Certifica Minas inspira modelo de certificação da erva-mate no Rio Grande do Sul
Trabalho do IMA, responsável por cerca de 1.500 auditorias por ano, serve de referência para técnicos do setor ervateiro

Encontrar no café mineiro um roteiro para certificar a erva-mate: essa é a aposta do Rio Grande do Sul, que vem construindo, desde o início do ano, um novo modelo de certificação com base no Certifica Minas, programa da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) que tem como órgão certificador oficial o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). A erva-mate, espécie nativa do sul do país historicamente associada ao chimarrão, vem se abrindo a novos produtos e mercados — e a certificação pode ser o próximo passo dessa expansão.
Responsável pela iniciativa no estado gaúcho, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi-RS) tem buscado no Certifica Minas um modelo de referência. Para Jackson Brilhante, engenheiro florestal da Seapi, a cadeia do café, também certificada pelo programa, apresenta semelhanças com a da erva-mate, o que despertou o interesse em aplicar a mesma lógica ao setor ervateiro. "A certificação do café ajuda o produto a chegar a mercados mais exigentes, como os europeus", explica.
Um dos aspectos que mais chamou a atenção do especialista foi a estrutura adotada pelo programa para conduzir esse trabalho junto aos produtores rurais. "É um processo muito rigoroso, mas não no sentido de ser difícil. São muitos critérios, e conseguimos ver os diferentes requisitos que cada cadeia tem que cumprir para receber a certificação", afirma Jackson.
A parceria evidencia o papel do IMA na disseminação de conhecimento sobre certificação agropecuária. Ao longo de duas décadas, o Certifica Minas consolidou uma metodologia responsável por cerca de 1.500 auditorias anuais. “O programa foi construído a partir de uma atuação prática, e hoje certifica, em média, 1.200 produtores por ano. Compartilhar essa trajetória contribui para que outras cadeias produtivas desenvolvam seus próprios modelos”, ressalta Paula Braga, gerente de Certificação do instituto.
Intercâmbio de experiências
A primeira etapa dessa colaboração ocorreu em fevereiro, quando uma equipe da Seapi esteve em Minas Gerais para conhecer a estrutura, os critérios técnicos e o funcionamento do Certifica Minas. Os representantes gaúchos visitaram propriedades certificadas e puderam compreender, na prática, o processo de certificação e o trabalho dos auditores do programa.
Em julho, a comitiva gaúcha participou de uma capacitação sobre classificação e degustação de café promovida pelo Senar Minas, em Varginha, no Sul de Minas, entre os dias 6 e 10. Articulada pelo IMA, a atividade possibilitou aos participantes conhecer práticas adotadas pela cadeia cafeeira mineira relacionadas à qualidade, à padronização e à diferenciação do produto.
Nos dias 16 e 17, Paula integrou uma missão técnica à região do Alto Taquari, no Rio Grande do Sul, que reuniu representantes da Seapi, do Sebrae RS, além de pesquisadores ligados à cadeia da erva-mate. Voltada ao fortalecimento da pesquisa e da inovação no setor, a missão incluiu visitas a ervais, indústrias e reuniões técnicas com produtores.
A gerente afirma que o contato direto com essa realidade produtiva contribuirá para o trabalho conjunto com a equipe gaúcha na elaboração dos critérios de certificação da erva-mate. “É importante compreender as características da cadeia, os desafios dos produtores e as práticas do setor para que a certificação seja adequada à realidade da atividade”, destaca.
*Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado somente após a oficialização do término das eleições.