Centro Socioeducativo Horto promove Duelo de MC´s
O Duelo de MC’s é resultado de oficinas de música oferecidas semanalmente na unidade por agentes socioeducativos
“Meu amigo pode crer, se tu não quer (sic) estudar não vai conseguir trabalhar. Estudar pode ser chato, mas pra frente tu vai vê (sic), resultado da escola é dinheiro e lazer”. Com esses e outros versos, em ritmo de rap, os adolescentes que estão cumprindo medida de internação no Centro Socioeducativo Horto, em Belo Horizonte, contaram um pouco de suas vidas e de suas expectativas para quando estiverem em liberdade, durante o segundo Duelo de MC’s promovido pela unidade.
O evento contou com a participação dos artistas Reginaldo Lopes, conhecido como MC Cunhado, e Thiago Antônio Almeida, o MC Play. “O nosso objetivo é mostrar para eles um novo caminho a partir do que eles mais gostam, que é o funk. A gente vem e inspira”, disse o MC Play.
O Duelo de MC’s é resultado de oficinas de música oferecidas semanalmente na unidade pelos agentes socioeducativos Eduardo Alves da Silva e Gualter Caja. Os encontros contam com a participação de cerca de 20 adolescentes, que podem cantar funk, pagode e teclado. “A participação é muito boa porque eles ficam bem à vontade para expressar os sentimentos e escrever as letras. Quando acontecem apresentações como essa eles valorizam ainda mais, porque podem mostrar o que estão produzindo”, afirma Eduardo. Gualter lembra, ainda, que a oficina melhora o relacionamento dentro da unidade. “É muito importante para a harmonia entre os adolescentes e os agentes”, disse.
Um adolescente de 18 anos, que está há seis meses na unidade, não só participa da oficina como tem pretensões ambiciosas para quando terminar a medida socioeducativa. “Canto desde os 13 anos. Já fiz shows aqui e em outros lugares. Quando sair, quero fazer um CD bacana”, disse.
Para outro adolescente, de 17 anos, a oficina é uma atividade diferente. “Eu nunca tinha cantado, estou achando interessante porque ajuda a desenvolver um conhecimento novo”, relatou. Suas rimas durante o duelo deixam claro o que ele espera para o futuro: estudar, trabalhar e cuidar de seus dois filhos.
As aulas de música são apenas algumas das diversas atividades oferecidas aos 58 adolescentes que cumprem medida no Centro Socioeducativo Horto. “As oficinas, de maneira geral, são construídas a partir da indicação dos próprios adolescentes”, explica a diretora geral, Camila Campos. Na unidade há, por exemplo, oficinas de dança, artes plásticas e artesanato, além de encontros nos quais são discutidos temas como drogas, doenças sexualmente transmissíveis e mercado de trabalho.