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Notícia

Campanha Nacional reforça combate à paralisia infantil em Minas Gerais

No próximo sábado, 20 de agosto, acontece em todo país a segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Paralisia Infantil, cujo slogan é "Vamos reforçar a vitória, Brasil". Em Minas Gerais, serão distribuídas 2.500.000 doses da vacina Sabin, que protege contra a poliomielite, em 7.340 postos.

Terça-feira | 16/08/2005 | 14:20·Atualizado em 24/05/2013 | 12:55
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BELO HORIZONTE (16/08/05) – No próximo sábado, 20 de agosto, acontece em todo país a segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Paralisia Infantil, cujo slogan é "Vamos reforçar a vitória, Brasil". Em Minas Gerais serão distribuídas 2.500.000 doses da vacina Sabin, que protege contra a poliomielite, em 7.340 postos. Segunda a coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde, Jandira Lemos, serão envolvidas 27 mil pessoas no trabalho e 2.250 veículos nesta segunda fase da campanha de vacinação contra a pólio, para que possam ser vacinadas todas as 1.739.578 crianças mineiras menores de cinco anos.

Em Belo Horizonte, o lançamento oficial da segunda etapa da campanha acontecerá às 8 horas, na Escola Municipal José dos Mares Guia, à Rua dos Beneditinos, 180, Bairro Heliópolis. Neste mesmo dia os pais e responsáveis também poderão atualizar o cartão de vacinas das crianças, caso seja necessário. Devido a grande extensão territorial do Estado de Minas Gerais, alguns municípios iniciaram a vacinação nesta segunda-feira (15), para que toda a população menor de cinco anos seja atingida.

Cobertura

No Brasil, cerca de 329 mil pessoas, entre servidores e voluntários, estarão mobilizadas em 94 mil postos de vacinação. A meta é vacinar 17 milhões de crianças menores de cinco anos. Para proteger o Brasil do risco da doença é necessário manter coberturas vacinais adequadas - no mínimo 95%. Em Minas, isto significa alcançar mais de um milhão de crianças menores de 5 anos. Neste ano, durante a primeira etapa da campanha que aconteceu em junho, 90,5% das crianças foram vacinadas, não atingindo a meta. “Esperamos e estamos trabalhando para que na segunda etapa da campanha a meta seja atingida, mantendo o Estado livre da doença”, afirmou Jandira Lemos.

Em 2004, durante a segunda etapa da campanha, que aconteceu em agosto, o Estado superou a meta de 95%, alcançando a cobertura de 95,23%. Já na primeira etapa a meta foi quase atingida, com o número de 93,91%. “Graças às campanhas, o Brasil está mantendo a erradicação da paralisia infantil e não se vê mais a incidência de casos”, completou Jandira.

Pólio no Brasil

O último isolamento do poliovírus selvagem em Minas Gerais aconteceu em dezembro de 1987, no município de Santa Maria de Itabira, Diretoria de Ações Descentralizadas de Saúde (Dads) de Itabira. Os casos apresentados dos anos de 1988 (nove) e 1989 (quatro) foram confirmados clinicamente, sem isolamento do poliovírus. No Brasil, o último isolamento foi no ano de 1989 no município de Souza, na Paraíba, e nas Américas foi em agosto de 1991, no Peru. Em setembro de 1994, o continente americano recebeu da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) o Certificado de Erradicação da Poliomielite nas Américas.

Pólio no mundo

No mundo, apenas três regiões ainda não receberam a certificação de erradicação da pólio: África, Sudeste da Ásia e Mediterrâneo Oriental. Sendo que o Afeganistão, Egito, Níger, Nigéria, Índia e Paquistão exigem alta prioridade das ações internacionais pela erradicação.

Quase 80% dos casos notificados, recentemente se concentram na Nigéria, Índia e Paquistão, por isso há necessidade de manter campanhas de vacinação contra a paralisia infantil, mesmo nos países que já erradicaram a doença, uma vez que o fluxo intenso e rápido de viajantes pelo mundo pode, facilmente, propagar o poliovírus. A atenção deve ser redobrada no fato de que o Brasil é considerado um importante pólo turístico e comercial, recebendo pessoas do mundo inteiro.

Segundo Jandira Lemos, em 2001, nas Ilhas Espanholas, a baixa cobertura de vacinação, foi responsável pela mutação do vírus vacinal no meio ambiente, e crianças acabaram sendo contaminadas e adquirindo a poliomielite. “Devemos, mais do que nunca, conscientizar toda a população da importância de vacinar os menores de cinco anos, mesmo que já tenham sido vacinados. Outra dose não causará nenhum problema, o que irá acontecer é a proteção coletiva”, confirmou Jandira.

Paralisia Infantil

A poliomielite é uma doença causada por um enterovírus, denominado poliovírus. É mais comum em crianças ("paralisia infantil"), mas também ocorre em adultos. A transmissão do poliovírus "selvagem" pode se dar de pessoa a pessoa através de contato fecal-oral, o que é crítico em situações onde as condições sanitárias e de higiene são inadequadas. Crianças de baixa idade, ainda sem hábitos de higiene desenvolvidos, estão particularmente sob risco. O poliovírus também pode ser disseminado por contaminação fecal de água e alimentos.

A multiplicação inicial do poliovírus ocorre nos locais por onde penetra no organismo (garganta e intestinos). Em seguida dissemina-se pela corrente sangüínea e, então, infecta o sistema nervoso, onde a sua multiplicação pode ocasionar a destruição de células (neurônios motores), o que resulta em paralisia flácida.

Uma pessoa que se infecta com o poliovírus pode ou não desenvolver a doença. Quando apresenta a doença, pode desenvolver paralisia flácida (permanente ou transitória) ou, eventualmente, evoluir para o óbito. A pólio é uma doença que não tem tratamento específico, sendo a Sabin a única vacina capaz de erradicá-la mundialmente.