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Experiências pedagógicas bem sucedidas elevam escolas mineiras a padrões internacionais

De acordo com os resultados do Ideb, os anos iniciais alcançaram um índice que estava previsto para o Brasil somente em 2021

Sexta-feira | 17/08/2012 | 20:03·Atualizado em 28/06/2013 | 06:13
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Na escola estadual Dr. Luiz Pinto de Almeida, alunos têm oficina de xadrez
Na escola estadual Dr. Luiz Pinto de Almeida, alunos têm oficina de xadrez / Crédito: Divulgação/Governo de Minas Gerais

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), de 2011, mostraram que os anos iniciais do ensino fundamental na rede estadual mineira tiveram nota 6,0, um índice considerado pelo Ministério da Educação (MEC) “correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos”.

No Estado, o padrão foi alcançado em 767 escolas estaduais dos anos iniciais do ensino fundamental, que obtiveram ou superaram esta nota. O índice de 6,0 é calculado como meta para 2021, pelo Governo Federal, para todas as escolas públicas do país. Em todo o país, 1.788 escolas estaduais alcançaram ou superaram o índice.

“A rede estadual de Minas Gerais antecipou a meta nacional. Isso é resultado dos avanços do Estado com a política educacional adotada nos últimos anos: uma política preocupada com a alfabetização, assessoramento e acompanhamento do trabalho das escolas no sentido de ajudá-la a melhorar a qualidade do ensino”, destaca a subsecretária de Tecnologias e Informações Educacionais da Secretaria de Estado de Educação, Sônia Andere Cruz.

São os resultados das avaliações externas que subsidiam as ações da Secretaria de Estado de Educação. “As avaliações são o nosso ponto de partida. A partir delas temos os diagnósticos dos alunos e podemos saber, por exemplo, as capacidades que eles consolidaram e que ainda precisam consolidar. Com os resultados em mãos fazemos estudos gerenciais que ajudam no trabalho de intervenção”, destaca a superintendente de Desenvolvimento da Educação Infantil e Fundamental, Maria das Graças Pedrosa Bittencourt.

Mesmo com as avaliações do Ideb sendo aplicadas apenas no Brasil, quando o exame foi criado, em 2007, um grupo de consultores do MEC fez um estudo que simulou os indicadores em países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O objetivo foi o de verificar o desempenho médio desses países e o resultado encontrado foi igual e superior a 6.

Para Luziele Tapajós, diretora de Estudos Educacionais do Instituto Anísio Teixeira (Inep), do MEC, o Brasil deverá alcançar o mesmo nível de desempenho dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) até 2021. A diretora fez a avaliação em entrevista para o Portal da Rede Globo.

No caso de Minas Gerais, o grande instrumento que garantiu os bons resultados nos anos iniciais da educação fundamental (1º ao 5º) é o Programa de Intervenção Pedagógica (PIP), adotado a partir do conceito de intervenção pedagógica proposto pelo educador e filósofo Paulo Freire. Criado em 2007 pelo Governo de Minas, o PIP realiza trabalho de acompanhamento nas escolas e busca criar e orientar o plano pedagógico, propondo, quando necessário, estratégias de intervenções e, assim, garantir a qualidade do ensino.

Escola em Patos de Minas supera índice internacional

A Escola Estadual Professor Modesto, no município de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, está entre as dez escolas mineiras melhores colocadas no Ideb. A escola alcançou o índice 8,0 na avaliação. Além da participação dos professores, a diretora Ivanilda Lopes Soares Ferreira ressalta o papel dos pais nos resultados da escola.

“O nosso diferencial está no desempenho dos educadores e na participação dos pais. Em toda reunião, temos 100% da presença dos pais. Também fazemos treinamentos para eles serem professores de reforço também. Nós ensinamos os pais para eles trabalharem em casa com material lúdico. Os pais são capacitados para trabalhar a alfabetização com os alunos com mais dificuldades em casa”, observa Ivanilda.

Além de trabalhar com material para despertar o raciocínio dos alunos, a escola investe em projetos de leitura. O projeto “Ler é um prazer”, por exemplo, une leitura e produções artísticas. Após ler um livro, os estudantes produzem textos, fazem trabalhos de artes e teatros.

Para a estudante do 4º ano do ensino fundamental, Ana Laura Fonseca de Sá, 9 anos, as atividades literárias são as melhores. “Eu achei legal o projeto, porque a gente faz várias atividades literárias, sobre a família, e recriando histórias. Outro dia fizemos uma nova versão da fábula da ‘Chapeuzinho Vermelho’”, contou a aluna. 

Índice elevado também nos anos finais

Já nos anos finais do ensino fundamental, das 77 escolas estaduais brasileiras com índice igual ou superior a seis, 35 são mineiras. De acordo com o resultado do Ideb 2011, a rede estadual mineira está classificada como a 2º entre todas as redes estaduais do país, atrás apenas de Santa Catarina.

A Escola Estadual Doutor Luiz Pinto de Almeida, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, é a melhor colocada da rede estadual mineira. A escola alcançou o índice 6,6 no último Ideb para os anos finais. A diretora, Rosemary de Castro Silva Mendes atribui o resultado aos projetos desenvolvidos pela escola. “Aqui na escola, temos um projeto pedagógico muito forte. Os nossos professores são muito comprometidos e a equipe, muito atuante. Desenvolvemos projetos que incentivam a leitura e o raciocínio lógico”, conta.

A escola está entre as instituições mineiras com maior número de medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Além disso, este ano uma das equipes de robótica da escola participou da First Lego League, torneio mundial de robótica. O raciocínio lógico também é estimulado por meio de oficinas de xadrez.