Estado alerta para doenças causadas pelas enchentes
A Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) alerta para o perigo que o excesso de chuvas representa para a saúde das pessoas. Durante enchentes e alagamentos, a população fica mais exposta à leptospirose, hepatite, diarréias e cólera, as chamadas doenças de veiculação hídrica.
BELO HORIZONTE (26/12/06) – O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES/MG), alerta para o perigo que o excesso de chuvas representa para a saúde das pessoas. Nesta época do ano, a secretaria desenvolve diversas ações de prevenção e assistência para os moradores das áreas de risco atingidas por enchentes. “A SES/MG distribui folderes educativos, nos quais informa sobre os riscos do acúmulo de lixo, além de destacar a importância da limpeza da caixa de água e dos alimentos”, afirma Cristiana Ferreira Jardim de Miranda, diretora de Vigilância Ambiental da SES/MG.
Este é um trabalho de prevenção e conscientização. Nas localidades atingidas por enchentes outras providências devem ser tomadas. “A primeira ação da SES nestes casos é observar se o abastecimento de água foi interrompido para que haja a distribuição de Hipoclorito de Sódio. Observamos também possíveis focos de dengue e a existência de vetores de outras doenças”, ressalta a diretora de Vigilância Ambiental da SES/MG.
Doenças
Durante enchentes e alagamentos, a população fica mais exposta à leptospirose, hepatite, diarréias e cólera, as chamadas doenças de veiculação hídrica (transmissão através de água contaminada por vírus, bactérias e outros agentes infecciosos). A leptospirose é transmitida por meio da água contaminada pela urina de ratos. O maior perigo está na limpeza e desinfecção de casas, utensílios, caixas d’água, móveis, já que a pele em contato prolongado com a água facilita a penetração da bactéria causadora da doença, que pode levar à morte.
Entre as hepatites (inflamação no fígado), especialmente a do tipo A também ocorre em episódios de enchentes e alagamentos. É uma doença virótica, de transmissão oral-fecal, que atinge as pessoas pelos alimentos, água e utensílios contaminados. As diarréias podem ser causadas pela água contaminada por vírus, parasitas e/ou bactérias. A água contaminada pelo vibrião colérico provoca cólera, uma forma gravíssima de diarréia. Em Minas Gerais não há registro de caso de cólera desde a década passada.
Medidas simples
Os sintomas de todas estas doenças são semelhantes: febre, mal-estar, vômito, diarréia. A principal recomendação é para que a pessoa procure rapidamente o serviço de saúde mais próximo, assim que surgirem os primeiros sintomas, pois o diagnóstico precoce favorece o tratamento. É importante que o paciente não faça auto-medicação, o que pode agravar o quadro das doenças. Embora graves, existem medidas simples que podem ajudar a prevenir essas doenças.
Ao fazer a desinfecção e limpeza da casa, móveis e utensílios, é preciso proteger a pele do contato direto e prolongado com a água. Para isto, se a pessoa não tem luvas e botas, deve usar sacos plásticos amarrados às mãos e aos pés, de preferência duplos.
Além disto, deve ser usada água sanitária ou cloro na desinfecção de todos os objetos, casa, caixas d’água e móveis. Em hipótese alguma deve ser usado cloro de limpeza de piscinas porque possui outras substâncias em sua composição. Alimentos e remédios que foram atingidos por alagamentos e enchentes não devem ser consumidos, mesmo se estiverem embalados ou forem lavados.
Depois da enchente
O fim da enchente não significa que o perigo acabou. Ao contrário, o verão brasileiro é caracterizado pelas fortes chuvas intercaladas de período de calor, o que favorece a ocorrência de esquistossomose, dengue, malária e febre amarela.
As pessoas que circulam por regiões de cachoeiras, lagos, lagoas e rios devem estar atentas. A esquistossomose (xistose) é transmitida por caramujos infectados por parasitas. Os caramujos vivem às margens de lagoas, lagos e cachoeiras.
Na zona rural, também existe o risco de transmissão da malária e febre amarela. Esta última pode ser prevenida através de vacina, que tem eficácia por 10 anos e está disponível nos postos de vacinação em todo o Estado.
Já no meio urbano, o perigo está na água acumulada em recipientes (pneus, pratos de vasos de plantas, latas, caixas d’água destampadas e garrafas) que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Os sintomas destas doenças também são semelhantes – febre, mal-estar. Ao aparecimento dos primeiros sintomas, a pessoa deve procurar o serviço de saúde mais próximo rapidamente.
Cedec
Cristiana Miranda diz que o trabalho feito pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) é muito importante para as ações preventivas da SES/MG, pois aponta quais áreas necessitam de cuidados especiais nesta época do ano. Além do alerta sobre a incidência de chuvas, a Defesa Civil também desenvolve trabalhos de conscientização. Os moradores das áreas em situação de risco são orientados a não fazer cortes nos terrenos de encostas, além de não amontoar sujeira e lixo em lugares inclinados.
Mesmo quem não mora nas áreas de risco deve se proteger das chuvas. Evitar estacionar próximo a árvores ou linhas de energia elétrica, não usar telefone com fio, não tocar em equipamentos elétricos que estejam ligados, além de não se aproximar de cercas de arame, varais metálicos, linhas aéreas e trilhos são medidas que ajudam a minimizar os riscos.