Estiagem prejudica safra de café em Minas Gerais
BELO HORIZONTE (16/02/06) – A estiagem está comprometendo seriamente as lavouras de café em Minas Gerais. Os prejuízos são considerados irreversíveis na colheita que se inicia em abril, representando queda de produção em todas as regiões do Estado. Levantamentos realizados pela Emater-MG mostram que a perda estimada já é superior a 15% da safra mineira de café. Estudos feitos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), antes do veranico, previam uma colheita em Minas entre 19,4 milhões e 22,1 milhões de sacas.
O secretário Silas Brasileiro informou que os problemas afetam inclusive o Sul de Minas, que conta com condições edafoclimáticas privilegiadas. “Trata-se da principal região produtora de café do Estado, respondendo por cerca de 50% da safra mineira e 25% da produção nacional”, informa. A Unidade Regional da Emater-MG, em Guaxupé, informa que na região Sul os prejuízos são de aproximadamente 10%, considerando os ataques de cercosporiose, má granação dos frutos, manchas e outros problemas próprios do veranico que se refletirão na renda e na qualidade dos grãos. Os extensionistas informaram que a queda de produção resultará numa safra de 10 milhões de sacas, contrariando as previsões iniciais da Conab para uma safra que poderia chegar a 10,9 milhões de sacas.
Na Zona da Mata mineira, segunda principal região produtora do Estado, a Unidade Regional da Emater-MG de Viçosa aponta um preocupante déficit hídrico de 290 mm em janeiro, comparado com médias históricas de 13 anos. A estiagem castigou os cafezais provocando a perda de 20% da safra prevista este ano, que deve ficar em 5 milhões de sacas, de acordo com os extensionistas. Silas Brasileiro explica que o índice de perda é elevado do ponto de vista de rendimento, porque “o enchimento de grãos está totalmente comprometido e indica que deverão ser colhidos frutos de baixa qualidade com peneiras inferiores”. Com isso, a queda tanto da produção quanto do rendimento do café beneficiado poderá ser ainda maior.
Na região do Cerrado, compreendida pelas áreas de produção do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, o problema dos produtores começou em dezembro de 2005 com o excesso de chuva que impossibilitou a realização dos tratos culturais. Já em janeiro de 2006, os rigores da estiagem deram condições excepcionais para o ataque de doenças como a phoma e a cercosporiose. As informações sobre essa região foram fornecidas pela Unidade Regional da Emater-MG de Patos de Minas, com base em levantamento realizado junto a cooperativas, Associação dos Cafeicultores da Região de Patrocínio (Acarpa), IBGE, produtores e técnicos municipais. No conjunto das lavouras do Cerrado, a perda foi de 10% de uma safra inicialmente estimada pela Conab de 3,3 milhões a 3,9 milhões de sacas.
As perdas relativas mais altas na cafeicultura mineira foram registradas na região das Chapadas, conforme relatório da Unidade Regional da Emater-MG de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha. Desde o final de dezembro, as chuvas são insuficientes na região e a estimativa média de perdas da safra atual é de 25%, com ênfase para a perda de 40% nas lavouras de sequeiro. Estimativas da Emater-MG apontam que a safra na região das Chapadas deverá ser de 300 mil sacas de café.
Agência Minas
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