Anastasia inicia tratativas para cooperação entre Funed e Instituto Pasteur da França
Governador da região de Nord-Pas de Calais demonstra interesse em estreitar ainda mais relacionamento com instituições mineiras
Viabilizar parceria entre a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e o Instituto Pasteur, uma das mais reconhecidas instituições de pesquisa do mundo, e estudos sobre mudanças climáticas. Estes foram temas que fizeram parte das conversações entre o governador Antonio Anastasia e o presidente da região de Nord-Pas de Calais, Daniel Percheron, em Lille (França), que mantém um tratado de amizade com Minas Gerais.
“O presidente da região, monsieur Percheron, está nos acenando com uma cooperação ainda mais efetiva e nos sugeriu uma parceria entre a nossa Secretaria de Saúde, especialmente a Funed, a Fundação Ezequiel Dias, com o Instituto Pasteur, que é o mais famoso instituto do mundo na pesquisa de medicamentos e também na prevenção de doenças. Ele citou muito a prevenção do mal de Alzheimer que o Instituto Pasteur desenvolve aqui em Lille, capital de Nord-Pas de Calais”, explicou Anastasia.
Segundo o governador, a partir de agora, os dois Governos vão indicar pessoas para que as conversas avancem e os projetos para desenvolvimento efetivo das parcerias sejam viabilizados. “Vamos colocar no papel, ver o custo e apresentar essas propostas que são muito importantes para o futuro de Minas Gerais e que coincidem exatamente com a nossa proposta de modernizar pelo conhecimento e pela inteligência o Estado de Minas Gerais”, afirmou.
Ações para o meio ambiente
Durante a reunião, o governador assinou com o presidente Percheron e o diretor do Departamento Geográfico da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), Philippe Orliange, memorando de entendimento com o objetivo de trocar experiências em reconversão de territórios mineradores e industriais.
A intenção é capacitar técnicos da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) e parceiros em reconversão de territórios mineradores e industriais e realizar seminário sobre o tema com participação de universidades mineiras. Está sendo negociada a vinda a Minas de dois especialistas franceses em novembro de 2013 para discutir o tema. Ainda será elaborada uma agenda de trabalho pela Feam e parceiros, incluindo cursos para técnicos mineiros e trabalho de campo.
A atividade minerária, característica comum a ambos os territórios, foi o fator motivador para aproximação de Minas com o Nord-Pas de Calais. Minas Gerais responde por 49,4% do valor da produção mineral brasileira (US$ 19,7 bilhões). A Região Nord-Pas de Calais encerrou as atividades minerárias em 1990 com o fechamento da última mina de carvão. O território e a população sofreram as consequências de uma exploração intensiva – em nível social, ambiental, urbanístico, econômico – e do brusco fim da exploração. Obrigada de realizar reconversão total, o Nord-Pas de Calais adquiriu significante expertise nessa área.
Devido a características comuns das consequências e heranças da atividade foi possível levantar pontos de cooperação, dentre eles, o ordenamento do território, reconversão de áreas degradadas, promoção cultural e discussões relacionadas ao patrimônio, meio ambiente e áreas protegidas, incentivo e promoção científica relacionada ao tema, que agora estão sendo desenvolvidas em conjunto pelos dois entes.
Plano de energia/clima
O Memorando inclui, também, um novo projeto de cooperação entre as duas regiões. A intenção é elaborar um diagnóstico de vulnerabilidades regionais no contexto das mudanças climáticas, por meio do intercâmbio de informações para elaboração de cenários energéticos. Um das atividades a ser desenvolvida é a realização workshop, com participação da sociedade, para elaboração e ajuste dos cenários energéticos.
Uma missão francesa estará em Minas Gerais para fomentar o intercâmbio de informações. Técnicos da Feam também deverão ir à França. De acordo com a vice-presidente do Conselho Regional de Nord-Pas de Calais, Majdouline Sbai, a cooperação com Minas Gerais na área da biodiversidade será de grande valia para ambos os territórios.
“Estamos vivendo uma terceira revolução industrial, com alternativas energéticas, demanda por mobilidade, mas, principalmente, temos a necessidade de proteger a biodiversidade, cuidar de nossas áreas protegidas e valorizar o meio ambiente. Queremos estar ao lado de Minas para fazer parcerias e estudos. Nesta cooperação, todos estão muito animados: Nord-Pas de Calais, as empresas, universidades e associações”, afirmou Majdouline.