Classificação de risco é tema de curso na ESP-MG
BELO HORIZONTE (26/03/10) - Cinquenta profissionais da saúde, entre médicos e enfermeiros, participaram, nesta sexta-feira (26), na Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), do Curso de Classificação de Risco – Protocolo de Manchester. A iniciativa é uma parceria entre a ESP-MG e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e tem o objetivo de capacitar os profissionais da Rede Assistencial de Saúde para a abordagem rápida e adequada junto aos usuários que procuram as unidades em situações de urgência, além de problematizar os casos vivenciados durante o atendimento nas unidades básicas de saúde (UBS).
Segundo a médica e membro do Grupo Brasileiro de Acolhimento com Classificação de Risco, Paula Martins, os alunos veem como fazer, aprendem a metodologia e tomam conhecimento das dificuldades para a sua implantação. “São feitos casos clínicos práticos em que os profissionais aprendem, de fato, a abordar. O curso ensina-os como classificar adequadamente o cidadão sem que isso leve prejuízo a ele”, explica.
O objetivo do protocolo é estabelecer um tempo de espera pela atenção médica. O método consiste em identificar a queixa inicial, seguir o fluxograma de decisão e, por fim, estabelecer o tempo de espera, que varia de acordo com a gravidade. Durante o atendimento, os pacientes são classificados por cores. A cor vermelha (Emergente) tem atendimento imediato; o Laranja (muito urgente) prevê atendimento em dez minutos; o amarelo (urgente), 60 minutos; o verde (pouco urgente), 120 minutos e o azul (não urgente), 240 minutos.
“A implantação do manchester no serviço organiza a urgência e, com isso, é observado que são evitadas mortes na fila de espera. Os pacientes são admitidos conforme a prioridade. Isso, às vezes, pode até causar um certo descontentamento até que as pessoas o entendam. A medida que os usuários vão utilizando o serviço, percebem sua importância. É um processo de educação continuada”, pondera Paula Martins.
Com a implantação do Protocolo de Manchester em algumas unidades de saúde, percebe-se que os doentes que não são de urgência quase não procuram mais este nível, e, sozinhos, já se encaminham à atenção primária. “Isso faz com que se tenha um número maior de horas dedicadas à pacientes de urgência. Implantar manchester não é um processo isolado só da urgência. Ele tem que envolver a rede como um todo e construir uma grade onde se consiga referendar cada doente com sua complexidade”, acrescenta Martins.