rapadurinhas e em 2011, 4.700 unidades do doce para a alimentação de estudantes locais.
A Prefeitura Municipal de Belo Horizonte também já adquiriu no ano passado 6.750 quilos da rapadurinha de Inimutaba para o restaurante popular. E o produto ainda é vendido no comércio local do município e em Curvelo. De acordo com Flávio Tadeu, os frutos atuais dessa iniciativa começaram a ser semeados em 2006, quando agricultores da Associação Comunitária das Microlocalidades se reuniram para definir um projeto produtivo para a comunidade. “Naquela ocasião, realizamos um diagnóstico que apontou o alto potencial para a produção de rapadura, uma vez que grande parte dos associados já fazia isso individualmente, e os melhores produtos tinham grande aceitação no mercado”, relata.
Outro aspecto que vem contribuindo para o sucesso da empreitada, segundo o extensionista local, é a manutenção dos viveiros de mudas de cana-de-açúcar melhoradas geneticamente. Montados em 2008 pelos associados, com recursos próprios e orientação da Emater-MG, esses viveiros estão localizados nas comunidades de Brejo Grande, Açude e Porteiras. Em 2012, a área plantada de canas nas propriedades desses associados atingiu cerca de 40 hectares.
E uma novidade que deve melhorar ainda mais a produção de rapadurinhas é compartilhada pelo técnico Flávio Tadeu: “ Começamos os viveiros com três variedades de cana-de-açúcar e agora estamos com dez. Vamos testar para saber qual delas vai ter melhor rendimento e maior resistência a doenças e pragas”, revela.