Exposição reúne imagens feitas por crianças durante 2ª Guerra Mundial
Na exposição Os desenhos das crianças de Terezin serão exibidos 100 quadros feitos por crianças e adolescentes de 10 a 15 anos, que viveram na cidade de Theresienstadt, na antiga Tchecoslováquia, durante a 2ª Guerra Mundial. Mostra acontece na Biblioteca Luiz de Bessa até dia 10.
BELO HORIZONTE (20/02/08) – A Superintendência de Bibliotecas Públicas da Secretaria de Estado de Cultura (SEC) recebe, nesta quarta-feira (20), na galeria Paulo Campos Guimarães, a exposição Os desenhos das crianças de Terezin, uma promoção do Instituto Histórico Israelita Mineiro. Serão exibidos 100 quadros feitos por crianças e adolescentes de 10 a 15 anos, que viveram na cidade de Theresienstadt, na antiga Tchecoslováquia, durante a 2ª Guerra Mundial. A mostra, que acontece na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, segue até 10 de março (Praça da Liberdade, 21, Funcionários).
Durante a 2ª Guerra Mundial, vários cientistas, artistas e pessoas em geral foram convidados a habitar uma cidade sob proteção do Führer (nome dado ao chefe máximo do III Reich - regime nazista alemão). Para mudar-se para Theresienstadt, na antiga Tchecoslováquia, eles deveriam ceder todos os seus bens ao regime e, em troca, receberiam bons alojamentos, alimentação e cuidados médicos. A segunda parte do acordo, no entanto, nunca foi cumprida e os habitantes da nova cidade, todos judeus, logo descobriram que haviam se mudado para um campo de concentração, que ficou conhecido como “campo de Terezin”.
O gueto foi apresentado ao Ocidente como uma cidade administrada por judeus, que aparentemente gozavam de autonomia política, social, econômica e cultural. Sabe-se, entretanto, que doenças, superlotação, falta de comida e medicamentos faziam parte da realidade do lugar. Mesmo com todos os problemas, durante os quatro anos de existência da “cidade”, os judeus estabeleceram uma intensa vida cultural no local, da qual participavam cerca de 15 mil crianças, que retrataram por meio de desenhos e pinturas, o cotidiano, a dor e as mortes, bem como a saudade dos seus lares. As ilustrações acabaram se transformando em um meio de defesa e resistência à violência e opressão do regime nazista.
Expressão
Para a psicanalista Sílvia Grebler Myssior, a importância dos desenhos não se restringe a uma produção artística, uma vez que eles representam uma forma de expressão possível. “Os desenhos são fundamentais para exprimir um dizer impossível de ser dito, devido às circunstâncias insuportáveis e extremamente dolorosas vividas naquele momento por aquelas crianças”, explica.
Os desenhos, elaborados a partir de diferentes técnicas e com materiais improvisados, como papelão, caixas e embalagens, são uma tentativa de retomar a identidade perdida, segundo a psicanalista. Em um quadro, por exemplo, é retratado um campo onde as árvores choram e gritos se misturam com um barulho de trator. “Em intimidade com a morte e isoladas do mundo, as crianças desenham e escrevem poemas. Isso acontece porque elas crêem que algo vai acontecer para abrandar a dor”, afirma Sílvia. Para ela, a realidade é fantasiada para dar contra do frio, do medo e do desamparo.
Serviço:
Os desenhos das crianças de Terezin
Local: Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa - Praça da Liberdade, 21, Funcionários
Abertura: 20 de fevereiro, quarta-feira, às 17 horas
Visitação: 21 de fevereiro a 07 de março
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8 às 20 horas; sábados, das 8 às 13 horas