Câmeras e Disque Denúncia reforçam integração das polícias
Criados para reforçar a atuação integrada das forças de segurança em Minas, o Disque-Denúncia unificado (181) e o monitoramento por câmeras de vídeo têm resultado em ações efetivas das corporações. Foram investidos R$ 700 mil no serviço de treinamento para o atendimento.
BELO HORIZONTE (24/01/08) - Criados para reforçar a atuação integrada das forças de segurança em Minas, o Disque-Denúncia unificado (181) e o monitoramento por câmeras de vídeo têm resultado em ações efetivas das corporações. Após denúncia anônima feita ao 181, foi preso um traficante em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, apresentado nesta quinta-feira (24). Na capital, recentemente, o monitoramento por câmeras de vídeo permitiu a identificação e prisão de dois suspeitos de assassinato.
O Disque Denúncia (181) reúne, numa mesma central de atendimento, os serviços de recepção, processamento e respostas a denúncias para investigação de crimes e delitos direcionados à Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar. Para implantar serviço, foram investidos R$ 700 mil no treinamento e capacitação de pessoal para fazer o atendimento, além da criação de um programa de computador específico. A central de atendimento única recebe denúncias por meio de linha telefônica criptografada, que impede a identificação da chamada, garantindo o anonimato ao denunciante. As denúncias são analisadas em conjunto pelas corporações e, se procedentes, são encaminhadas para investigação ou ação policial imediata.
Na quarta-feira (23), Rodiney Alves dos Santos, o “Carrera”, foi preso sob acusação de tráfico de drogas. Com ele foram apreendidas 200 pedras de crack, 30 buchas de maconha e um revólver calibre.38. A prisão foi resultado de uma ligação feita ao 181, que, além de garantir o anonimato do denunciante, ainda repassa a ele uma senha para acompanhar o andamento da denúncia. Rodiney foi autuado por tráfico e porte ilegal de arma.
É importante ressaltar que o foco do 181 é o atendimento de denúncias anônimas que resultem em investigação. Para situações de emergência, a população deve continuar utilizando os números das corporações – 190 da Polícia Militar; 197 da Polícia Civil; e, 193 do Corpo de Bombeiros. Já as denúncias sobre desvios de conduta dos policiais devem ser encaminhadas às corregedorias de cada corporação.
Crime esclarecido
A prisão dos suspeitos de um assassinato ocorrido no dia 8 de dezembro, no bairro Coqueiros, em Belo Horizonte, é mais uma prova da importância do monitoramento da violência através das câmeras de vídeo. As imagens do crime ficaram gravadas no 34º Batalhão da Polícia Militar e foram utilizadas pela Polícia Civil para identificação dos autores, presos pela Divisão de Crimes Contra a Vida, no dia 27 de dezembro. As câmeras registraram toda a discussão que culminou no crime. A gravação não deixa dúvida sobre a identidade do cúmplice e do autor do crime, que atirou cinco vezes contra a vítima.
O videomonitoramento é uma moderna infra-estrutura de rede de fibra óptica, aérea e subterrânea, com tecnologia de transporte de imagens em alta velocidade e fidelidade, transmitindo ao Ciad o movimento das ruas. Na central, as imagens são visualizadas, gravadas, reproduzidas e arquivadas.
O major Sérgio Lara, da 8ª Companhia da PM, lembrou que as câmeras da região Noroeste da capital foram inauguradas no dia 26 de novembro, poucos dias antes do crime. Ele ressaltou que o esclarecimento do homicídio, justamente através do monitoramento, serve para reforçar o sistema como instrumento fundamental para o trabalho policial. “Se não fossem as imagens, dificilmente teríamos como esclarecer o crime. Apesar de muitos terem presenciado o fato, há na região rumores de que o acusado é muito perigoso”, acrescentou o delegado.
Ainda na fase de testes, as 66 câmeras da região Noroeste já apresentam resultados, como a diminuição significativa da presença de compradores de drogas. De acordo com estatísticas da Polícia Militar, o monitoramento eletrônico reduziu os índices de violência em até 40% nas áreas onde foi instalado, como no hipercentro de Belo Horizonte.
Para este ano, está prevista a ampliação do monitoramento eletrônico em Minas, com a instalação de 72 câmeras em Uberlândia e 27 em Montes Claros, num investimento de R$ 6 milhões. Em Itabira, onde já funcionam 18 câmeras, serão instaladas mais nove. E, na região Noroeste da capital, mais 12 câmeras serão instaladas em 2008,
Mais agilidade
Outro reforço para a melhoria da atuação das forças de segurança em Minas foi a implantação do Centro Integrado de Atendimento e Despacho (Ciad), que vem dando mais agilidade ao atendimento dos serviços de emergência das corporações. Com a implantação do Ciad, foi possível viabilizar a execução do projeto voltado para a contratação de mão-de-obra civil para o atendimento às demandas das centrais 190 (PM), 193 (Bombeiros) e 197 (PC), liberando militares e policiais civis para suas respectivas funções constitucionais de policiamento ostensivo e repressivo, investigação e busca e salvamento.
A capacidade de atendimento aumentou com a instalação de mais cabines pra receber as demandas. Atualmente, cerca de 300 profissionais, por turno, estão à disposição do Ciad para atendimento à população.
A Integração da Gestão em Segurança Pública (Igesp) é um modelo de organização e gestão do trabalho policial, proposto pela Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, para integrar ações e informações, visando à obtenção de resultados em segurança pública. Baseado nos princípios de redução da criminalidade e de incremento da qualidade de vida das comunidades, o modelo procura implementar ações estratégicas sistemáticas e fundamentadas em informações compartilhadas.
O Igesp é, no Brasil, uma iniciativa pioneira na segurança pública. O modelo tem como inspiração o COMPSTAT, uma estrutura de gerenciamento policial adotada na década de 1990 pela Prefeitura de Nova Iorque, nos Estados Unidos, assim como experiência similar desenvolvida na cidade de Bogotá, na Colômbia. Estruturado a partir da formação das Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisp), que consolidam territorialmente a atuação conjunta das Polícia Militar e Civil, o Igesp tem como vértices a ação voltada para resultados, o foco na solução de problemas e a aproximação com a comunidade.
Seu objetivo principal é promover ações integradas entre essas duas polícias, englobando também outros órgãos e entidades para um maior alcance e efetividade das ações de segurança pública. Além disso, o modelo visa ao gerenciamento e sistematização das informações de inteligência atualizadas e precisas, comunicadas claramente a todos os agentes de segurança pública através de encontros estratégicos. O conhecimento e a comunicação dessas informações permitem, além de uma maior compreensão sobre a ocorrência de crimes e seus fatos geradores, a implementação de táticas e estratégias eficazes de combate e prevenção à criminalidade, com a alocação rápida, sincronizada e focalizada de recursos.
O monitoramento eletrônico, aliado às ações de prevenção à criminalidade, investimento na integração das polícias, aumento dos efetivos policiais e ampliação do sistema prisional, entre várias outras ações, permitiram que Minas Gerais experimentasse, em 2007, o terceiro ano consecutivo de queda nos índices de crimes violentos. Entre 2003 e 2007, a queda na capital foi de 49, 51. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a redução foi de 45,4%, enquanto, em todo o Estado, a criminalidade violenta caiu 24,7% no mesmo período.