Construção civil é destaque no mercado de trabalho da RMBH
BELO HORIZONTE (28/05/08) - A Pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada pela Fundação João Pinheiro, Dieese e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, registrou pequena redução no desemprego total na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A taxa recuou de 11,4% em março para 11,2% em abril de 2008 na RMBH. O contingente de desempregados diminuiu em 9 mil pessoas, passando de 297 para 288 mil em abril. A População Economicamente Ativa (PEA) foi estimada em 2,568 milhões e o número de ocupados em 2,280 milhões. A estimativa do tempo médio gasto pelos desempregados para encontrar uma vaga ficou em 44 semanas, em abril, duas a menos, em relação a março.
Construção criou mais vagas
A construção civil foi o setor que apresentou melhor desempenho em abril, pois gerou 7 mil ocupações no período. O comércio apresentou redução de 9 mil postos no período, os serviços, 15 mil, a indústria perdeu 12 mil postos de trabalho e o agregado "outros setores" apresentou redução de 3 mil vagas.
Comparando abril de 2008 com abril de 2007, foram criadas 64 mil ocupações, sendo 53 mil nos setor de serviços, 11 mil na construção civil e 5 mil postos na indústria. Já o comércio apresentou redução de 8 mil vagas. O agregado “outros setores de atividade” apresentou acréscimo de 3 mil ocupações.
O economista Mateus Cópio, diretor do Observatório de Trabalho, Emprego e Renda da Sedese explicou que os números positivos da construção civil já vinham sendo observados pela equipe da pesquisa. “Este bom desempenho nos últimos meses deve-se ao acesso maior da população ao crédito, conjugado a bons preços de material de construção e às obras públicas do governo estadual e do PAC.” Quanto à redução nas vagas do comércio, o economista entende que é pontual e devemos esperar o mês de maio para verificar se essa tendência de queda nesse setor se confirma. Vagas formais foram as que mais cresceram nos últimos 12 meses.
No setor privado, foram perdidas 10 mil vagas entre os trabalhadores com carteira assinada e 7 mil ocupações entre os assalariados sem carteira. No setor público, a perda foi de 6 mil postos, e no emprego doméstico houve estabilidade no número de ocupações. Entre os autônomos registrou-se redução de 11 mil postos e nas "demais formas de inserção" houve ampliação de 2 mil ocupações.
Comparando abril de 2008 com abril de 2007, foram criadas 68 mil vagas entre os assalariados com carteira assinada e perdidas 11 mil entre os sem carteira. O setor público criou 15 mil ocupações e no emprego doméstico 7 mil vagas. Entre os autônomos, a ampliação foi de 3 mil ocupações e para o agregado "demais formas de inserção", houve redução de 18 mil vagas.
Segundo Cópio, essa queda do emprego com carteira assinada de um mês para o outro não vinha sendo observada nos últimos meses. “Não devemos analisar a queda de vagas entre os trabalhadores com carteira somente pela performance de um mês e, sim, considerar a tendência ao longo do ano. Quando fazemos a comparação com abril de 2007, temos a criação de 68 mil vagas nessa categoria e a perda de11 mil vagas entre os sem carteira, o que indica continuação da formalização do mercado.”
Rendimentos mantêm tendência de crescimento em 2008 (dados de março)
O rendimento real médio dos ocupados sofreu perda de 1,1%, entre fevereiro e março, ficando em R$1.028. O salário real médio permaneceu relativamente estável (-0,5%) e passou para R$1.066. Para os autônomos, a redução foi de 3,7%, passando para R$835. A massa de rendimento real dos ocupados decresceu em 0,7%, reflexo da retração no rendimento e da relativa estabilidade no nível ocupacional. A dos assalariados aumentou em 0,7%, já que o nível de emprego aumentou e o salário real médio manteve-se praticamente estável.
Também nos rendimentos, o diretor do Observatório de Trabalho, Emprego e Renda da Sedese explica que “se houve queda em abril de 2008, ao longo dos 12 últimos meses eles apresentaram ótima performance, com aumento de 3,6% no rendimento real médio dos ocupados, que passou de R$993 para R$1.028, de 3,5% nos salários, que passaram de R$1.030 para R$1.066, e um expressivo aumento de 17,55 para os autônomos, cujos rendimentos passaram de R$711 para R$835.” A massa de rendimentos dos ocupados elevou-se em 9,9%, e a dos assalariados em 11,8%, em ambos os casos, resultado da elevação do rendimento real médio, e com maior intensidade, do nível de ocupação.