Em entrevista ao programa Roda Viva, Anastasia defende “mutirão contra a criminalidade”
Além de expor suas ideias sobre temas como segurança pública, manifestações populares e pacto federativo, governador destacou os legados de sua gestão

Em entrevista ao programa Roda Viva na noite da última segunda-feira (10), o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, defendeu a união de esforços do governo federal, dos estados, dos municípios e da sociedade em um mutirão para o combate à violência no país. “Não basta apenas o recurso financeiro. É preciso fazer um pacto muito maior, um esforço coletivo, do governo federal, dos estados, dos municípios e da sociedade em um verdadeiro mutirão contra a criminalidade”, afirmou.
Questionado sobre o avanço da criminalidade em Minas, o governador de Minas lembrou que o Estado ainda é o quarto menos violento do país e ressaltou que o aumento da violência é um fenômeno que ocorre em todo o Brasil. “Temos trabalhado para reverter esse quadro, que tem se agravado sobretudo devido à questão das drogas. Minas foi o Estado que mais investiu em segurança pública em relação ao seu orçamento nos últimos anos. Mas ainda há muito que melhorar e temos que fazer este esforço”, disse.
Durante a entrevista, que foi transmitida ao vivo pela TV Cultura para todo o país, Anastasia falou sobre a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Ilídio Andrade, atingido por um rojão durante manifestações na quinta-feira (6), no Rio de Janeiro. “Queria registrar minha solidariedade à família de Santiago. Foi um crime gravíssimo. É preciso não só punir os autores, mas evitar que um ato tão triste como este se repita”, lamentou Anastasia.
Para o governador mineiro, é preciso definir a ação exata que a polícia deve ter durante as manifestações populares. “Não podemos coibir as manifestações, pois elas são legítimas, próprias da democracia. Mas devem ser pacíficas, ordeiras, de acordo com a norma de conduta da sociedade. Não podemos tolerar a violência, o crime, o excesso, o que vimos acontecer nos últimos meses. As polícias têm um treinamento e precisam agir de maneira cirúrgica. O ponto de equilíbrio exato é o que temos que precisar”, declarou.
Segundo Anastasia, desde as manifestações de junho do ano passado, o Governo de Minas está fazendo um trabalho preventivo de inteligência. “É preciso distinguir os manifestantes pacíficos daqueles líderes de facções que têm o objetivo de cometer crimes. Estamos qualificando nossa polícia para que ela garanta a segurança aos manifestantes que queiram se colocar legitimamente. É um trabalho delicado, mas que a polícia tem que fazer: distinguir esses dois grupos”, defendeu.
Avanços nas políticas públicas de Minas
Ainda durante a entrevista ao Roda Viva, o governador Antonio Anastasia destacou a melhoria na gestão das políticas públicas e os bons resultados alcançados pelo estado na área de educação como os principais legados da atual administração estadual em Minas Gerais. “Por meio de metas, resultados, estímulo à meritocracia e busca da eficiência, buscamos que a máquina pública funcione melhor, como um pressuposto da melhoria do funcionamento de todo o Estado”, ressaltou.
De acordo com Anastasia, a diminuição das desigualdades regionais foi outro resultado importante obtido em Minas nos últimos anos, mas a conquista mais importante se deu na área da educação. “Minas tem o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, apesar de ser um estado grande, muito populoso. Portanto, estar à frente de São Paulo, Rio e do Distrito Federal – muito mais ricos, com renda per capita muito maior – é algo que nos orgulha muito, um legado fundamental para o futuro do estado”, destacou.
Outro bom resultado da atual gestão, segundo Anastasia, é a modificação estratégica do perfil econômico do estado. “A economia mineira ainda está fortemente ancorada em commodities, mas, nos últimos anos, fizemos um esforço imenso e conseguimos modificar o perfil econômico do estado, com a atração de empresas de alta tecnologia, sobretudo nas áreas de semicondutores, ciências da saúde, defesa, aeronáutica e alimentação”, ressaltou.
Necessidade de revisão do pacto federativo
O governador mineiro lembrou, ainda, as medidas de cautela adotadas pelo Governo do Estado mineiro para se precaver contra o agravamento da situação financeira do Brasil observado nos últimos anos. “No ano passado, adotamos uma posição conservadora, reduzindo estruturas do estado, cargos em comissão, número de secretarias e automóveis oficiais”, destacou. Por outro lado, segundo ele, o Estado foi impactado pela redução ou não liberação de recursos do Governo Federal que estavam previstos no orçamento, que somaram cerca de R$ 1,7 bilhão. “Temos uma situação de normalidade, mas sem folga. Estamos esperando que haja, em 2014, uma recuperação econômica do país para que a receita cresça”, afirmou.
Ainda durante o Roda Viva, Anastasia defendeu a revisão do pacto federativo brasileiro e desconcentração administrativa. “Os grandes projetos de infraestrutura, conduzidos pelo Governo Federal, caminham em uma lentidão exagerada. Falta eficiência. É preciso que haja uma melhoria do sistema de gestão e uma descentralização maior, atribuindo mais responsabilidade aos estados, com mais recursos. No modelo atual de concentração absurda, estados e municípios não têm condições de sobreviver”, concluiu.