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Estudo inédito identifica regiões com excesso de mortes por cânceres

Pesquisa inédita da SES aponta que os municípios das regiões Central, do Triângulo, Sudeste e Oeste de Minas apresentam as maiores taxas de óbitos por leucemia, linfomas, além de cânceres de mama, pulmão, fígado e de bexiga, doenças relacionadas a fatores ambientais e à ocupação dos moradores.

Sexta-feira | 19/08/2005 | 13:42·Atualizado em 27/05/2013 | 20:20
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BELO HORIZONTE (19/08/05) – Os municípios das regiões Central, do Triângulo, Sudeste e Oeste de Minas apresentam as maiores taxas de óbitos por leucemia, linfomas, além de cânceres de mama, pulmão, fígado e de bexiga, doenças relacionadas a fatores ambientais e à ocupação dos moradores. Essa é uma das conclusões da pesquisa inédita apresentada, hoje, pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), durante o I Fórum Técnico para a Discussão da Ocorrência de Cânceres ligados a fatores ambientais e ocupacionais.

Durante o encontro, o estudo foi mostrado aos secretários de Saúde dos municípios que revelaram resultados críticos (excesso de óbitos), visando o monitoramento do problema e o seu controle nas regiões. Representantes das instituições que desenvolveram a pesquisa discutiram com os gestores as possíveis intervenções epidemiológicas que poderão ser desenvolvidas nas regiões e municípios.

Fatores de risco individuais, como o tabaco e o álcool podem levar ao desenvolvimento de cânceres, mas a doença também pode ser causada por problemas ambientais e ocupacionais, entre estes a radiação ionizante e os agrotóxicos. Na oncologia, estudos epidemiológicos indicam que fatores ambientais podem estar associados de 70% a 90% dos casos de cânceres, quase todos evitáveis.

A pesquisa

Realizado pela SES, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD), do Rio de Janeiro, o estudo avaliou a mortalidade por cânceres das 13 macrorregiões de Saúde do Estado e oito municípios selecionados, devido à solicitação de moradores e de profissionais de saúde.

A pesquisa, que consumiu um ano e meio de trabalho, usou como ferramenta os dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM)/Data-SUS, do Ministério da Saúde, de 1998 a 2002. O SIM coleta dados sobre óbitos e fornece informações sobre o perfil da mortalidade nos diferentes níveis do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para identificar as regiões com excesso de óbito, os pesquisadores estabeleceram um parâmetro - chamado Razão de Mortalidade Padronizada (RMP). Quando o número de mortes apresentado no Sistema de Informação foi maior que o esperado em relação ao perfil da população, constatou-se excesso de óbito, configurando uma RMP acima de 100.

Resultados

A Macrorregião do Sul de Minas, de acordo com a pesquisa, registrou excesso de óbitos por leucemia, tumor de estômago e todas as neoplasias, entre o sexo masculino. Já no sexo feminino, chamou atenção a mortalidade por leucemia, cujo RMP foi de 126. Entre as mulheres, é estatisticamente significante na região, também, o número de mortes por tumores de fígado, pulmão, estômago e todas as neoplasias.

Caldas, no Sul do Estado, apresentou o maior RMP (647) para os cânceres hematológicos (do sangue) entre todos os municípios avaliados no estudo. A radiação pode ser um dos fatores de risco para esses cânceres no Sul de Minas. A região concentra o Planalto de Poços de Caldas, que apresenta um dos maiores teores de radiação natural do mundo. Na região, existe também uma mina de urânio. Outro fator que poderia contribuir para o surgimento dessas patologias seria o uso de agrotóxicos nas lavouras de café e extração de madeira, presentes na região.

“A pesquisa não teve a intenção de determinar as causas dos cânceres. Mas durante o fórum, apresentamos aos gestores hipóteses para serem discutidas nas regiões, entre os moradores e trabalhadores, que possam ajudar na busca das causas desses cânceres. Apontaremos o caminho”, disse a coordenadora do Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer e seus Fatores de Risco, Berenice Navarro Antoniazzi, uma das organizadoras do fórum.

A Macrorregião Central do Estado, que envolve Belo Horizonte e Região Metropolitana, revelou excesso de óbitos por cânceres de pulmão, mama leucemia, fígado, estômago, hematológicos e todas as neoplasias entre os homens. Na região, estão presentes indústrias e há grande poluição atmosférica.

Na Macrorregião do Triângulo do Norte, que envolve o município de Uberlândia, chamou a atenção o índice elevado de mortalidade por câncer de pulmão feminino. O SMR foi de 155. Os pesquisadores levaram para os gestores a possibilidade de as lavouras ou indústrias estarem empregando mão-de-obra feminina.

Na Macro Sudeste, que inclui os municípios da Zona da Mata, entre eles Juiz de Fora, todo o conjunto de cânceres apresentou excesso de óbitos. No sexo masculino, o câncer de pulmão foi o campeão. A região concentra indústrias têxteis e tem ainda como atividade a agricultura. Já o Oeste de Minas, onde também estão concentradas indústrias do setor têxtil, revelou um índice alto de mortalidade por câncer de mama.

Ferramenta

O secretário de Estado da Saúde, Marcus Pestana, presente à abertura do fórum, destacou a importância da pesquisa para traçar ações eficazes de prevenção e controle dos cânceres ligados a fatores ambientais e ocupacionais. “Temos que ser eficazes na prevenção do câncer, cujo tratamento é caro. O estudo é uma ferramenta para sensibilizar os gestores, envolver os sindicatos de trabalhadores e promover intervenções no sistema ambiental”, disse Pestana.

O custo da assistência aos portadores de doenças da alta complexidade, entre elas o câncer, subiu, segundo secretário, de R$ 6 milhões para R$ 76 milhões, para os cofres do Estado, nos últimos três anos. Participaram também do fórum a responsável pela área Ambiental e Ocupacional do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Silvana Ribano Turce, e o consultor de Epidemiologia da SES-MG, Antônio José de Meira.