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Caso de febre maculosa em Sabará está sob controle

Caso de febre maculosa em Sabará está sob controle

Terça-feira | 15/07/2003 | 00:00·Atualizado em 27/05/2013 | 19:37
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A Superintendência de Epidemiologia da Secretaria de Estado de Saúde recebeu a confirmação de mais um caso de febre maculosa nesta terça-feira. O paciente J.M.V., 32 anos, homem, é morador de Santa Luzia, mas contaminou-se em Sabará e encontra-se internado no Hospital Eduardo de Menezes, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).

Em 2003, foram confirmados três casos de febre maculosa em Minas Gerais, sendo um de Teófilo Otoni, um de Almenara e o último de Sabará. Não existe outro caso suspeito e não se constatou morte pela doença.

Febre Maculosa

A febre maculosa é uma doença febril aguda, de gravidade variável, causada pelo microorganismo Rickettisia rickettsii, que sobrevive brevemente fora do hospedeiro e é transmitida por carrapatos infectados.

Os vetores são carrapatos da espécie Amblyomma cajennense (foto) , também chamados de "carrapato estrela", "carrapato de cavalo" ou "rodoleiro", as larvas por "carrapatinhos" ou "micuins" e as ninfas (estágio intermediário entre larva e carrapato adulto) por "vermelhinhos". São hematófagos (alimentam-se de sangue).

A transmissão da doença ocorre pela picada de carrapato infectado. Para que a R. rickettsii se reative e possa ocorrer a infecção no homem, é preciso que o carrapato fique aderido por algum tempo - de 4 a 6 horas. Pode também ocorrer contaminação através de lesões na pele, pelo esmagamento do carrapato.

Incubação e sintomas

O período de incubação no homem, após receber a picada infectante, leva de 2 a 14 dias (em média, 7 dias), para apresentar os primeiros sintomas. Não se transmite diretamente de uma pessoa para outra. O carrapato permanece infectante por toda sua vida, que dura, aproximadamente, 18 meses.

A doença tem um começo súbito com febre de moderada a alta, que dura geralmente de duas a três semanas, é acompanhada de cefaléia, calafrios, congestão das conjuntivas. No terceiro ou quarto dia pode se apresentar exantema (manchas vermelhas) nas extremidades.

A doença também pode ficar assintomática ou com sintomas leves. Alguns casos evoluem gravemente, ocorrendo necrose nas áreas com sangramentos, em decorrência de vasculite (inflamação dos vasos sanguíneos) generalizada. Alguns problemas como torpor e agitação psicomotora são freqüentes. Outros sintomas comuns são tosse e queda de pressão.

A letalidade da febre maculosa em Minas é de aproximadamente 10%. A morte é pouco comum quando se aplica diagnóstico e tratamento precocemente. Contudo, na ausência de uma terapia específica a letalidade pode chegar a 50%.

Três mortes em investigação

Os irmãos A.L.R., 31 anos, e A.L.R., 29 anos, ambos do sexo masculino, faleceram no sábado e no domingo, respectivamente, em Divinópolis. Apresentaram febre, icterícia (pele amarelada e alteração no fígado), sem apresentar sinais de hemorragia externa. Ontem, D.S., 44 anos, homem, morreu também em Divinópolis. Morador de Nova Serrana, D.S. apresentou febre, icterícia e sangramento visível.

Os três casos entraram para o Protocolo de Febres Íctero-hemorrágicas e estão sendo investigados pelas equipes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), da Diretoria de Ações Descentralizadas de Saúde (DADS) de Divinópolis e da Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis.

As mortes por causa indeterminada ocupam o segundo lugar em Minas Gerais, só perdendo para as doenças cardiovasculares. Por esse motivo, os epidemiologistas da SES produziram 30 mil Protocolos de Febres Hemorrágicas, que foram distribuídos aos profissionais de saúde, por meio do Conselho Regional de Medicina. “Os médicos devem ter o conhecimento adequado e serem capazes de fazer o diagnóstico diferencial das doenças”, ressalta Heloísa Pelluci, diretora de Vigilância Epidemiológica da SES.