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Emater-MG incentiva troca de experiências entre produtoras rurais

Quinta-feira | 10/04/2008 | 18:52·Atualizado em 27/06/2013 | 05:46
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GOVERNADOR VALADARES (10/04/08) – Em busca de uma referência positiva para implantar uma padaria comunitária, agricultoras familiares do município de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, visitaram a agroindústria de biscoitos da marca Produtos da Nossa Terra, na comunidade do Bugre, no município de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. Lá, elas puderam conferir como um grupo de mulheres rurais consegue, além da renda de R$ 450 reais mensais por família, resgatar a cultura local, com o trabalho coletivo.

A inauguração da padaria em Capelinha está prevista para setembro. Enquanto isso, as produtoras estão em fase de capacitação, orientadas pela equipe local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).

"Além dos cursos eram necessários exemplos de trabalho coletivo e também idéias sobre as formas de escoamento da produção. Então resolvemos visitar alguns locais que começaram com a ajuda de programas do Governo e hoje já geram renda para as famílias rurais", explicou a extensionista da Emater-MG Nágila Salman Pimenta. Além da agroindústria em Valadares, as produtoras rurais visitaram, em Diamantina, um grupo que trabalha com artesanato e produção de polvilho.

A idéia de montar a padaria surgiu por iniciativa do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável, que enxergou na tradição culinária das mulheres rurais de Capelinha uma boa oportunidade de aumentar a renda local e solicitou à Emater-MG a elaboração do projeto, necessário para pleitear recursos do Programa Minas Sem Fome, do Governo de Minas.

A padaria comunitária vai gerar trabalho e renda para cerca de 20 famílias, que moram em uma comunidade rural a 30 quilômetros da sede do município. Outras 35 famílias também estão envolvidas indiretamente no projeto. A parceria com uma empresa de reflorestamento vai permitir a implantação de uma fábrica de farinha e polvilho, que será fornecedora de matéria-prima para a padaria.

Para os integrantes do grupo, o projeto é a realização de um sonho. "Agora vou ter um local com boa estrutura para fazer pães, doces e salgados, atividade que eu exerço há muito tempo", disse Maria Fani Martins Cordeiro.

Atualmente, a maior parte dos agricultores de Capelinha vive da cafeicultura. Na entressafra, que dura seis meses, a opção para manter a renda das famílias é migrar para o Estado de São Paulo, em busca de trabalho no corte de cana. "O objetivo do nosso trabalho é justamente fixar os agricultores familiares na zona rural por meio de um projeto sustentável de geração de emprego e renda", ressaltou Nágila Salman Pimenta, extensionista da Emater-MG em Capelinha.

Exemplo de organização

Depois de quase 11 anos de dedicação e trabalho, as produtoras de Governador Valadares agora comemoram a oportunidade de fornecer parte da merenda escolar do município, conquistada por licitação pública. O desafio é fornecer mensalmente 1,6 mil quilos de doce de banana e 1,4 mil quilos de rosquinhas. Além das escolas municipais, elas têm como clientes ainda o comércio local, penitenciárias e hospitais da região.

Durante a visita à agroindústria de Governador Valadares, as produtoras do Jequitinhonha ficaram impressionadas ao ver a organização e motivação com que as colegas trabalham para preparar as rosquinhas. "Eu me sinto realizada ao ver que o nosso trabalho serve de exemplo para outras pessoas", disse Ilma Aparecida Rosa dos Santos, da Produtos da Nossa Terra.