BC aponta boas perspectivas para a economia mineira
A economia de Minas Gerais mostrou dinamismo superior ao ritmo observado no país, tanto em relação à evolução das vendas varejistas e produção da indústria quanto ao mercado de trabalho. Os dados foram divulgados nesta semana pelo “Boletim Regional”, do Banco Central, que apresenta as condições das economias de todas as regiões do país e separadamente do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Ceará.
BELO HORIZONTE (31/01/08) - A economia de Minas Gerais mostrou dinamismo superior ao ritmo observado no país, tanto em relação à evolução das vendas varejistas e produção da indústria quanto ao mercado de trabalho. Os dados foram divulgados nesta semana pelo “Boletim Regional”, uma publicação trimestral do Banco Central, que apresenta as condições das economias das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul e separadamente dos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
Segundo o levantamento, “embora tenha apresentado arrefecimento no ritmo de expansão nos últimos meses, a indústria do Estado registra maior dinamismo, em termos anuais, do que a indústria do país”. Nesse sentido, a produção acumulada no ano, até outubro, em relação a igual período de 2006, cresceu 8,6%, ante 5,9% em âmbito nacional, com expansões de 10,6% na indústria extrativa e de 8,2% na indústria de transformação, segmento impulsionado, principalmente, pelos aumentos nas produções de celulose e papel (23,3%); máquinas e equipamentos (21,8%) e veículos (21,2%).
O informe do BC destaca que o dinamismo da demanda interna, em especial por bens duráveis, em ambiente de aumentos do emprego, renda e crédito, e a continuidade do aquecimento da demanda externa por produtos primários e semimanufaturados, sugerem a manutenção do ritmo da expansão econômica do Estado nos próximos meses.
Também a economia da região Sudeste, segundo o boletim, deverá manter-se em crescimento, impulsionada pelo dinamismo das vendas varejistas, da produção industrial e das exportações. Destacam-se as perspectivas favoráveis em relação à manutenção de vendas e produção de automóveis, sustentado pela ampliação da renda disponível e pelas condições de crédito.
Os números revelam que o volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,4% no trimestre encerrado em outubro em relação ao período maio a julho, considerados dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, com destaque para móveis e eletrodomésticos, 5,7%, e combustíveis e lubrificantes, 4,5%. As vendas nos hipermercados e supermercados de produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram 1,2% no período, enquanto artigos de vestuário recuaram 0,2%. As vendas de veículos, motos, partes e peças, setor que não integra o indicador geral, cresceram 8%.
O boletim do Banco Central informa que “as vendas acumuladas em 12 meses, até outubro, relativamente ao mesmo período de 2006, elevaram-se 7,8%, com ênfase para os aumentos nos segmentos equipamentos e materiais para escritório e informática (25,2%); artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (18%); e móveis e eletrodomésticos (16,3%). Houve redução de 1,9% nas vendas relativas de combustíveis e lubrificantes. As vendas do comércio varejista ampliado cresceram 12,2%, impulsionadas pelo segmento veículos, motos, partes e peças, 26,8%.
Dinamismo industrial
A produção industrial de Minas Gerais aumentou 0,7% no trimestre finalizado em outubro, em relação ao período maio a julho, enquanto a indústria nacional cresceu 2,2%. Esse resultado refletiu o decréscimo de 14% no segmento de refino de petróleo e álcool, decorrente de interrupção de parte das atividades para operação de manutenção, assim como o recuo de 1,5% na metalurgia básica.
De acordo com o informativo do BC, a produção de grãos em Minas Gerais deverá crescer 10,4% em 2007, com perspectivas favoráveis para 2008, quando deve registrar aumento de 3,8%. Os números finais do ano passado ainda não foram contabilizados. As produções de milho e soja, responsáveis por cerca de 90% da safra de grãos do Estado, deverão elevar-se 2,9% e 6,7%, respectivamente.
Comércio exterior
Os dados, também defasados, divulgados pelo Boletim do BC informam que as exportações totalizaram US$ 4,9 bilhões no trimestre encerrado em novembro, elevando-se 15,2% em relação a igual período de 2006. O resultado refletiu aumento de 19,4% nas vendas de produtos básicos, item com maior representatividade na pauta mineira, e de 20,7% e 5,6%, respectivamente, nas relativas a semimanufaturados e a manufaturados. Exportações de minérios, veículos e partes, celulose e café exerceram as contribuições individuais mais representativas.
Os principais produtos exportados em 2007 foram minérios, ferro e aço, café e veículos, enquanto a China tornou-se o principal destino das exportações do Estado, seguindo-se Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Japão e Holanda.
As importações totalizaram US$ 1,8 bilhão no trimestre encerrado em novembro, aumentando 28,5% em relação ao período correspondente de 2006. Foram registrados, no período, acréscimos nas aquisições de bens intermediários, bens de capital e de bens de consumo não duráveis, e redução nas relativas a combustíveis, enquanto os principais produtos importados foram equipamentos mecânicos, adubos e fertilizantes e instrumentos elétricos.
As importações até novembro totalizaram US$ 6 bilhões, elevando-se 35,5% em relação a igual período de 2006, com ênfase nas aquisições de bens intermediários e bens de capital, o que evidencia as perspectivas de aumento da capacidade produtiva do Estado. Estados Unidos, China e Alemanha foram os principais mercados de origem das importações, concentradas em equipamentos mecânicos, veículos e partes, combustíveis e instrumentos elétricos.
Nível de emprego
Os dados do emprego formal indicam crescimento de 1,4% no trimestre finalizado em novembro, em relação ao encerrado em agosto, resultado semelhante ao registrado em âmbito nacional, 1,6%. Registraram-se, no período, elevações generalizadas, em especial na construção civil e na agropecuária.
No trimestre encerrado em novembro, o saldo de empregos criados foi de 26,9 mil. Em igual período de 2006, registrara-se a eliminação de 28,1 mil postos de trabalho. A evolução positiva do mercado de trabalho no Estado é ratificada pela pesquisa do IBGE referente à Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a pesquisa, a taxa de desocupação atingiu 6,4% em novembro, menor percentual para esse mês desde o início da série, em 2002. A população economicamente ativa na região cresceu 3,3% e o número de ocupados, 5,2%.