Divulgação de informações é foco da luta contra Hanseníase
Entre 24 e 31 de janeiro, comemora-se a Semana Mundial de Combate à Hanseníase, com uma intensa divulgação dos sinais e dos sintomas. A Secretaria de Estado de Saúde adota medidas para combater a doença, como o diagnostico e o tratamento o mais precocemente possível.
BELO HORIZONTE (26/01/09) - A Secretaria de Estado de Saúde (SES) adota medidas para o combate à Hanseníase em Minas Gerais. Entre os dias 24 e 31 de janeiro, comemora-se a Semana Mundial de Combate à doença, quando há uma intensa divulgação dos sinais e dos sintomas. Diagnosticar e tratar o mais precocemente possível os portadores, com atenção especial aos casos ocorridos em crianças, são estratégias da SES.
A hanseníase é uma das prioridades de ação na área de saúde do governo brasileiro há alguns anos. Nos últimos 5 anos, o Estado de Minas Gerais vem diagnosticando entre 2 mil e 3 mil casos novos a cada ano. Em 2007, foram diagnosticados 2.235 novos casos da doença, e os dados preliminares de 2008 mostram 1.719 casos novos notificados até o momento. Destes, cerca de 10% já apresentavam algum tipo de deformidade, ou seja, o diagnóstico foi feito tardiamente.
Qualquer mancha na pele ou área aparentemente normal, mas com alteração de sensibilidade, pode ser hanseníase. Neste caso, o paciente deve ser encaminhado a uma unidade de saúde pública para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento. A divulgação dos sinais e sintomas e do tratamento e cura são importantes armas no combate à doença. Quando a população conhece melhor o que é a hanseníase, o diagnóstico é feito mais precocemente.
Segundo Ana Regina Coelho de Andrade, coordenadora estadual de dermatologia sanitária, a hanseníase é a doença contagiosa com o menor índice de adoecimento e cerca de 70% dos novos casos diagnosticados são formas não infectantes. “Entre 90% e 95% da população têm boa resistência contra a doença. O mais importante é levar a informação para o maior número possível de pessoas para que tenham consciência de que manchas vermelhas ou brancas na pele podem ser hanseníase e o médico deve ser procurado, pois a hanseníase tem cura e quanto mais rápido o diagnóstico menor a possibilidade de se desenvolver seqüelas”, explicou.
Ações de divulgação no Estado
A data é uma oportunidade para que a população saiba mais sobre a doença e estão previstas ações em vários municípios mineiros. Em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), intervenções teatrais durante todo o mês de janeiro, em unidades de saúde do município, vêm apresentando peças que ensinam a evitar e a lidar com a hanseníase. A equipe utiliza a metodologia do Teatro do Oprimido, na qual um problema real é apresentado como espetáculo teatral. A pretensão é abordar a doença de uma forma lúdica, contribuindo para combater o preconceito e informar a população sobre o assunto.
Os usuários assistem à peça enquanto aguardam atendimento. No desenrolar da trama, são convidados a realizar uma intervenção a fim de tentar solucionar os problemas dos personagens. Em seguida, através da improvisação, o público ajuda a apresentar alternativas que modificam o rumo dos acontecimentos e transforma a realidade do personagem.
Maria Terezinha Mendes participou da peça “E agora, Maria?” enquanto aguardava atendimento. Ela conta que gostou bastante da apresentação e da sua atuação. “Tudo foi mostrado de uma forma simples e engraçada. Assim fica mais fácil aprender”, avalia. A história relata a luta de uma empregada doméstica e do seu marido, Lázaro, que contraiu hanseníase e busca informações e tratamento em uma UBS. Maria sofre preconceitos e resistência por parte de sua patroa ao contar sobre a doença.
Já em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, serão distribuídos folder, palavras cruzadas, caça palavras e, além disso, será asfixiado nas unidades de saúde um jornal moral com informações sobre a doença.
Montes Claros, no Norte de Minas, preparou ações educativas como distribuições de folder, palestras em escolas para orientar as pessoas a procurarem os serviços de saúde assim que perceberem os primeiros sintomas da doença, evitando que a enfermidade se agrave.
Para a referência técnica em Hanseníase da GRS Montes Claros, Maria dos Passos, o preconceito em relação à doença e a desinformação da população ainda são barreiras que impedem a detecção precoce dos casos existentes. “Precisamos fortalecer os canais de comunicação e fazer chegar à população as informações que todos nós precisamos saber sobre a Hanseníase. A falta de informação é, para nós, um dos maiores problemas a ser enfrentados”, afirmou.
A doença
A Hanseníase é uma doença infecciosa, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. De evolução crônica, ela afeta a pele e os nervos periféricos, em especial os dos braços e das pernas. Se tratada precocemente e de forma adequada, ela tem cura e não deixa seqüelas.
A doença aparece no panorama nacional como um importante problema de saúde pública. Por isso, exige medidas de controle que devem ser compartilhadas por todos os profissionais de saúde em todos os níveis de atenção. Para isto, é importante o reconhecimento dos sinais e sintomas iniciais, para um diagnóstico precoce e tratamento adequado, visando principalmente a eliminação de fontes de contagio e prevenção de incapacidades que são, na grande maioria das vezes, evitáveis. O contágio pela hanseníase se dá por meio do convívio íntimo e prolongado com os portadores da forma contagiosa da doença, sem tratamento. O período de incubação da doença é de três a sete anos.
Os primeiros sintomas são: manchas brancas e vermelhas, com alteração de sensibilidade ou dormentes, e que podem surgir em qualquer parte do corpo. Os casos de diagnóstico tardio podem, além das manchas, apresentar acometimento de nervos periféricos e, portanto, tem um risco maior de apresentar incapacidades e deformidades nos olhos, mãos e pés.
O diagnóstico precoce, além de diminuir o tempo de tratamento, reduz o risco de contágio e o desenvolvimento de incapacidades e deformidades. O tratamento e feito em ambulatórios, com medicamentos orais, e dura de seis a 12 meses. Não há necessidade de isolamento dos pacientes. Os medicamentos são distribuídos gratuitamente nos Centros de Saúde e pelo Programa Saúde da Família.
Para os pacientes com deformidade instalada há necessidade de atendimento de reabilitação de média e alta complexidade. Nesses casos a SES tem utilizado a rede de reabilitação física existente no Estado, numa ação conjunta da Coordenadoria de Dermatologia Sanitária, da Coordenadoria de Atenção à Pessoa Portadora de Deficiência e a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais.