Estado quer aumentar consumo e produção de peixes
No dia 19 de setembro começa a Semana Nacional da Aquicultura. A data foi criada pelo governo federal com o objetivo de incentivar o consumo de peixe no país. Muitas peixarias aproveitam esses dias para fazer promoções e aumentar as vendas. Em Minas, o consumo de peixe ainda é baixo, em torno de cinco quilos per capta a cada ano. Para ter uma idéia, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda o consumo de 16 quilos por habitante.
BELO HORIZONTE (06/09/05) – No dia 19 de setembro começa a Semana Nacional da Aquicultura. A data foi criada pelo governo federal com o objetivo de incentivar o consumo de peixe no país. Muitas peixarias aproveitam esses dias para fazer promoções e aumentar as vendas. Em Minas, o consumo de peixe ainda é baixo, em torno de cinco quilos per capta a cada ano. Para ter uma idéia, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda o consumo de 16 quilos por habitante. A produção de peixe de água doce em Minas também é considerada pequena. Segundo dados do Ibama de 2002, o estado ocupa o sexto lugar no ranking nacional, com oita mil toneladas por ano, o que corresponde a 5% da produção nacional de peixe de água doce.
“Apesar do baixo consumo e da produção ainda pequena, Minas reúne os principais requisitos para investir e se destacar na piscicultura”. A afirmação é do diretor de Recursos Tecnológicos e Naturais da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Lucas Carneiro. De acordo com o diretor, Minas Gerais tem um enorme potencial hídrico, diversidade de clima e vontade dos setores público e privado para investir na piscicultura. Um exemplo é a instalação, este ano, da Câmara Técnica de Aquacultura pelo secretário de Agricultura de Minas Gerais, Silas Brasileiro.
A Câmara Técnica é um órgão com representantes de todos os setores da cadeia produtiva que se reúnem periodicamente para traçar políticas para o setor. “Já elaboramos um plano de ações que abrange toda a cadeia e estabelecemos algumas prioridades”, informa Lucas Carneiro. Uma das propostas é a isenção fiscal para a carne do pescado. A Câmara Técnica também está estudando uma forma de unificar a cadastro estadual de piscicultores e de criar um Centro de Excelência e Referência Virtual. O centro será disponibilizado pela internet com informações de diversos pesquisadores que atuam na área da aquacultura.
De acordo com o diretor da Secretaria de Agricultura, a meta para 2010 é chegar a uma produção de 23 mil toneladas de peixe por ano, em uma área de 4,5 mil hectares. “Hoje produzimos em dois mil hectares de lâmina d’água, porém a maioria dos aquicultores ainda não encara a atividade como uma fonte de renda”.
A legalização dos empreendimentos é outro objetivo estabelecido pela Câmara Técnica. Em Minas Gerais, de acordo com dados da Emater-MG, existem 14 mil piscicultores. A maioria não conta com um criatório cadastrado, pois é formada, principalmente, por produtores ou sitiantes que tem um pequeno tanque de peixes para lazer e para o consumo familiar. “Para aumentar o número de empreendimentos credenciados, precisamos estudar uma forma de facilitar a concessão de licenças ambientais”, explica Lucas Carneiro. O setor considera o processo lento e de custo elevado para os produtores.
Investimentos e organização
A piscicultura tem um retorno rápido. “Enquanto em muitas atividades zootécnicas o retorno demora cerca de cinco anos, na piscicultura ele leva apenas dois anos e a margem de lucro fica entre 20% e 22%”, informa Lucas Carneiro. Mas ele faz uma alerta. “Esses números são apenas para aquelas criações bem planejadas, com espírito profissional”. Esse planejamento passa pela compra de insumos, pelas técnicas de criação e pela comercialização. “É preciso começar a criar já sabendo para quem vender”.
Para os pequenos piscicultores, a saída para conseguir escala de produção e conquistar o mercado está na organização. “Sem organização, eles perdem o que chamamos de QQR: qualidade, quantidade e regularidade”, explica Lucas Carneiro. “As indústrias querem contar sempre com uma escala de produção definida e com um padrão uniforme”. Para atingir esse objetivo o apoio das associações de piscicultores é fundamental. O diretor explica que “o setor conta com diversas associações, porém elas funcionam principalmente como organizações reivindicadoras. A gente trabalha para elas realmente funcionem como cooperativas, comprando insumos e vendendo a produção em conjunto”.
Mapa da piscicultura
A piscicultura pode ser desenvolvida nos quatro cantos de Minas Gerais. Na Zona da Mata, o destaque é a criação de peixes ornamentais. No Sul de Minas, na divisa com São Paulo, o clima é favorável para a criação de trutas. Hoje, o Estado fica em segundo lugar na produção desse peixe. No Norte de Minas, nas regiões de Janaúba e Januária, os técnicos recomendam o uso do tanque-rede. A técnica também é ideal para a as represas de Furnas e Três Marias. Já no Triângulo Mineiro, região de topografia plana, muitas criações são feitas em tanques escavados. Além de truta, os peixes que mais se adaptam às condições de Minas são: carpa, tambaqui, tambacu, pacu e tilápia.