Exames preventivos de câncer de colo uterino cresceram 29%
Para combater o câncer de colo uterino, o Programa Viva Mulher da Secretaria de Estado de Saúde ressalta a necessidade do exame Papanicolaou. Dados revelam o aumento de 29% no número desses exames realizados em Minas, que passou de 1.004.877 em 2003 para 1.297.174 em 2007.
BELO HORIZONTE (13/02/08) - O exame ginecológico é um dos mais importantes para a saúde da mulher. Para combater o câncer de colo uterino, o Programa Viva Mulher, da Secretaria de Estado de Saúde (SES), ressalta a necessidade do exame Papanicolaou. Por meio dele, é colhido material para detectar a presença do vírus HPV, o principal fator de risco do câncer de colo uterino. Dados revelam o aumento de 29% no número desses exames realizados em Minas, que passou de 1.004.877 em 2003 para 1.297.174 no ano passado.
Para o coordenador estadual do Programa Nacional de Controle de Câncer de Colo Uterino e de Mama, Sérgio Bicalho, esse crescimento é resultado de ações desempenhadas nas gerências regionais de Saúde (GRS) e municípios e a criação do Fichário Rotativo. "O exame é uma maneira de diagnosticar a doença e as lesões pré-malignas que, se tratadas, levam à cura da paciente", explica.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer mata sete milhões de pessoas por ano em todo o mundo e é a segunda principal causa de mortalidade em Minas. Em relação ao câncer uterino, por ser um tipo com grande incidência, estimativas do Inca apontam que 1.210 novos casos neste ano poderão surgir em Minas Gerais.
Sérgio Bicalho salienta que para combater o câncer uterino é necessário valorizar a promoção à saúde, por meio de ações de conscientização e esclarecimento. “Por se tratar de uma doença silenciosa, muitas mulheres não realizam o exame periodicamente devido, principalmente, à falta de informação.”
Fichário Rotativo
Foram realizados 292.297 exames a mais em 2007 do que em 2003. Além do incentivo às mulheres por meio de programas como o do Câncer de Colo Uterino, o aumento se deve, também, à criação, no ano passado, do Fichário Rotativo – instrumento para controlar o comparecimento das mulheres à coleta de Papanicolaou e facilitar a busca ativa das faltosas e das que nunca colheram o exame.
Os agentes comunitários de saúde foram capacitados como estratégia para facilitar a vigilância das lesões precursoras do câncer de colo uterino e tratá-las ainda em seus estágios iniciais, diminuindo a mortalidade por esse tipo de câncer. No mesmo período, o número de municípios que alcançaram sua meta também aumentou. Passou de 207 para 495 em 2007.
Para o coordenador do programa, outro fator positivo é a organização do sistema de atenção primária para que a paciente realize a coleta nas microrregiões, de forma tranqüila, por meio do contato com as equipes de saúde da família. “Procuramos ver onde estão essas mulheres com os exames atrasados, para aumentarmos a cobertura. Esperamos cobrir, em 2008, 30% da população em Minas”, afirmou.
Treinamentos
Segundo ele, a SES vem, ainda, treinando enfermeiros e médicos em muitos municípios, bem como o desenvolvimento de estratégias de conscientização para a população através de palestras, campanhas e boletins informativos.
Em 2007, a capacitação foi realizada nas GRS de Coronel Fabriciano, Sete Lagoas, Barbacena, Pirapora, Montes Claros, Governador Valadares, Manhumirim, Teófilo Otoni, Leopoldina, Ponte Nova e Pedra Azul, onde aproximadamente mil profissionais de saúde participaram do processo.
“Levamos às mulheres uma forma diferente de ver a saúde com o foco na ação. Discutimos e informamos sobre todos os tipos da doença, e acompanhamos de perto o desenvolvimento da GRS e dos municípios. Destacamos Montes Claros, Itabira, Diamantina e Januária, como os que mais realizaram o exame no ano passado. A GRS Montes Claros, por exemplo, realizou cerca de 82 mil exames em 2007”, informou a enfermeira responsável pela capacitação para o controle de câncer de colo uterino, Tatiane Caetano.
Prevenção
O principal meio de prevenção do câncer de colo uterino é através do exame Papanicolaou em mulheres sem os sintomas da doença, com o objetivo de identificar aquelas que possam apresentar o vírus em fase inicial, quando o tratamento pode ser mais efetivo. É indicado a mulheres que tenham iniciado vida sexual. O Ministério da Saúde estipulou uma faixa etária de 25 a 59 anos que prioritariamente devem submeter-se ao exame periodicamente.
Além disso, a prevenção primária do câncer de colo pode ser realizada por meio do uso de preservativos durante a relação sexual, uma vez que a prática de sexo seguro é uma das formas de evitar o contágio com o vírus HPV. “A periodicidade preconizada para a realização desse exame é, inicialmente, um exame por ano. No caso de dois exames normais em anos consecutivos, o exame poderá ser feito a cada três anos”, destacou Tatiane. O exame Papanicolaou pode ser realizado em postos ou unidades de saúde, próximos a residência da mulher, que tenham profissionais de saúde treinados para essa finalidade.