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Equipe do Iepha participa de curso de educação patrimonial

Segunda-feira | 24/08/2009 | 17:38·Atualizado em 21/06/2013 | 22:37
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BELO HORIZONTE (24/08/09) - Tratar as ações educativas culturais a partir de uma perspectiva mais humanizada e envolvente para criar laços de valorização cada vez mais palpáveis entre as comunidades e seu patrimônio histórico. A proposta resume parte das idéias do historiador André Luís Ramos Soares apresentadas, entre os dias 18 e 21 de agosto, em um curso de educação patrimonial especialmente voltado aos servidores do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG), instituição do Sistema Estadual de Cultura.

O tema faz parte do cotidiano profissional dos funcionários do Iepha e o desafio proposto por Soares foi o despertar de um novo olhar, neste caso mais focado nas pessoas e comunidades. Coordenador do Núcleo de Estudos do Patrimônio e Memória da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/ RS), André Luís Ramos, acredita que a abordagem do patrimônio, de forma geral, tem recebido um tratamento muito verticalizado, onde apenas o edificado é que tem importância e é considerado patrimônio. Para o pesquisador, o trabalho educativo deve antes começar pela valorização dos indivíduos. “Precisamos criar nas pessoas a consciência de seu valor, elevar sua autoestima e torná-las capazes de valorizar sua identidade, para que possam então dar valor a seu entorno e eleger, elas mesmas, seus bens valiosos. O patrimônio começa dentro de cada um”, disse.

André Luís Soares destacou ainda a importância de se trabalhar a educação patrimonial de forma mais atrativa, já que uma das maiores dificuldades é desvincular do aprendizado o seu caráter punitivo. Assim, a chave poderia estar em conteúdos tratados de forma mais lúdica e agradável e por canais diferenciados (como jogos, cartilhas ou projetos musicais) para cada um dos públicos específicos que se pretende atingir. “O aprendizado real, com a ideia sendo de fato incorporada, só acontece se você envolve o indivíduo e consegue fazer com que as pessoas se reconheçam em seu patrimônio e identifiquem nele seu universo, sua vivência. E isso é um trabalho a médio e longo prazo, até as pessoas internalizarem para então caminhar com suas próprias pernas”, ressaltou.

Intercâmbio

De acordo com o historiador da Diretoria de Promoção do Iepha, Pedro Gaeta Neto, trazer alguém para falar sobre educação patrimonial a profissionais que lidam com isso em seu dia-a-dia é reflexo de uma preocupação da instituição em buscar aprimoramento e evitar que suas ações fiquem engessadas sempre nos mesmos moldes.

Pedro explica que a educação patrimonial é uma interface ainda muito recente no Brasil (com pouco mais de 25 anos) e, a partir das experiências e resultados de projetos e oficinas em todo o país, tanto a metodologia quanto os produtos educativos têm ganhado valiosos acréscimos. E destaca: “Saber o que outros polos de referência estão aprendendo e construindo é algo muito importante até para sabermos em que pé estamos e como podemos inovar ou ter alternativas. Assim como o Iepha, o André Luís Soares também extrapola a pesquisa acadêmica e vivencia os resultados trabalhando direto com as comunidades. É nisso que estamos interessados, em trabalhar a questão do patrimônio contribuindo de fato para a qualidade de vida das pessoas”, finalizou Gaeta.