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Descoberta na Serra do Espinhaço revela nova espécie de planta para a ciência

Espécie encontrada homenageia servidor do IEF e reforça importância da conservação ambiental

26/06/2026 18:58·Atualizado há 5 horas
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"Barrinha" no local onde foi encontrada a nova espécie, no Norte de Minas
"Barrinha" no local onde foi encontrada a nova espécie, no Norte de Minas / Crédito: IEF / Divulgação

Uma nova espécie botânica foi descoberta no Norte de Minas Gerais durante expedições científicas realizadas no entorno do Parque Estadual Caminhos dos Gerais, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). A planta, encontrada no Pico da Formosa, na região de Monte Azul, recebeu o nome de Eriope barrinhae e representa mais um avanço no conhecimento da biodiversidade do estado.

Nova espécie recebeu o nome de Eriope barrinhae, em homenagem ao funcionário do Parque Alessandre Custódio Jorge, conhecido como "Barrinha"
Nova espécie recebeu o nome de Eriope barrinhae, em homenagem ao funcionário do Parque Alessandre Custódio Jorge, conhecido como "Barrinha"
Crédito: IEF / Divulgação

A denominação da espécie presta homenagem ao gerente do parque, Alessandre Custódio Jorge, conhecido como “Barrinha”, servidor do IEF que há anos atua na conservação ambiental e no apoio a pesquisas científicas na região. “Fiquei honrado com a homenagem. Além da espécie pertencer à família Lamiaceae, que reúne diversas plantas aromáticas utilizadas em temperos e chás, esse reconhecimento simboliza uma trajetória dedicada à proteção da biodiversidade mineira”, afirma Alessandre Jorge.

A nova espécie pertence ao gênero Eriope e, embora apresente semelhanças com outras plantas já conhecidas, como Eriope carpotricha e Eriope complicata, possui características exclusivas que permitiram sua identificação como uma espécie inédita.

Entre os diferenciais estão a coloração lilás intensa das pétalas e a combinação singular de pelos curtos e longos distribuídos de forma irregular em suas estruturas vegetais.

Segundo o pesquisador Danilo Zavantin, um dos autores da descoberta, as análises morfológicas foram determinantes para confirmar a novidade científica. “Esta nova espécie possui a cor lilás profunda das pétalas, em oposição às tonalidades mais claras observadas em espécies semelhantes, além de apresentar uma combinação única de pelos distribuídos de forma irregular”, explica.

Conservação e conhecimento científico

A descoberta reforça a relevância ecológica do Espinhaço Setentrional, uma das regiões mais importantes do país para a conservação da flora brasileira. Conhecida apenas em uma área específica do Parque Estadual Caminhos dos Gerais, a Eriope barrinhae apresenta distribuição extremamente restrita, condição que pode colocá-la em situação de elevado risco de extinção.

A ocorrência limitada da espécie evidencia a necessidade de ampliar ações de proteção dos ambientes naturais, especialmente em áreas montanhosas e ecossistemas sensíveis sujeitos a pressões antrópicas.

Para o pesquisador Renato Ramos, a preservação de espécies recém-descobertas gera benefícios que vão além do campo científico. “Ao preservar uma espécie botânica específica, abrimos caminho para futuras pesquisas sobre possíveis propriedades culinárias ou medicinais, com potencial para gerar benefícios socioeconômicos para as comunidades locais”, destaca.

A homenagem a Alessandre Jorge também reconhece seu papel na valorização da biodiversidade regional. Natural de Monte Azul, o servidor sempre defendeu o potencial biológico dos campos rupestres do Norte de Minas e contribuiu para aproximar pesquisadores do território, viabilizando estudos que vêm ampliando o conhecimento sobre a flora local. “Mais do que uma homenagem ao Barrinha, a escolha do nome simboliza o reconhecimento ao trabalho dos servidores ambientais que acreditam na conservação e incentivam a produção de conhecimento científico sobre a biodiversidade mineira”, ressalta Zavantin.

Resultado de investimentos em pesquisa

A descoberta da Eriope barrinhae é fruto das ações desenvolvidas pelo Plano de Ação Territorial para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Espinhaço Mineiro (PAT Espinhaço Mineiro), coordenado pelo IEF entre 2020 e 2025 com apoio do Projeto Pró-Espécies.

A iniciativa também contou com o suporte do Programa Copaíbas, financiado com recursos internacionais e gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que apoia o fortalecimento das unidades de conservação e a proteção de comunidades tradicionais.

Os resultados demonstram o potencial científico da região. Desde 2023, mais de 15 novas espécies de plantas foram descritas a partir das expedições realizadas no âmbito do PAT Espinhaço Mineiro, consolidando o Norte de Minas Gerais como uma das áreas mais promissoras do país para descobertas botânicas.

Entre as espécies recentemente identificadas estão a Barbacenia rupestris, encontrada na Serra do Pau D’Arco e associada a afloramentos quartzíticos com pinturas rupestres pré-históricas, e a Guapira leucophylla, árvore endêmica dos campos rupestres do Parque Estadual Serra Nova e Talhado, em Rio Pardo de Minas.

Para a analista ambiental do IEF, Gabriela Brito, os resultados reforçam a importância dos investimentos em pesquisa e conservação. “As descobertas evidenciam a riqueza biológica ainda pouco conhecida do Espinhaço Setentrional e demonstram a importância de fortalecer ações voltadas à pesquisa, à conservação e à geração de conhecimento sobre a biodiversidade mineira”, conclui.