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Expocachaça abre 35ª edição em Belo Horizonte com foco em negócios e valorização da produção mineira

Maior evento do setor no país reúne produtores, marcas e profissionais e coloca em evidência uma cadeia que combina tradição e geração de renda

Quinta-feira | 06/08/2026 | 17:00·Atualizado em 10/08/2026 | 16:32
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Expocachaça abre 35ª edição em Belo Horizonte com foco em negócios e valorização da produção mineira
Crédito: Cristiano Machado / Imprensa MG

A cachaça de alambique, um dos produtos mais associados à identidade mineira, volta ao centro das atenções nesta semana em Belo Horizonte. A capital recebe, desta quinta-feira (6/8) até sábado (8/8), a 35ª edição da Expocachaça, evento que reúne produtores, empresas, especialistas e consumidores no Center Minas Expo.

Realizada em Minas Gerais desde 1998, a feira ocupa, neste ano, uma área de 8,6 mil metros quadrados e mantém um formato que combina negócios entre empresas, atividades abertas ao consumidor e claro que muita degustação para os amantes da bebida.

A programação ocorre simultaneamente à 19ª Brasilbier e à 4ª Minas + Doce, ampliando o espaço dedicado à gastronomia e produtos tipicamente mineiros.

A abertura contou com a presença do governador Mateus Simões. Para ele, a cachaça mineira vive um momento de grande evolução, fruto do trabalho conjunto do Sistema de Agricultura, dos produtores e das entidades do setor.

“Hoje, dos cerca de 1,2 mil alambiques registrados no Brasil, mais de 500 estão em Minas Gerais, e já conseguimos ampliar significativamente o número de rótulos formalizados. Esse avanço mostra que fiscalização, orientação, pesquisa e políticas públicas caminham juntas para fortalecer a cadeia”, destacou.


Tradição que busca espaço no mercado

O peso econômico da atividade convive, porém, com um dos principais desafios do setor: a informalidade. O superintendente de Abastecimento Alimentar e Cooperativismo da Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa), Ranier Chaves, explica que as estimativas apontam que cerca de 87% da produção de cachaça de alambique em Minas Gerais ainda ocorre de maneira informal.

“Esse é um cenário que dificulta o acesso dos produtores a mercados, políticas públicas e mecanismos de agregação de valor, além de trazer preocupações relacionadas à qualidade e à segurança da bebida para a saúde do consumidor”, disse.

É justamente nesse cenário que a atuação da Seapa ganha espaço na discussão sobre o futuro da cadeia. A secretaria participa de ações voltadas ao diagnóstico, à regularização e ao aprimoramento da produção, além de iniciativas de pesquisa e transferência de tecnologia.

Em março de 2025, por exemplo, foi inaugurado em Florestal o Centro de Referência da Cachaça, projeto que recebeu investimento superior a R$ 3,5 milhões e reúne ações de pesquisa, tecnologia e suporte técnico aos produtores. A iniciativa é capitaneada pela Seapa e suas vinculadas, em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

O secretário de Agricultura, Thales Fernandes, avalia que Minas Gerais avançou muito na profissionalização da cadeia da cachaça. "A formalização dos produtores, o trabalho de educação sanitária e fiscalização, a qualificação técnica e a formação de novos profissionais mostram que estamos construindo um setor cada vez mais preparado e competitivo”, concluiu.

Entre a memória e a profissionalização

A busca por maior profissionalização ocorre ao mesmo tempo em que Minas reforça a dimensão cultural da bebida. O modo tradicional de produção da cachaça de alambique é reconhecido como parte do patrimônio cultural mineiro, enquanto o Estado também avança em estudos para ampliar a proteção dos sistemas tradicionais de produção dentro das políticas de valorização da Cozinha Mineira.

Nesse processo, a questão não é apenas preservar uma tradição, mas criar condições para que pequenos produtores possam transformar conhecimento transmitido entre gerações em atividade econômica sustentável e competitiva.

A própria estrutura da Expocachaça reflete essa mudança. Ao reunir negócios, exposição, degustação e relacionamento direto com consumidores, a feira se tornou um espaço para que produtores apresentem seus rótulos e, ao mesmo tempo, acompanhem tendências de mercado e novas possibilidades para a bebida.

*Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado somente após a oficialização do término das eleições.