Alberto Cavalcanti é referência em Cuidados Paliativos
BELO HORIZONTE (09/10/09) - Um programa piloto que promove a dignidade, por meio de carinho, atenção e assistência ao paciente em fase de terminalidade no Hospital Alberto Cavalcanti (HAC), da Rede Fhemig, é referência em Minas Gerais. Nesta quinta-feira (15), o HAC promoverá o Dia da Visita para profissionais de saúde e o 1º Seminário de Cuidados Paliativos no Núcleo de Pesquisa da unidade, com palestras sobre a importância da equipe multidisciplinar nos cuidados paliativos, a interface da oncologia com os Cuidados Paliativos, os conceitos e abordagem aos pacientes em fase de terminalidade, dentre outros temas. Além disso, haverá o plantio do Jardim de Girassóis, símbolo do Dia Mundial de Cuidados Paliativos, que a Sociedade de Tanatologia de Minas Gerais (Sotamig) celebra neste sábado (10), na Praça JK, no Sion, das 10h ao meio dia.
Com apoio da Associação Médica de Minas Gerais e patrocínio da Unimed-BH, White Martins e Hospital Paulo de Tarso, será montada uma tenda com a representação de um túnel da vida - espaço que tem como objetivo desmistificar a morte e valorizar o momento da vida -, além de um painel ilustrativo com vários ambientes para atender o paciente em fase de terminalidade. Os visitantes receberão panfletos explicativos, camisetas, sementes de girassol- símbolo do Dia Mundial de Cuidados Paliativos. Dentro da programação, para profissionais de área da saúde, estão previstas visitas aos hospitais que já dispõem do serviço de Cuidados Paliativos, como Risoleta Neves, Hospital das Clínicas e Hospital Alberto Cavalcanti.
Para a presidente da Sociedade Mineira de Tanatologia, Ana Paula Abranches, médica paliativista da equipe do Hospital Alberto Cavalcanti, o objetivo dessa abordagem é dar boa qualidade de vida ao paciente que não tem possibilidade de cura. “Sempre é feita avaliação dos sintomas que geram desconforto. Em seguida, é realizada uma abordagem medicamentosa com um controle impecável da dor”, informa ela. Muitas vezes o carinho, a atenção e a assistência são o melhor tratamento para a dor e o sofrimento, complementa ela, ao enfatizar que o trabalho médico vai muito além da medicação.
Ana Paula conta o caso de Jovita Pereira dos Santos, 58 anos, que possui câncer no esôfago e recebe o acompanhamento paliativo no Hospital Alberto Cavalcanti. A paciente quer rever os netos. A equipe de assistência social tem se empenhado para realizar esse seu desejo, tentando trazer seus netos que moram no interior de Minas. “O intuito é tirar a doença do foco principal da atenção e colocar, em seu lugar, o paciente e tudo que possa fazê-lo mais feliz”, declara a médica.
Para Ana Paula, os profissionais de saúde, sobretudo aqueles que trabalham com Cuidados Paliativos, precisam ter muito bem resolvida a questão de sua própria morte, tendo a compreensão de que a morte é um processo natural da vida e não um fracasso técnico.
Segundo ela, a semana comemorativa dos Cuidados Paliativos é de grande importância nesse momento em que as estatísticas têm apresentado previsão ascendente de cada vez mais casos de câncer, aids (em fase avançada) e de doenças crônico-degenerativas. “Temos que levantar a discussão da importância dos cuidados paliativos nas diversas esferas sociais”.
O Curso
Refletir sobre a morte e amenizar o sofrimento é a temática do treinamento em tanatologia oferecido pelo Hospital Alberto Cavalcanti há quatro anos, por meio do Núcleo de Pesquisa e disponibilizado para todos os profissionais, coordenado pela psicóloga e ex-servidora do hospital Maria Mazzarello.
O treinamento ensina os profissionais a lidar com situações de terminalidade, abrindo espaço para que esses profissionais expressem suas emoções e dificuldades ao lidar com pacientes em estado grave, sem possibilidades de cura, e seus familiares. Esse projeto-piloto em BH tem contribuído para a formação do serviço de Cuidados Paliativos na unidade, juntamente com o Hospital das Clínicas, contando com o apoio logístico da Comissão de Oncologia da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.
Em março de 2008, o Alberto Cavalcanti adquiriu o título de Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacom), que prevê, dentre outras ações, a criação do serviço de Cuidados Paliativos para assistência àqueles pacientes portadores de câncer avançado que não têm mais nenhuma possibilidade de cura, mas que necessitam de cuidados que proporcionem um controle adequado da dor e outros sintomas desconfortáveis, visando à qualidade de vida.
“O paciente precisa, não só de medicamentos para amenizar o sofrimento, mas também de carinho e proteção, que podem ser oferecidos pela equipe multidisciplinar de Cuidados Paliativos juntamente com a família”, afirma a coordenadora do Núcleo de Pesquisas do Hospital Alberto Cavalcanti, Nilce da Silva Santana Moura.
O Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital Alberto Cavalcanti é pioneiro na Rede Fhemig e está sendo construído a partir deste ano. O ambulatório em Cuidados Paliativos e Interconsulta já está em funcionamento.
Biotanatologia
Em 1978, o médico Evaldo Assumpção, tanatólogo e biotanatólogo, fundador, membro e conselheiro da Sotamig, do Departamento de Tanatologia da Associação Médica de Minas Gerais; Senior-Member of ADEC - Association for Death Education and Counseling (EUA), iniciou pioneiramente em Minas Gerais as atividades da Tanatologia – ciência voltada para o apoio a enfermos em fase terminal da doença.
Seu trabalho mais importante foi desempenhado no Hospital Alberto Cavalcanti, na década de 80, quando o diretor do hospital Teófilo Taranto
franqueou instalações na unidade para que fossem promovidos os primeiros grupos de apoio aos pacientes lá internados, em fase terminal de câncer. “Foi um trabalho extremamente
gratificante e que serviu de base para todos os outros que vim a realizar
posteriormente, e que faço até hoje”, destacou Evaldo Assumpção.
Evaldo, que é também presidente do Conselho Superior da Academia Mineira de Medicina; membro do Instituto Mineiro de História da Medicina; da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e Academia Campo-belense de Letras; professor convidado de Biotanatologia e Bioética da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais; ex-professor de Ética da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), denominou essa especialidade de Biotanatologia, ao
estender esse atendimento a enlutados e aos profissionais de saúde que lidam com enfermos graves. É que, explica ele, essa é a ciência da vida
vista pela ótica da morte.
Programação
1º Seminário de Cuidados Paliativos do Hospital Alberto Cavalcanti
13h30: Plantação do Jardim de Girassol
14h: Abertura do Seminário
Dalze Lohner Maia – diretora do Hospital Alberto Cavalcanti
14h10: Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital Alberto Cavalcanti
Maria Luisa Fonseca Batista – Fisioterapeuta do Hospital Alberto Cavalcanti
14h30: Conceitos / Abordagem em Cuidados Paliativo
Doutor José Ricardo de Oliveira – Comissão de Cuidados Paliativos Unimed BH
15h: Intervenções Fúteis nos Pacientes em Fase de Terminalidade
Doutora Ana Paula Abranches – presidente da Sotamig e membro da equipe de Cuidados Paliativos do Hospital Alberto Cavalcanti e Membro do Programa de Atenção Domiciliar (PAD) da PBH.
15h30: Coffe break
16h: O Singular nos Cuidados Paliativos
Maria Mazzarello Saraiva Nunes – Psicóloga e Psicanalista
Rosana Hosken – Psicóloga e Psicanalista
16h30: Oncologia e Cuidados Paliativos: Uma Proposta de TrabalhoDoutor Bruno Muzzi – Oncologista
17h: A importância da equipe multidisciplinar nos Cuidados Paliativos
Equipe Multidisciplinar – Psicologia, Nutrição, Enfermagem, Serviço Social, Fonoaudiologia, Fisioterapia.
Elaine Maria Braga – Psicóloga
Keila Cristina de Carvalho – Fisioterapeuta
Outras informações pelo telefone (31) 3469-1807.