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Notícia

Detentos limpam as margens do rio Piranga, o principal formador do rio Doce

Grupo de 30 presos refaz passeios, replanta grama, pinta o cais e recolhe lixo das margens, para depois plantar mudas de espécies nativas

Terça-feira | 19/01/2016 | 13:50·Atualizado em 10/06/2016 | 00:27
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Grupo de 30 detentos do CPPN limpam as margens do Rio Piranga, principal formador do Rio Doce
Grupo de 30 detentos do CPPN limpam as margens do Rio Piranga, principal formador do Rio Doce / Crédito: Carlos Alberto/Imprensa MG

Uma parceria entre a Prefeitura Municipal e o Complexo Penitenciário de Ponte Nova (CPPN) está recuperando sete quilômetros de margens do rio Piranga, principal formador do rio Doce. O trecho, na Avenida Arthur Bernardes, no núcleo urbano do município, é ladeado por cais e calçadas ajardinadas, que foram destruídas por uma enchente em 2011. Diariamente, um grupo de 30 presos do CPPN refaz passeios, replanta grama, pinta o cais e recolhe lixo das margens, para depois plantar mudas de espécies nativas.

O agente de segurança penitenciário Euler Santos é o ‘gerente’ da empreitada. Sua função é muito mais ampla do que vigiar os presos, todos do regime semiaberto com autorização judicial para trabalho externo. Ele fez um curso superior de Gestão Ambiental, é membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) de Ponte Nova e fundador da ONG Puro Verde, que atua na recuperação de matas ciliares na bacia do Rio Piranga.

“Felizmente estamos criando uma tradição em projetos ambientais com a participação dos presos. Recentemente, por exemplo, fizemos o plantio de espécies nativas nas margens das vias de acesso ao CPPN”, conta Euler.

O diretor-geral do complexo, Rafael Bargas Queiroz, concorda. Segundo ele, a recuperação das margens do Rio Piranga é, na verdade, uma expansão da parceria de trabalho com a Prefeitura, que já empregava 40 presos em diversos serviços ambientais na cidade, como capina e roçada, retirada de entulho, reconstrução de calçadas e praças, plantio de árvores, etc. Na opinião do diretor, é um tipo de trabalho que aproxima os presos da sociedade.

É a impressão que passa o detento Rogério dos Santos Ribeiro, engajado há três meses na turma do Rio Piranga. “Eu vejo como um trabalho perfeito para gente que foi condenado. Estamos ajudando a limpar o que a sociedade sujou”, compara.

Revitalização da Beira-Rio

Neste começo de 2016, os detentos do CPPN também fizeram uma espécie de mutirão para limpar um afluente do rio Piranga, o córrego Passa Cinco. Em apenas três dias de trabalho, eles encheram um caminhão com resíduos sólidos coletados nas margens do curso d’água.

Para o prefeito de Ponte Nova, Guto Malta, essas empreitadas têm sido possíveis graças ao diálogo positivo entre a administração municipal e o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Atualmente, a Prefeitura conta com o trabalho contínuo de cerca de 50 detentos na limpeza e jardinagem de espaços públicos.

 “Para o município é muito importante contribuir com este processo de ressocialização dos detentos. O trabalho é uma forma de prestação de contas com a sociedade”, diz o prefeito.