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Cemig esclarece operação de Irapé para comunidades locais

Quinta-feira | 18/09/2008 | 15:25·Atualizado em 30/05/2013 | 04:47
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BELO HORIZONTE (18/09/08) - Por meio de ampla mobilização e da participação ativa das lideranças comunitárias, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) recebeu na Usina de Irapé, de 29 de agosto a 18 de setembro, quase 400 moradores que vivem às margens do Rio Jequitinhonha a jusante. A iniciativa faz parte de um conjunto de ações de comunicação que visam não só conhecer a realidade da população ribeirinha como esclarecê-la sobre os efeitos da operação da usina.

A programação contou com a participação de 23 comunidades, reunidas em 12 grupos, que cumpriram uma programação montada para recebê-los. Essas comunidades vivem no trecho do rio entre a usina, situada na divisa entre Grão Mogol e Berilo, e a localidade de Itira (município de Araçuaí), numa extensão de cerca de cem quilômetros.

Participaram as comunidades de Itira, Aldeia Cinta Vermelha – Jandiba, Tibuçu, Tocoiós, Algadiço, Veredas, Ilha Grande, Jatobá, Lagoa Funda, Laje, Frade, Ribeirinos, Coronel Murta (sede), Barra de Salinas, Limoeiro, Barra do Vacaria, Santana, Marimbondo, Pianos, Retiro, Porto Mandacaru, Lagoinha e Monte Alto. Elas fazem parte dos municípios de Grão Mogol, Berilo, Virgem da Lapa, Coronel Murta e Araçuaí.

Segundo o hidrometeorologista da Cemig Alexander Gonçalves da Silva, o trabalho ajudou os ribeirinhos a entenderem o comportamento da operação da usina em dois momentos: na seca e na estação das águas. “Com as informações repassadas, as famílias compreenderam melhor como vão plantar e utilizar o rio durante a seca e, no período chuvoso, como a barragem pode protegê-los”, disse.

As visitas foram organizadas de maneira que os moradores tivessem a oportunidade de assistir a uma palestra informativa sobre as características do barramento e da usina e sua operação e ao detalhamento sobre a geração do ponto de vista do Sistema Interligado Nacional (SIN) e, também, fazer perguntas aos técnicos da Cemig. Os visitantes conheceram ainda o Centro de Referência e Memória de Irapé e as instalações industriais: casa de força e estruturas como barragem, tomada d’água e conjunto de comportas.

“O trabalho que a Cemig fez foi muito bem aplicado; hoje, os moradores sabem por que a água está aumentando e por que baixou e ficam mais prudentes”, avaliou o líder comunitário Antônio Luiz Andrade, da comunidade do Marimbondo, em Virgem da Lapa. “Acho que o povo tem que ver pelo lado bom, porque hoje temos três vezes mais água do que tínhamos antes”, acrescentou.

Geração máxima

Outro ponto esclarecido durante as visitas é a intenção da Cemig de realizar um teste com geração máxima durante uma semana do próximo mês. A finalidade desse teste é tirar dúvidas sobre o nível de ocupação da calha do rio provocada pela geração, de forma que os margeantes possam saber como poderão exercer suas atividades sem conflito com a operação da usina.

O teste é necessário, uma vez que Irapé não vinha gerando a plena carga, devido a restrições como as mudanças na ponte do Colatino, localizada no município de Virgem da Lapa, e ajustes nas máquinas. A ponte já teve suas obras principais concluídas em julho deste ano e os ajustes nas máquinas serão encerrados ainda neste mês, capacitando a usina a gerar plenamente a partir de outubro.

Membros das Coordenadorias Municipais de Defesa Civil (Comdec) participarão das atividades, e a data precisa do evento será divulgada pela Cemig com antecedência diretamente às comunidades, pelos meios de comunicação.

A Usina de Irapé começou a operar comercialmente em julho de 2006. Além do potencial turístico agregado com a formação do lago, sua entrada em operação proporcionou a regularização do Rio Jequitinhonha, resultando em benefícios para a população. Outro papel cumprido pelo reservatório é a contenção das cheias, reduzindo de forma significativa o efeito de eventuais catástrofes.