Emoção dá o tom do “Desfile Rosa” realizado no Hospital Alberto Cavalcanti
BELO HORIZONTE (06/10/11) - O Hospital Alberto Cavalcanti, da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), promoveu nesta quinta-feira (6) o “Desfile Rosa” em comemoração ao “Outubro Rosa” para o combate ao câncer de mama. Na passarela, oito mulheres, oito histórias diferentes e um fio condutor em comum: a mastectomia.
A emoção pontuou cada gesto, cada sorriso e cada passo das oito “modelos” ao longo da passarela. Diante de uma plateia sensibilizada, as pacientes e ex-pacientes do hospital (com idades entre 35 e 84 anos) mostraram a todos os presentes que a vontade de viver é o melhor remédio para combater o câncer. Se antes a dor transfigurou seus corpos, hoje é a alegria da superação que as motiva para seguirem em frente, agindo como exemplo para aquelas que vivem a experiência do diagnóstico positivo.
Por mais traumática que possa ser a retirada da mama, é importante que as mulheres percebam que o que elas perderam não é insubstituível, uma vez que é possível a reconstrução, assim como o uso de próteses. Apesar das dificuldades iniciais, as oito “modelos” que participaram do evento fizeram questão de mostrar que valorizam o fato de permanecerem vivas.
O presidente da Fhemig, Antônio Carlos de Barros Martins, ressaltou que o Hospital Alberto Cavalcanti representa um papel fundamental no combate ao câncer. “A cada dia que passa, a Fhemig nos surpreende com os avanços alcançados ao longo de sua história”. Ele destacou a vitalidade e capacidade de superação das oito mulheres que desfilaram.
Por sua vez, a diretora do HAC, Dalze Lohner, afirmou que um evento como o “Desfile Rosa” permite a toda a comunidade de profissionais do hospital renovarem o sentido do trabalho realizado cotidianamente. “Para nós, cada paciente que supera a doença representa uma dupla vitória: a do doente que se restabelece e a da assistência que se consolida”, pontuou.
Representando o secretário de Estado de Saúde, a chefe de gabinete Marta Sousa Lima salientou que a SES busca assegurar às mulheres de 45 a 69 anos o direito de realizarem a mamografia. “Somos todos parceiros nesta caminhada”, lembrou.
Superação
A aposentada Efigênia Coelho, de 84 anos, é um exemplo da força dessas mulheres. Ela nunca havia se submetido a uma mamografia, até março de 2010, quando, durante uma consulta em um posto de saúde, o clínico solicitou o exame. O resultado revelou a presença de um nódulo que, após biópsia, foi diagnosticado como câncer de mama em estágio avançado. Em decorrência do quadro, em menos de um mês, a aposentada foi submetida a uma cirurgia para a retirada do seio esquerdo, realizada no Hospital Alberto Cavalcanti.
“Nunca achamos que uma coisa dessas vai acontecer com a gente. Chorei muito quando soube da doença e, então, pedi a São José e a Nossa Senhora Aparecida que me dessem forças para seguir em frente. Daquele dia em diante, não chorei mais. Hoje levo uma vida normal”, ressalta a aposentada.
Para as mulheres que estão enfrentando o problema, Efigênia ensina que o segredo é não desanimar e manter a fé. “Não podemos nos entregar, senão a doença toma conta. Mantenho a rotina que tinha antes da doença. No Natal do ano passado, oito meses depois da mastectomia, eu pintei a minha casa, sozinha”, revela.
O diagnóstico foi o mesmo para a manicure Saíla de Assis, de 35 anos de idade. No entanto, ao contrário de dona Efigênia, Saíla sempre cultivou o hábito de consultar-se, anualmente, com um ginecologista. Na mamografia realizada em agosto do ano passado, foi detectado um nódulo que se revelou maligno após a realização da biópsia. “No início foi difícil, principalmente por causa da quimioterapia. Mas depois da retirada da mama, eu não tive aquela coisa de me olhar no espelho e me achar feia. No meu caso, logo após a mastectomia, foi feita a reconstrução do seio. Tenho levado uma vida normal”, ressalta a manicure.
A escritora, poetisa e editora, Tânia Diniz também viveu o drama de ter confirmada a doença. “Eu, simplesmente, olhei para a cara da morte e disse: agora não”. Além do apoio incondicional da família e dos amigos, Tânia revela que encontrou forças para enfrentar o câncer graças à arte. “Nos momentos em que me sentia mais fraca, recorria aos meus poemas”.