Arquivo Público Mineira lança cinco publicações documentais
BELO HORIZONTE (12/12/07) - O Arquivo Público Mineiro (APM), superintendência da Secretaria de Estado de Cultura, lançou nesta terça-feira (11) cinco novas publicações: ‘Instrução para o Governo da Capitania de Minas Gerais (1782)’, ‘Teófilo Ottoni e a Companhia do Mucuri: a modernidade possível’, ‘Panfletos Abolicionistas: o 13 de maio em versos’, ‘São João del-Rei: uma cidade no Império’, e a edição especial da centenária Revista do Arquivo Público, em comemoração aos 110 anos de Belo Horizonte.
“Estamos lançando cinco publicações da maior importância. O conteúdo bibliográfico dessas publicações registra acontecimentos históricos para Minas e Belo Horizonte. É mais uma ação da Secretaria de Cultura em direção à democratização do acesso aos bens culturais e, também, à educação, que está diretamente ligada à cultura”, disse a secretária Eleonora Santa Rosa, durante o evento de lançamento, que aconteceu na sede do Arquivo Público Mineiro.
A secretária fez questão de lembrar outras ações do Sistema de Cultura. “Unimos esforços para a descentralização da cultura com políticas públicas direcionadas e transparentes, por meio de editais, regras claras e julgamento de corpo qualificado. Um exemplo é o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, que lançamos no último dia 10, como maior prêmio nacional, totalizando premiações no valor de R$ 212 mil, e voltado ao reconhecimento de grandes autores e ao incentivo a jovens talentos. Também criamos, este ano, o Cena Minas, que contempla as áreas de teatro, dança e circo com um valor de R$ 1 milhão, através de patrocínio da Copasa, via Lei Rouanet, e registrou 96 inscrições no primeiro edital”, afirmou.
Coleção Tesouros do Arquivo
A Coleção Tesouros do Arquivo traz quatro publicações documentais: I - Instrução para o Governo da Capitania de Minas Gerais (1782); II - Teófilo Ottoni e a Companhia do Mucuri: a modernidade possível; III - Panfletos Abolicionistas: o 13 de maio em versos; e IV - São João del-Rei: uma cidade no Império.
“A Coleção Tesouros do Arquivo traz publicações valiosas, que reúnem parte do acervo histórico do Estado e que, a partir de agora, estão disponíveis para aquisição do público. Os livros democratizam o acesso à historiografia das nossas raízes”, disse a secretária Eleonora Santa Rosa.
I - Instrução para o Governo da Capitania de Minas Gerais (1782)
De autoria de José João Teixeira Coelho, com transcrição e estudo crítico do Professor Caio Boschi e co-edição do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a publicação traz manuscritos sobre a história da Capitania de Minas Gerais. O livro revela uma versão inédita com informações registradas em documentos ainda desconhecidos e que apontam para novos caminhos de pesquisa. A publicação vem acompanhada de CD-ROM em que o leitor poderá consultar o texto original dos manuscritos.
II - Teófilo Ottoni e a Companhia do Mucuri: a modernidade possível
Com documentos assinados pelo próprio Teófilo Ottoni, o livro reproduz uma admirável coleção de relatórios referentes ao povoamento do Vale do Mucuri. Os textos são um testemunho fundamental e único do pensamento econômico, social e político de Teófilo Ottoni. Registra-se, assim, o bicentenário de Teófilo Ottoni e, ao mesmo tempo, torna-se acessível ao público um importante tesouro documental. A apresentação é do professor Valdei Araújo.
III - Panfletos Abolicionistas: o 13 de maio em versos
A publicação reúne, pela primeira vez em fac-símile, escritos poéticos que circularam em comemoração à abolição (13 de maio de 1888). São textos de manifestação de alegria publicados em papéis coloridos e divulgados em jornais, enraizando o sentimento de justiça e humanitarismo representado pelo fim da escravatura. A organização é de Renato Pinto Venâncio e estudos críticos de Eduardo Silva, Liana Reis e José Américo Miranda. O livro celebra os 120 anos da abolição, que será comemorado em 13 de maio de 2008.
IV - São João del-Rei: uma cidade no Império
Numa primeira parte do livro, Alexandre Mendes Cunha, Wlamir Silva, Afonso de Alencastro Graça Filho e Ivan de Andrade Vellasco contextualizam a situação social, política, economia e cultural de São João del-Rei no Império.
Os fac-símiles do Código de Postura e o Regimento Interno da Câmara de São João del-Rei, de 1887, são apresentados no livro, que tem estudo crítico de Marta Maria Araújo, que busca introduzir temas e questões relevantes da história de São João del-Rei no contexto político e administrativo do Império. A organização é de Renato Pinto Venâncio.
Para Renato Venâncio, superintendente do Arquivo Público Mineiro, as publicações apresentam um roteiro da história de Minas, em diversas fases. “No livro sobre a Instrução para o Governo da Capitania, temos um painel do governo na década de 1780. Já a publicação sobre São João del-Rei traça um panorama representativo de Minas Gerais, na primeira metade do século XIX, a partir dos acontecimento sociais, políticos, econômicos e culturais no município. Os Panfletos Abolicionistas, embora tenham circulado no Rio de Janeiro, revelam como os poemas foram publicados nos jornais mineiros e uma Minas contemporânea, pós-escravidão. Por último, o livro sobre Teófilo Ottoni resgata um dos períodos mais marcantes da história da ocupação do Nordeste do Estado, o chamado Vale do Mucuri”.
Revista do Arquivo Público Mineiro
Em comemoração aos 110 anos de Belo Horizonte, a Revista do Arquivo Público, edição de julho/dezembro de 2007, é dedicada à história da capital mineira. Organizado por Lucília Neves, o volume reúne em 200 páginas um dossiê sobre o surgimento da cidade, por meio de artigos, registros de documentos e fotos. “A revista faz um apanhado histórico de Minas, contado a partir do surgimento Belo Horizonte”, explicou Renato Venâncio.
Esta edição fala também sobre o projeto de digitalização da Comissão Construtora da Nova Capital. A partir de um sistema de busca (www.comissaoconstrutora.pbh.gov.br), pesquisadores, estudiosos e interassados podem acessar o acervo documental gerado pela Comissão criada pelo governo de Minas Gerais, Brasil, em fins do século XIX, para planejar e construir Belo Horizonte. O projeto de digitalização foi desenvolvido pelo Arquivo Público Mineiro, em parceria com o Museu Abílio Barreto e o Arquivo Público de Belo Horizonte, e com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
O Arquivo Público Mineiro, o Museu Histórico Abílio Barreto e o Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte congregaram esforços e arquivos, unificando digitalmente o conjunto da documentação da Comissão Construtora da Nova Capital. Cada instituição passou a contar com uma versão digital da totalidade do acervo, permitindo o acesso ao mesmo e subordinando sua reprodução à autorização do arquivo detentor do documento original.
Os livros e a revista estão sendo vendidos na sede do Arquivo Público Mineiro e nas livrarias e pontos de venda da Editora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).