Estudantes de BH podem se tornar adultos cardiácos
Estudantes de BH podem se tornar adultos cardiácos
Pesquisa revela que é grande o risco de estudantes das escolas públicas e particulares de Belo Horizonte, entre 6 e 18 anos de idade, tornarem-se adultos propensos ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como angina, derrame, hipertensão, entre outras. Complicações que podem levar a problemas sérios de saúde e, em casos extremos, à morte. A constatação, de certa forma alarmante, é resultado de um trabalho de campo realizado pelo cardiologista e Assessor para Pesquisa, da Diretoria de Ensino e Pesquisa da Fhemig, Robespierre Costa Ribeiro. Entre os fatores de risco cardiovasculares estudados estão os índices de colesterol total (gordura no sangue), as frações de LDL (mau colesterol) e HDL (bom colesterol) no sangue, a obesidade, o sedentarismo, hábitos alimentares nocivos à saúde e a hipertensão arterial.
Para traçar esse perfil, foram ouvidas 1.450 crianças e adolescentes de 22 escolas de diferentes regiões da capital mineira. Uma amostra considerada representativa diante dos 500 mil estudantes do primeiro e segundo graus matriculados nas redes pública e particular de ensino. Os resultados da pesquisa, que serão apresentados nessa quinta e sexta-feira, 31/07 e 01/08, no VII Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Brasília, teve início em 1998, com a coleta de dados entre os escolares. O trabalho foi objeto de tese de mestrado do cardiologista e apresentado em 2000 na UFMG. Robespierre decidiu ampliar a abordagem da pesquisa e atualmente finaliza sua tese de doutorado pela Faculdade de Medicina da USP.
Entre os dados observados e que chamou a atenção, por se tratar de importante fator de risco no desenvolvimento de futuros problemas cardiovasculares, foi a revelação de que 88,4% dos alunos pesquisados apresentam hábitos alimentares cuja dieta é rica em gordura saturada. Esse tipo de gordura é encontrado em abundância em alimentos como salgadinhos industrializados, lanches de fast food, refrigerantes, entre outros. O resultado apresentado foi um nível de colesterol total, ou seja, a gordura acumulada no sangue e que acaba provocando o entupimento dos vasos sangüíneos, bem acima daqueles estudantes que praticam uma dieta balanceada. O sedentarismo foi outro ponto que chamou a atenção do médico. Em termos de gasto calórico, os escolares considerados menos ativos apresentaram risco quatro vezes maior de terem o colesterol total aumentado em relação àqueles que praticavam alguma atividade física freqüente, como correr, caminhar, nadar, jogar bola, entre outras.
Um dado que também chamou a atenção foi o número de estudantes com risco de terem colesterol aumentado em decorrência do acúmulo de gordura na região abdominal, o famoso pneuzinho. Segundo a pesquisa, estes alunos têm quatro vezes mais chance de apresentarem taxa elevada do colesterol e com isto desenvolverem sérios riscos de saúde. “Este quadro revela crianças e adolescentes com três vezes mais chances de terem o nível elevado de LDL (mau colesterol) do que as que não apresentam pneuzinhos (barrigudinhos). Consequentemente, eles terão maior probabilidade de desenvolver doenças ateroscleróticas, que provocam entupimento das artérias, causando derrame, infarto quando atingirem a idade adulta”, revela o cardiologista. Essa pesquisa revelou ainda que, os escolares gordinhos apresentam um risco três a quatro vezes maior de terem níveis de pressão arterial aumentados, do que os não gordinhos.
Segundo Robespierre, a sociedade precisa acordar rápido para esse problema grave de saúde pública. A educação alimentar, com a adoção de hábitos mais saudáveis no cardápio diário, é um dos pontos que deve ser trabalhado entre as pessoas. “ A prática de atividades físicas regulares é outro ponto que também ajuda a evitar problemas sérios de saúde. Estimular os jovens a praticar esportes, além de evitar atitudes sedentárias, como longas horas em frente ao computador, televisão, vídeo games, elevaria representativamente a qualidade de vida desse futuros adultos”, reforça ele.