Eficiência energética é implantada em comunidades carentes de Minas
Projeto Conviver, da Cemig, está implementando ações de eficiência energética entre moradores de comunidades carentes, com o objetivo de orientar os consumidores sobre a forma mais eficiente e segura de utilização da energia e lhes proporcionar o acesso desonerado a materiais.
BELO HORIZONTE (22/06/07) - O Projeto Conviver, da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), está implementando ações de eficiência energética entre moradores de comunidades carentes, com o objetivo de orientar os consumidores sobre a forma mais eficiente e segura de utilização da energia elétrica e lhes proporcionar o acesso desonerado a equipamentos e materiais, cujo uso regular, em condições adequadas, propicia eficácia e redução no consumo, em médio prazo. Apenas em 2007, a Cemig vai aplicar R$ 21,5 milhões na operacionalização do Conviver.
A ação, desenvolvida em contato direto com os participantes, baseia-se na instalação, em residências necessitadas, de um kit contendo lâmpadas fluorescentes compactas, recuperador de calor e chuveiro elétrico compatível, fiação, interruptores e receptáculos, além de refrigeradores eficientes em substituição a aparelhos obsoletos responsáveis por consumo excessivo de eletricidade. A economia da energia relativa à utilização do chuveiro elétrico pode chegar a 50%, se considerarmos apenas o uso do item recuperador de calor, que é um produto ecológico, recicla o calor da água do banho e confere melhor performance ao chuveiro, cuja eficácia foi testada pela Cemig e pela Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas).
O ator principal do trabalho junto aos moradores é o agente de relacionamento comunitário, representante da empresa recrutado nas próprias comunidades atendidas. Capacitado e treinado pela Cemig, que supervisiona suas ações com o apoio da ONG Cooperação para o Desenvolvimento e Morada Humana (CDM), o Agente Conviver, além de orientar os consumidores sobre as melhores práticas, contribui para a solução de problemas como risco de acidentes, ameaças e agressões contra eletricistas, ocorrências no sistema elétrico devido a sobrecargas, desequilíbrios e invasões de faixas de segurança.
Ações no primeiro semestre
De acordo com Henrique Fernando França Costa, engenheiro da Cemig e coordenador do Projeto Conviver, de janeiro a junho deste ano já foram atendidos cinco aglomerados da Região Metropolitana de Belo Horizonte, perfazendo 25 mil moradias beneficiadas, de um total de 52 mil previstas para atendimento até o final do ano. Segundo ele, o Conviver está inserido no Programa de Eficiência Energética da Cemig Distribuição, ciclo 2005/2006, desenvolvido mediante a aplicação de 0,5% da Receita Operacional Líquida da Cemig, conforme determina a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Henrique Costa revela ainda dados do Conviver que assinalam a existência de 252 mil residências em comunidades carentes na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), com 196 mil cadastradas na Cemig, sendo que 45 mil dessas se encontram desligadas por inadimplência ou a pedido do morador. Esses números, observa o coordenador, nos levam ao montante de 56 mil residências com possível consumo clandestino de energia. Com a grande probabilidade de aqueles 45 mil desligados estarem usando energia também de forma clandestina, o total de residências irregulares pode chegar a 100 mil, estima ele.
Localidades
Ao todo, o Projeto Conviver vai beneficiar moradores de Betim, Contagem, Ibirité, Ribeirão das Neves, Sabará e Santa Luzia, além da capital, localidades que apresentam grande incidência de comunidades de carentes e onde a Cemig enfrenta dificuldades de acesso para a prestação de serviços até mesmo rotineiros.
Ao final de cinco anos, com a conclusão do atendimento às 252 mil residências – meta traçada – e a utilização dos kits e de novas tecnologias, a Cemig espera contabilizar redução nos índices de perdas não técnicas, aumentar sua integração com a comunidade, melhorar a prestação de serviços, reduzir a inadimplência, o número de ligações clandestinas e o consumo irregular de energia elétrica.
Além disso, o Projeto Conviver também contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera, e sua viabilização considera a emissão e comercialização de créditos de carbono pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC), estabelecida pelo Protocolo de Kyoto.