Logo Agência Minas
Logo da Agência Minas

Notícia

Agricultura orienta setor de batatas a programar produção

Segunda-feira | 22/10/2007 | 19:13·Atualizado em 29/06/2013 | 05:38
Compartilhar no Facebook
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no X
Compartilhar no WhatsApp

BELO HORIZONTE (22/10/07) - O secretário da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues, recomendou aos produtores de batatas do Estado que se organizem para conseguir produção programada. Ele apresentou essa proposta aos membros do Comitê Gestor da Batata da Secretaria, que se reuniram nesta segunda-feira (22), em Belo Horizonte, com o presidente da Associação dos Produtores de Batata da França, Gerard Corrigan.

Segundo Gilman Viana, a comercialização é um dos pontos mais problemáticos do setor de batatas no Estado. “Os produtores precisam aprender a fazer a gestão do seu negócio porque talvez este seja o caminho para resolver o círculo vicioso da batata, que se constitui basicamente de elevação dos preços quando o produto está em falta ou com safra menor, seguindo-se o aumento de plantio e depois queda de receita por causa do excesso de oferta.”

De acordo com informações do Comitê Gestor, no Sul de Minas, maior produtor do Estado, planta-se batata em janeiro, fevereiro, março, agosto, setembro e outubro. Os plantios são suspensos em abril, maio e junho por causa da queda de temperatura, e em novembro e dezembro porque geralmente chove muito. Segundo o produtor João Vigilato da Silva, que também faz parte da diretoria da Associação dos Bataticultores de Minas Gerais (Abasmig), as batatas precoces são colhidas em até 90 dias.

Predomínio de uma variedade

O gerente do Departamento Técnico da Ceasa Minas e membro do Comitê Gestor, Gilson Santos Neves, disse que já existe um trabalho para a organização dos produtores. Ressalvou que um dos grandes problemas é o predomínio da produção praticamente de uma só variedade, a Ágata, que por ter boa apresentação derrubou outras variedades. Segundo Gilson, o ponto de partida para mudar esta situação já foi dado com a introdução de novas variedades por meio do acordo tecnológico com os franceses.

Ele afirmou que deve ser desenvolvido um trabalho para reduzir a dependência dos produtores em relação aos donos de máquinas de classificação de batatas. “O produtor vende para o dono da máquina e este para o atravessador ou varejista”, explicou. “O ideal seria ter uma cooperativa. No caso da introdução de novas cultivares de batata no mercado, o interessante seria ter uma máquina beneficiadora específica. O produtor venderia para essa beneficiadora e essa para o atacadista. Essa beneficiadora se responsabilizaria pelo empacotamento, rotulação, tudo diferenciado de acordo com as cultivares.”

Para o coordenador do Comitê Gestor da Batata, Joaquim Gonçalves Duarte, a organização de mercado dos produtores é indispensável, e também deve ser alterado o comportamento dos consumidores diante das novas variedades que substituirão pelo menos em parte a Ágata, que só atende ao cozimento. Além disso, conforme sua explicação, poderão ser introduzidas também batatas de múltiplas finalidades. “As novas variedades possibilitarão a segmentação de mercado, com produtos diferenciados, embalagens fechadas, etiquetadas e identificação de sua destinação”, acrescentou.

Para o coordenador, a produção de batatas-sementes é outro fator que necessita de organização como condição indispensável para a obtenção de lucro nas propriedades. “O Estado produz quase 1 milhão de toneladas de batatas, ou um terço do total nacional, mas precisa produzir suas próprias sementes no volume adequado à grande demanda do tubérciulo”, observou Joaquim.

As sementes das novas variedades são produzidas sob o licenciamento da empresa Multiplanta e só podem adquiri-las produtores cadastrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Dentro da Lei de Proteção de Cultivares, em vigor desde 1997, esses produtores ficarão livres para multiplicar as sementes.

O Comitê Gestor da Batata vai se reunir na sexta-feira (26), em Caldas, no Sul de Minas, com um grupo de 50 pequenos bataticultores, entre eles produtores de sementes das novas variedades resultantes do Acordo de Cooperação Técnica França/Brasil com Minas para o Desenvolvimento da Agropecuária. De acordo com João Vigilato da Silva, o trabalho para a organização dos agricultores é um longo caminho, mas um grande trecho já foi percorrido.

O coordenador do Comitê, Joaquim Duarte, concorda com o produtor e enfatiza que “todos têm há muito a aprender no setor de batatas”. Ele recomenda aos produtores, técnicos e demais integrantes do agronegócio batata consultarem diariamente o site do Centro da Batata – CIB (http://www.cim-agro.com.br/cib/), criado pela Secretaria da Agricultura do Estado com a parceria da Universidade Federal de Lavras (Ufla). Assim obterão informações técnicas, de mercado e outros que ajudarão na gestão do negócio.