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Concurso de qualidade de cafés de Minas gera lucro para produtores

Vencedores do II Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais já começaram a colher os lucros com a qualidade. Os negócios com os cafés especiais participantes começaram a ser fechados ainda durante a cerimônia de premiação, realizada quinta-feira, no auditório da Emater-MG.

Sexta-feira | 11/11/2005 | 14:26·Atualizado em 25/05/2013 | 08:08
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BELO HORIZONTE (11/11/05) – Os vencedores do II Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais já começaram a colher os lucros de sua preocupação com a qualidade. Os negócios com os cafés especiais participantes começaram a ser fechados ainda durante a cerimônia de premiação, realizada quinta-feira (10), no auditório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).

A maior vantagem para os produtores que participam é a valorização de seu produto num mercado disposto a pagar altas somas pela qualidade. No leilão realizado em Lavras na última terça-feira com os lotes vencedores, uma saca de café orgânico certificado, do produtor Carlos Daniel Claudio, de Nepomuceno, atingiu o preço de R$ 855 por saca de 60 quilos – 216,6% acima do valor de mercado. O preço médio por saca ficou em R$ 587,40 – o que significou ágio de 106,1% em relação à cotação de 8 de novembro, para cafés de qualidade (de R$ 270).

O presidente da Emater-MG, José Silva Soares, destacou a importância do concurso de qualidade de café, produto que corresponde a 40% das exportações do Estado de Minas Gerais. "Os melhores cafés do Brasil saem de Minas", afirmou. "Queremos estimular os agricultores a se profissionalizarem, a gerir suas propriedades como empresas lucrativas. E esse concurso é especialmente importante, pois é aberto aos pequenos agricultores familiares, que são responsáveis por 70% do café produzido no Estado. Nosso maior desafio é fazer com que tenham competitividade no mercado e a qualidade do produto é fundamental para aumentar seu valor agregado", disse.

"O leilão é uma oportunidade de demonstrar o reconhecimento aos produtores que se preocupam com a qualidade do café. O ágio médio do leilão este ano superou o do último concurso, em 2004, o que reafirma a importância de obter um produto melhor, para alcançar maior remuneração. Há compradores dispostos a pagar valores muito bons pelos melhores cafés", afirma Marcelo Felipe, coordenador estadual de cafeicultura da Emater-MG.

O vencedor na categoria empresarial café cereja descascado, José Bernardes Santana, de Araponga (Zona da Mata), é um veterano nos concursos de qualidade, dos quais participa desde 2002. Ele considera o Concurso Estadual dos Cafés de Minas o mais representativo. "Os produtores de menor porte não têm oportunidade de mostrar o trabalho que fazem e aqui há este espaço", diz. "Essa preocupação com a qualidade será cada vez mais importante, pois daqui a alguns anos ficará de fora do mercado quem não tiver um produto especial", prevê.

O concurso é uma ação do Agrominas Café, projeto estruturador do Governo de Minas Gerais coordenado pela Secretaria de Agricultura, por meio da Emater-MG, com apoio da Universidade Federal de Lavras (UFLA). O número de cafeicultores inscritos aumentou 50% este ano. Em todo o Estado, 980 amostras foram apresentadas para o concurso deste ano, contra 652 no ano passado. A região de Guaxupé registrou a maior concentração de participantes: 253 inscritas em 16 municípios. No total, cafeicultores de 178 municípios de todas as regiões produtoras enviaram amostras.

"Trabalhamos para incentivar a melhoria constante da qualidade do café como meio mais eficaz para conquistar novos mercados e agregar valor ao produto, atendendo à crescente demanda por produtos diferenciados e criando novas possibilidades para aumentar a renda dos cafeicultores", afirma Marcelo Felipe.

Ele explica que o concurso foi lançado como forma de permitir a participação não apenas dos grandes cafeicultores, como também dos pequenos. "Esse ano, a participação não só foi maior como melhorou a qualidade dos cafés apresentados em relação ao ano passado", informa. "É uma metodologia eficiente que permite, além de identificar pontos de estrangulamento no processo produtivo de cafés no Estado, estabelecer ao mesmo tempo programas, projetos e estudos para sanar os problemas".

O gerente-adjunto do Agrominas Café, Bernadino Cangussu Guimarães, disse que muito difícil selecionar os melhores entre as quase mil amostras apresentadas. "O concurso é uma oportunidade de demonstrar a excelente qualidade dos cafés de todas as regiões produtoras do Estado. E também permite atestar a liderança de Minas Gerais não apenas na quantidade de cafés produzidos, mas também na qualidade", afirmou.

Os extensionistas da Emater-MG também são beneficiados com o concurso de qualidade, segundo Bernadino, pois, por meio da seleção das amostras inscritas, é possível avaliar as potencialidades de cada região. "Dessa forma, podemos ter um mapeamento de todos os cafés produzidos no Estado. Podemos potencializar as qualidades dos melhores e corrigir os defeitos dos demais", explica.

Participaram produtores de todas as regiões, em cinco categorias: Agricultura Familiar (café natural e café cereja descascado), Empresarial (café natural e café cereja descascado) e Café Orgânico.

Participantes

Na categoria Agricultura Familiar, puderam participar cafeicultores que mantenham até dois empregados fixos e tenham 80% da renda familiar gerada na propriedade, com no máximo R$ 60 mil de renda bruta. Para participar na categoria Orgânico, os agricultores apresentaram, na inscrição, cópia do certificado fornecido por entidade credenciada. Os demais concorrentes que não se enquadrarem em nenhuma destas duas categorias foram incluídos na categoria Empresarial.

O concurso foi realizado em duas etapas. Uma equipe de degustadores fez uma pré-seleção das amostras entregues pelos produtores. Após essa triagem, provadores de categoria internacional escolheram, entre 360 amostras selecionadas, as melhores em cada modalidade (natural e descascado) das três categorias. As provas são realizadas "às cegas" (ou seja, as amostras não são identificadas), no Pólo de Tecnologia de Qualidade de Café da UFLA. Os primeiros colocados em cada categoria participaram de um leilão, realizado em Lavras, com a participação das maiores empresas exportadoras do mundo.

Produção mineiraVencedores

O café é cultivado em 13 Estados brasileiros, mas 95% da produção se concentra em apenas seis: Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Paraná e Rondônia. Segundo a Conab, a área ocupada com café no Brasil é de 2,416 milhões de hectares, com 5,89 bilhões de cafeeiros. O Brasil constitui-se no único país do mundo a ter uma total diversidade produtiva. É capaz de produzir vários tipos: despolpado, descascado, bebida suave, ácidos, encorpados aromáticos, especiais e para formação de "blends", capazes de atender às diferentes exigências mundiais, obtendo com isso maior entrada em mercados mais sofisticados e maior preço.

Em Minas Gerais, existe um programa especialmente criado com este objetivo. O Agrominas Café pretende agregar valor às exportações mineiras de café. É um dos programas estruturadores do governo mineiro e congrega ações de iniciativas pública e privada para o desenvolvimento da cadeia cafeeira no Estado.

No Estado, que detém quase a metade da produção nacional, a estimativa da safra é que haja uma redução de 22% na colheita 2005/2006. O maior problema foi o clima adverso (distribuição irregular das chuvas). Minas Gerais na safra 2004/2005 participou com 48,6% do total de café produzido no país. Na safra 2005/2006, a previsão é de 45,1%.

Segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), a cafeicultura está presente em 690 municípios mineiros, com mais de 90 mil propriedades produtoras. A atividade ocupa 49,5 mil agricultores familiares no Estado e gera 4,3 milhões de empregos diretos e indiretos. O destaque é para as regiões Sul e Oeste. Cerca de 30% é produzido na Zona da Mata e no Vale do Rio Doce, região conhecida como Matas de Minas. O relevo acentuado, entre 400 e 1.100 metros de altitude, o que resulta em um excelente café do tipo arábica (o mais valorizado).

Uma das áreas que mais crescem no Estado é o cerrado (Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste), com altitude entre 800 e 1.200 metros. Destaque para a irrigação em alto nível, chegando a 90% em alguns municípios. A região do cerrado mineiro é formada por 55 municípios e conta com 3.500 produtores de café.

Na região da Zona da Mata, 90% da cafeicultura é desenvolvida pela agricultura familiar. As propriedades distribuídas em 102 municípios não utilizam mecanização. As lavouras ocupam 230 mil hectares.

Agência Minas

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