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Notícia

Exposição ‘Depara’ provoca coincidências e reflexões em espaço público da capital

Recados escritos em muros da periferia foram fotografados e enviados para moradores da Zona Sul com o mesmo nome. Um deles recebeu uma mensagem registrada na rua em que nasceu

Quarta-feira | 17/08/2016 | 10:00·Atualizado em 18/08/2016 | 07:21
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A exposição é aberta ao público na Casa da Fotografia, da Fundação Clóvis Salgado
A exposição é aberta ao público na Casa da Fotografia, da Fundação Clóvis Salgado / Crédito: Fernando Lima e Julia Baumfeld

Quem passa pela rua 13, no bairro Vista do Sol, em Belo Horizonte, pode ler os dizeres apaixonados ‘Rose, eu te amo!’ em um dos muros. Foi por recados como este, dirigidos a pessoas específicas, que os artistas Fernando Lima e Julia Baumfeld procuraram durante um ano, fotografando cada um encontrado.

Com uma Polaroid, eles registraram mais de 100 mensagens em muros de periferias das nove regionais da cidade, e, com a ajuda de um antigo catálogo de endereços, localizaram moradores da Zona Sul com o mesmo nome. E mandaram cópias para eles por meio dos correios. As fotografias e o processo criativo inusitado, registrado também por meio de áudio e projeções de slides, estão na exposição ‘Depara’, aberta ao público na Casa da Fotografia, da Fundação Clóvis Salgado (FCS).

“Na periferia, os limites entre interior e exterior, entre privado e público, são mais tênues. Escolhemos os muros justamente por representarem isso. A intenção é provocar, por meio destes registros, a reflexão sobre o espaço urbano como um todo, sem tantas separações. E o envio do material pelos correios também rompe com a ideia de que a exposição está apenas onde foi montada. O alcance dela é orgânico porque as experiências daqueles que receberam as fotos vão reverberando nosso objetivo”, comenta Júlia.


Foi assim com o administrador de empresas, Rafael Moreira, 27 anos. Ele recebeu a mensagem ‘Pode crer, Rafael’, em uma carta enviada para sua casa, na região centro-sul. Dentro do envelope, sem remetente e com destinatário datilografado, a frase registrada no muro da rua Manoel Aramuni, no Conjunto Califórnia, despertou sua curiosidade.

“Quando li o endereço, não acreditei! Meu nome escrito no muro, com uma letra parecida à minha, na rua que eu nasci! Do outro lado, havia um carimbo. No começo eu me assustei um pouco porque no material não  havia uma referência explícita sobre o que se tratava. Nunca imaginei que seria uma exposição. A coincidência foi enorme e me fez pensar na minha infância, naquele lugar. Achei a ideia muito interessante porque instiga as pessoas a explorarem mais a cidade” comenta o jovem, que pretende visitar a exposição.

Para o artista Fernando, não entregar todas as informações ao destinatário é parte do estímulo à curiosidade, a criatividade e ao interesse. 
“É importante dizer que as poucas informações no remetente postal, assim como o direcionamento personalizado do recado a seu destinatário pretendem estimular a investigação em maior ou menor grau. Não sabemos se os destinatários foram ao encontro dos muros. Ou se pesquisaram os endereços por mapas online ou mapas streetview. Até agora, tivemos feedback do Rafael e de uma amiga da Julia, que também recebeu por coincidência o material. Mas acreditamos que este projeto ajuda a recolocar estes lugares no mapa da cidade, no centro simbólico de BH. Nem que seja por alguns”, comenta Fernando.
 



Processo de criação em exposição

Os artistas apresentam o processo criativo também como parte da exposição, exibindo registros das andanças em fotografias 35mm slides, registros sonoros dos áudios, além da câmera fotográfica utilizada, o catálogo telefônico, o caderninho de anotações, a máquina de escrever, e um mapa usado para entender as distâncias e os cruzamentos entre bairros e  moradores.

Nas outras fotografias, estão expostas imagens que Fernando Lima e Julia Baumfeld fizeram para conhecer a cidade por outro ponto de vista. Percorrendo ruas estreitas, a pé e a deriva, indo ao encontro à mensagem dirigida a alguém em um passado direcionada a alguém de mesmo nome e com uma realidade muito diferente. “Ainda não definimos o que faremos depois da exposição. A experiência está latente e algo pode estar por vir, conclui Julia.



CâmeraSete Casa da Fotografia

A CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais – é um espaço dedicado à fotografia administrado pela Fundação Clóvis Salgado. Inaugurada em janeiro de 2010, é um espaço para a discussão, exibição, estudo e fomento das artes visuais em Minas Gerais. A partir de 2015, por iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), por meio da Fundação Clóvis Salgado, o equipamento cultural passou a ser dedicado à fotografia com a proposta de transformá-lo em um referencial para esta linguagem artística em Minas, intensificando ações de debates e reflexões sobre a arte fotográfica, no coração de Belo Horizonte, em frente à Praça Sete. 

 

Foto: Divulgação/FCS



Serviço:

Exposição Depara

Data:
de terça a sábado - até 27 de agosto (sábado)
Horário: das 9h30 às 21h
Local: CâmeraSete - Casa da Fotografia de Minas Gerais – da Fundação Clóvis Salgado - Avenida Afonso Pena, 737, Centro - Belo Horizonte/MG
Entrada gratuita
Outras informações:  (31) 3236-7400