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Emater-MG garante próximas edições do prêmio de criatividade rural

Segunda-feira | 26/06/2006 | 18:49·Atualizado em 09/06/2013 | 23:17
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BELO HORIZONTE (26/06/06) – As próximas edições do Prêmio Emater-MG de Criatividade Rural já estão garantidas. O anúncio foi feito hoje pelo secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marco Antonio Rodrigues da Cunha, e o presidente da Emater-MG, José Silva, durante solenidade de premiação dos três primeiros colocados na primeira edição do concurso. "O prêmio veio para ficar. Afinal, a criatividade é a solução para a maior parte dos problemas", afirmou o secretário. Ele destacou a ênfase dada pela comissão julgadora dos projetos à conservação ambiental e estimulou as demais entidades do sistema Seapa (IMA, Epamig e Ruralminas) a darem ainda maior apoio à iniciativa. "É um dos nossos focos de atuação eximir o campo da agressividade dos agrotóxicos. Então, devemos sempre valorizar e difundir técnicas que melhorem a produção, sem agredir o meio-ambiente", afirmou.

O presidente da Emater-MG, José Silva, adiantou que a segunda edição do prêmio também contará com a parceria do Banco do Brasil. "A história da extensão rural e a do Banco do Brasil se confundem em Minas Gerais", disse, ao agradecer o apoio. "Abraçamos a causa de imediato, por compreender o quanto a iniciativa estimula os produtores a encontrar inovações para melhorar o sistema de produção, para que o agronegócio mineiro ocupe o lugar de destaque que merece", ressaltou o gerente de agronegócio do banco, Carlos Geovane Rodrigues Queiróz.

O coordenador do prêmio, Waldyr Pascoal Filho, destacou a relevância dos integrantes da comissão julgadora e os critérios envolvidos no julgamento dos projetos. "A avaliação levou em conta vários fatores, como o grau de inovação técnica, os impactos econômicos, ambientais e sociais, além da capacidade de agregação de valor e sustentabilidade dos inventos", citou. "Todos os participantes são merecedores de reconhecimento e de aplauso e esperamos que, no próximo prêmio, tenhamos uma abrangência ainda maior de produtores inscritos", afirmou o coordenador da Emater-MG.

Reconhecer e valorizar projetos simples e úteis que, além de ambientalmente corretos, são produzidos com baixo custo. Estes são os objetivos do Prêmio Emater de Criatividade Rural, uma iniciativa da Emater–MG, em parceria com o Banco do Brasil. Em sua primeira edição, o prêmio recebeu ao todo 43 projetos, dos quais 33 cumpriram as exigências do edital e foram julgados por uma comissão em abril deste ano. A comissão foi composta de representantes da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Secretaria Estadual de Agricultura, Banco do Brasil, Fundação Rural Mineira (Ruralminas), Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg) e Rádio CBN/Sistema Globo de Comunicação.

Pioneiro entre as Emateres do Brasil, o prêmio mostrou a criatividade escondida em pequenas propriedades rurais que sobrevivem em meio a tantas carências. Para o presidente da Emater, José Silva, esta é uma maneira que o Governo de Minas, por meio da Emater-MG, encontrou para premiar o agricultor pela sagacidade em adaptar sua situação para melhorar o rendimento da produção e a sua vida no campo.

Premiados

1º lugar

Projeto: Armadilha para controle da mosca-dos-chifres

Autor: José Alves de Lima, do município de Carneirinho (Triângulo Mineiro)

Técnico responsável: Alexandre Luiz Neves (Emater-MG de Carneirinho)

A invenção: Observando que as moscas se locomovem em busca de luz, e que isoladas em um ambiente com pouco ar e sem o sangue do gado para se alimentar o inseto morre em cerca de três horas, o produtor desenvolveu um equipamento que mais se parece com um túnel de madeira todo preto, pelo qual o gado passa.

No teto do mecanismo ficam penduradas tiras de borracha que "escovam" o dorso do animal, espantando as moscas. Elas voam em direção à luz das janelas, fechadas com plástico, onde ficam presas e morrem. José Alves utilizou algumas ripas de madeira, telha, plástico e pedaços de borracha provenientes de câmaras de pneus, para montar o equipamento.

Ao livrar os animais das dolorosas mordidas dos insetos, o equipamento evita a perda de até 40% da produção de carne e leite. "E o principal, posso oferecer carne e leite sem agrotóxicos para os consumidores. Há cinco anos, desde que comecei a usar a armadilha, não uso mais veneno para combater as moscas", afirmou o produtor, que economiza entre R$ 900 e R$ 1 mil ao ano, com o fato de não usar mais agrotóxicos. Ele conta que a primeira armadilha foi feita com materiais já disponíveis na propriedade, mas calcula em R$ 600 o custo de uma nova. Em cinco anos de utilização, ele já ajudou a instalar outras 60 armadilhas em fazendas vizinhas, no Triângulo Mineiro.

A mosca-dos-chifres é uma praga que se alimenta do sangue de bovinos e sua picada dolorosa causa irritação no animal, que passa a comer menos e, em conseqüência, perde peso e produz menos leite.

Em 2º lugar

Projeto: Taquara Chinesa

Autor: Luiz Gabriel Borges, de Estiva (Sul)

Técnica responsável: Flávia Maia Gonçalves (Emater-MG de Estiva).

A invenção: Trata-se de uma estrutura de bambu (taquara chinesa), suspensa, de 200 metros quadrados, à qual são presos tubetes feitos de lona e costurados à mão, que evitam o contato das mudas de morango com o solo, reduzindo em até 50% a necessidade de uso de agrotóxicos. A estrutura também elimina as chances do chamado "vermelhão", doença causada por fungos, que torna o morango impróprio para consumo e se alastra facilmente entre as mudas.

"A invenção é criativa e eficiente. E o custo também é muito baixo, embora seja trabalhoso. A economia total, em relação à produção tradicional, em tubetes, é de cerca de 90%", afirmou a engenheira agrônoma Flávia. Para montar a estrutura, o produtor de Estiva gastou cerca de R$ 900.

3º lugar

Projeto: Espeto de Bambu para Churrasco

Autor: Vonge da Silva, de Uberlândia

Técnico responsável: Itagiba Nogueira de Oliveira

A invenção: O produtor montou uma "fábrica" de espetinhos, usando apenas peças recicladas e materiais disponíveis em sua propriedade. Apelidada de palitadeira, a máquina produz de oito a 10 mil espetos por dia, com o bambu que também vem da propriedade de Vonge. O produto abastece os bares e comércio da cidade.

Vonge da Silva é um típico agricultor familiar, que tira seu sustento de pecuária de leite, suínos e aves. Mas na sua propriedade, em Uberlândia, ele criou uma engenhosa máquina para transformar o bambu que cresce à vontade em espetos de churrasco.

Resultado: fatura R$ 80 por dia (ou R$ 2.400,00 em um mês) e não dá conta de todas as encomendas. E tudo isso apenas aproveitando a matéria-prima já disponível e reciclando peças sem uso, que ficavam largadas no terreiro. Para dar o formato cilíndrico às lascas de bambu, é usada uma máquina feita de bico injetor de uma antiga bomba a diesel. Depois, os espetos são polidos num latão forrado de lixa, que é acoplado a uma roda de bicicleta e a um motor de "tanquinho de lavar roupas". Pronto, agora é embalar e vender!

"Ele é um exemplo para muitos pequenos agricultores que, com poucos recursos e muitas vezes aproveitando materiais usados, podem fazer máquinas e equipamentos para melhorar seu dia-a-dia e até aumentar a renda da família", afirmou Itagiba Nogueira de Oliveira, da Emater-MG de Uberlândia.

Agência Minas

Telefone: (31) 3250-7116

e-mail: imprensasecom@governo.mg.gov.br