Estado capacita para a cadeia produtiva do biodiesel
MONTES CLAROS (25/11/08) - No momento em que se ampliam as discussões sobre novas fontes de energia, a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), por meio do Projeto Estruturador Arranjos Produtivos Locais (APLs), e o Ministério da Ciência e Tecnologia, trabalham juntos pela consolidação do APL Biodiesel e Óleos Vegetais do Norte de Minas. Com esse objetivo, será realizado o terceiro e último módulo do curso "Formação Prática Projeto e Gestão de Unidades de Beneficiamento de Oleaginosas", nos dias 27 e 28 de novembro, no escritório regional da Fiemg, em Montes Claros, no Norte de Minas.
A identificação da demanda por formação prática é um dos resultados do projeto Diagnóstico de Necessidades de Formação Profissional nos APLs, desenvolvido pela Superintendência de Inovação e Inclusão Digital, dentro do projeto Estruturador Rede de Formação Profissional Orientada pelo Mercado (RFPOM). O diagnóstico foi realizado de janeiro a agosto de 2008, sob a coordenação do Laboratório de Ergonomia e Organização do Trabalho do Departamento de Engenharia de Produção (DEP), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que identificou 10 cursos como prioritários na formação de recursos humanos.
Segundo Giovanni Campos Fonseca, do Departamento de Engenharia de Produção da UFMG, o público-alvo do curso são agricultores, incluindo cooperativas e entidades de apoio; empresários; representantes do poder público; instituições de ensino pesquisa e extensão voltadas para a agricultura. Os temas desenvolvidos são cadeia produtiva, estrutura de mercado, processo de produção e as experiências em andamento. Três pilares básicos norteiam o curso de formação de profissionais: formação profissional; inovação e diferenciação de produtos e de processos e ação em mercado e negócios
Fonseca assegura que os agricultores só ficarão motivados quando tiverem a certeza de que haverá mercado para a produção. Ele lembra que a Petrobras vai inaugurar em Montes Claros, no mês de janeiro, a usina para a produção de biodiesel que vai envolver 20 mil famílias do Norte de Minas, por meio da agricultura familiar. Contudo, a formação de recursos humanos para a cadeira produtiva e agregação de valor, torna-se imprescindível na opinião do engenheiro. Outro fator considerado fundamental na região é o fortalecimento da cooperação entre os produtores, seja com associações ou cooperativas.
Outra barreira a ser rompida junto aos agricultores do Norte de Minas refere-se à desconfiança em relação ao que se deve plantar. O algodão e a mamona são exemplos que foram estimulados para o plantio na região e que ao longo dos anos não deram certo. As plantações de algodão foram devastadas pelo “bicudo” e a mamona foi estimulada por pessoas que prometeram comprá-la, mas não cumpriram o compromisso.
Para Giovanni Campos Fonseca, haverá na região Norte, um grande estímulo à agricultura familiar com a chegada da Usina da Petrobras. No entanto, ainda não se sabe qual será a cultura mais adequada ao plantio. Pinhão-manso, mamona, côco macaúba são algumas que estão em estudo. Ele acrescenta que há um esforço do Governo de Minas com os seus parceiros na consolidação dos APLs ligados à bioenergia: etanol, no Triângulo e Alto Paranaíba; biodiesel e óleos vegetais, no Norte do Estado e biomassa e carvão vegetal na região Central.