Emater-MG orienta produtores a investir em inseminação
BERTÓPOLIS (20/05/09) - Desde 2006, pequenos produtores da comunidade de Água Vermelha, município de Bertópolis, no Vale do Mucuri, participam do projeto de Inseminação Comunitária de Rebanhos. A iniciativa visa fortalecer a cadeia produtiva do leite. Para os pequenos produtores, essa é uma oportunidade de melhorar geneticamente o rebanho e aumentar a produção leiteira.
Os recursos para a viabilização do projeto são do programa Territórios da Cidadania, do governo federal. O projeto de Inseminação Comunitária de Rebanhos funciona da seguinte maneira: os produtores participam de cursos de inseminação oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MG), com o acompanhamento e orientação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Depois de capacitados, eles compram doses de sêmen de touros com alto padrão genético, que ficam armazenados até a época da inseminação artificial. O processo é todo feito pelos produtores.
A Associação dos Pequenos Proprietários de Água Vermelha é uma das entidades beneficiadas com o projeto. Isso foi possível devido ao apoio da Emater-MG, Senar-MG, prefeitura e Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável (CMDRS).
Seis famílias participam diretamente do projeto de inseminação artificial. As outras 16 associadas também atuam na iniciativa, porém, não trabalham diretamente com a técnica de reprodução, dedicando-se a outras ações do projeto, voltadas para a qualidade e comercialização do leite. O bujão para conservar as doses de sêmen foi doado à associação pela prefeitura.
Qualidade genética
Entre 2006 e 2007, 60 vacas foram inseminadas, resultando no nascimento de 22 bezerros e 38 bezerras. Do ano passado até agora, mais 32 vacas foram submetidas à técnica. “Para os produtores é visível a melhoria na qualidade genética dos animais, o que aumenta a expectativa de melhorar a produtividade leiteira e a renda das famílias envolvidas”, destaca o extensionista da Emater-MG, Francisco da Silva.
É o que espera também, o presidente da Associação dos Pequenos Proprietários de Água Vermelha, Teodomiro Alves Ferreira. Segundo ele, no município de Bertópolis, a produção média de leite por vaca é de cinco litros. A expectativa é dobrar a produção por animal. “Nós acreditamos que isso é possível com esse projeto de inseminação, que nos permite melhorar a qualidade genética do nosso gado”, diz.
Outro ponto importante do projeto é a valorização do rebanho dos produtores de Bertópolis. De acordo com o extensionista da Emater-MG, Francisco da Silva, um bezerro melhorado geneticamente é vendido por um preço melhor. Segundo ele, cerca de 50% a mais do valor de um novilho de genética inferior.
Além da inseminação artificial, o projeto de Inseminação Comunitária de Rebanhos orienta os produtores sobre outras técnicas. O extensionista da Emater-MG explica que, para se obter bons resultados, a inseminação artificial deve ser feita em conjunto com outras ações, como, por exemplo, o uso da silagem e o pastejo rotacionado. “O pastejo rotacionado é uma maneira de aproveitar melhor a área da propriedade, colocando-se mais animais em uma quantidade de pasto onde antes ficava apenas um”, ensina o técnico.
Duas unidades demonstrativas foram implantadas no município para orientar os produtores. “A tendência é melhorar cada vez mais a genética do rebanho do município. Para isso, pretendemos expandir as capacitações para todos os produtores da associação e de outras comunidades”, garante o técnico local da Emater-MG de Bertópolis.