Cetec inaugura em Minas Gerais metodologia de ensino pioneira
BELO HORIZONTE (10/05/10) - A Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) inicia nesta segunda-feira (10) uma nova etapa, inserindo-se na área educacional. Quatro membros do Conselho Estadual de Educação (CEE) visitam o campus durante esta semana, vistoriando a instituição. O objetivo é verificar a infraestrutura do Cetec para a instalação de três cursos tecnólogos.
A ação inclui entrevista com os pesquisadores da instituição. Os cursos, que se aprovados devem ser oferecidos a partir de agosto, serão de Processos Químicos - ênfase em problemas biotecnológicos gerados por complexos aeronáuticos; Processos Ambientais - ênfase em problemas gerados por complexos aeronáuticos; e Fabricação Mecânica - ênfase em materiais aeronáuticos, aeroespaciais e automobilísticos.
Todos os cursos terão ênfase na área de aeronáutica e na solução de problemas relacionados com complexos aeroviários. Isso porque eles serão ministrados pela Fundação dentro da lógica de trabalho do Centro de Capacitação Aeroespacial de Minas Gerais.
Esse núcleo é uma das partes que compõem o centro e será implantado em Lagoa Santa numa área de mais de 93 mil metros quadrados. A área corresponde a cerca de um oitavo da parte total do terreno destinado à construção da nova entidade. Ao todo, são quase 781 mil metros quadrados disponibilizados para a infraestrutura do Centro de Capacitação Aeroespacial.
Cada um dos cursos oferecerá 50 vagas e terá duração de três anos. O método de ensino será inovador, através do problem-based learning (aprendizado baseado em problemas), que foca na atitude criativa do aluno para a geração de tecnologias industriais. A metodologia de ensino já é tradicional em outros países do mundo, mas no Brasil ainda é uma novidade. A nova abordagem despertará em muitos jovens e adolescentes o interesse em participar do primeiro vestibular.
O aprendizado baseado em problemas consiste num estímulo interdisciplinar aos estudantes, que devem encontrar de maneira autônoma a solução para as demandas que lhes são colocadas. O objetivo é que esses novos cursos ofereçam um ambiente escolar diferente, onde os futuros tecnólogos trabalharão desde o primeiro período com a resolução de problemas e com a participação direta nos projetos de pesquisa e prestação de serviços tecnológicos que o Cetec desenvolve. De acordo com o pesquisador da fundação e coordenador do projeto, Antônio Cardoso Valadão, “o objetivo é incentivar a autonomia dos alunos, estimulá-los a ter um pensamento próprio e a pensarem em saídas criativas para os milhares de problemas tecnológicos que o setor aeronáutico e aeroespacial tem”.
No mundo, inovações pedagógicas dentro dessa proposta já possuem mais de 30 anos de existência e tem como exemplos a universidade de Aaborg, na Dinamarca, e a Republic Polythechnic de Cingapura. O modelo do Cetec não será uma cópia das experiências internacionais. De acordo com Valadão, “não daria certo simplesmente copiar de forma acrítica. A Fundação já acumula uma experiência de quase quarenta anos na tecnologia de projetos, sempre trabalhando sob demanda. Todos os bolsistas de Iniciação Científica que trabalham na instituição resolvem problemas industriais, de meio-ambiente, de tecnologias para a saúde, etc. Essa experiência já acumulada será importante agora. Nossa expectativa é que esses cursos de graduação que estamos abrindo estejam, em pouco tempo, entre os melhores do país”.
Além da iniciação científica, o Cetec também trabalha com o desenvolvimento de tecnologias sociais cujo cerne é a criatividade no ensino há, pelo menos, dois anos. A instituição já possui experiências dentro dessa metodologia educacional através dos projetos Tecnoarte - Criatividade no Ensino Médio e Polidesign - Design de produto e Materiais desenvolvidos respectivamente na Escola Estadual Técnico-Industrial Professor Fontes, no bairro Horto, em Belo Horizonte, e na Escola Estadual Dom Pedro II, na cidade de Ouro Preto.
O Tecnoarte foi, inclusive, agraciado com o segundo lugar na IX Mostra de Inovações Pedagógicas, promovida pelo Serviço Social do Comércio de Minas Gerais (Sesc/MG). Os dois projetos consistem no desenvolvimento de material didático por parte dos jovens através do uso de programas de multimídia. Os estudantes trabalham desenvolvendo as peças em cima das temáticas que sejam de seu interesse e assistidos por pesquisadores.