Estado supera números da campanha de vacinação de 2007
BELO HORIZONTE (16/06/08) - Dados parciais apontam que a vacinação contra a paralisia infantil em Minas Gerais teve bons resultados. Até 17h de sábado, 14 de junho, cerca de 820 mil crianças já estavam registradas no site do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações. Na última campanha realizada em 2007, o balanço apontou 492 mil doses aplicadas. A expectativa é que o Estado alcance a meta de 95% de cobertura do público alvo (1,5 milhão de crianças), formado por menores de cinco anos. O alto índice de imunização é a única forma de garantir que o vírus, que ainda circula em países da Ásia e África, não volte para o Brasil.
“Nosso esforço é sempre no intuito de superar os resultados das campanhas anteriores. Para este ano, estamos buscando ultrapassar a meta estabelecida e mobilizamos todos os municípios mineiros. Só assim podemos estar seguros que não voltaremos a ter problemas com a pólio”, comentou o subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Luiz Felipe Caram.
Muitos dos pais, por serem mais novos, não tiveram contato com pessoas com seqüelas da pólio e por isso não dão importância à vacinação. Esse é um dos motivos da meta nos últimos anos não ter sido atingida. “A pólio é uma doença séria. Devemos nos manter alertas e protegidos. O vírus ainda circula em alguns países e com o intercâmbio econômico e cultural e a facilidade de deslocamento devemos estar seguros”, alertou o subsecretário.
Já a coordenadora Estadual de Imunização, Tânia Brant, destacou que a campanha é uma oportunidade para atualização do cartão de vacinas, com aplicação de doses que protegem contra sarampo, difteria, coqueluche, entre outras doenças. “Manter o cartão em dia é uma forma de zelar pela saúde das nossas crianças. Por isso contamos com a atenção dos pais e responsáveis para nos auxiliar nessa tarefa”, declarou.
Tânia lembrou que a vacinação é realizada em duas datas anuais, quando são feitas as campanhas, mas existem as doses de rotina que devem ser aplicadas. “Os pais devem observar este fato, levando seus filhos às unidades básicas de saúde para serem imunizadas a partir dos dois meses de idade, e em seguida aos quatro e aos seis, o que completa o ciclo de rotina dentro do primeiro ano de vida do bebê. As campanhas vêm concluir o esforço para mantermos a paralisia infantil erradicada”, frisou.
Abertura
O clima de festa e diversão marcou no sábado (14) a abertura oficial da Campanha de Multivacinação Infantil, promovida em parceria pelo Governo de Minas e pela Prefeitura de Belo Horizonte. Pela segunda vez foi montada a “Praça do Zé Gotinha”, uma grande área de lazer com oficina de balões, palhaços, pintura social, grupos de dança, distribuição de algodão doce, além da presença de mascotes do Atlético e da Polícia Militar. Este ano a “Praça” foi montada no Complexo Esportivo do Aglomerado da Serra.
O secretário municipal de Saúde de Belo Horizonte, Helvécio Magalhães, ressaltou que o trabalho integrado e a parceria são fundamentais na busca de bons resultados. “Esta é uma iniciativa em conjunto, voltada para produzir saúde. A vacinação é uma das mais eficazes formas de prevenção de doenças e com a campanha estamos dando mais seguranças para as crianças”, avaliou.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Wellington Bessa, o Sapão, manifestou sua satisfação pela realização do evento, uma vez que “se trata de um espaço de relevância para a comunidade, com a busca da promoção da saúde aliada ao lazer”.
Mantendo o espírito de parceria, a “Praça” também foi montada em Governador Valadares, reunindo a SES, por meio da Gerência Regional de Saúde (GRS), Câmara de Diretores Lojistas, Prefeitura e iniciativa privada.
Recado
O contador de histórias e cantor Rubinho do Vale foi uma das atrações da “Praça do Zé Gotinha”. Com repertório cheio de canções infantis, ele animou a criançada e deixou um recado importante: “Com saúde não se brinca e para a meninada brincar tem que ter saúde. É gratificante participar, trazer um pouco da cultura popular para o evento. A diversão atrai as crianças e os pais, que são importantíssimos para protegermos a saúde dos pequenininhos”.
Silma Ferreira dos Santos, moradora do Aglomerado da Serra, segue o exemplo. Com 25 anos, ela vivenciou a década de 1980, quando o país estava derrotando a doença, utilizando as campanhas como estratégia. Na campanha deste sábado, ela fez questão de levar os três filhos, Tatiane de 4 anos, João Henrique de 2 e Flávia de um ano e dois meses, para tomarem as gotinhas.
“Eu me lembro de quando eu era vacinada e já tinha o Zé Gotinha para animar a gente. Aconselho todos os pais e mães a trazerem os filhos para receberem a vacina. Cuido do cartão de vacina deles porque eu sei que é uma forma das crianças não terem doenças”, disse.