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Notícia

Fhemig alerta para prevenção de acidentes com motociclistas

Objetivo geral é sensibilizar a população sobre os riscos, cuidados e prevenção desses acidentes

Sábado | 16/06/2012 | 10:17·Atualizado em 27/06/2013 | 15:19
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A campanha foi lançada nesta sexta-feira, em Belo Horizonte
A campanha foi lançada nesta sexta-feira, em Belo Horizonte / Crédito: Divulgação/Fhemig

Este ano, mais de 2.600 acidentados com moto deram entrada no Hospital João XXII, em Belo Horizonte. E até o último dia 12 de junho, já tinham sido registrados 45 óbitos – a maioria do sexo masculino e na faixa etária dos 19 aos 39 anos.

Segundo o cirurgião geral Paulo Roberto Carreiro, o número de atendimentos a vítimas de acidentes com motocicletas vem aumentado de forma contínua nos últimos anos. “Muitos nem chegam a dar entrada no hospital. Morrem no local. Outros chegam com lesões graves ou mesmo definitivas”, comentou o médico. E o número de óbitos registrados no hospital é alto: no ano passado, foram 101, correspondendo a 28% dos mortos em acidentes de trânsito atendidos no João XXIII.

Diante desses números, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) lança a Campanha Educativa de Prevenção de Acidentes com Motocicletas, cujo slogan é: “Eu piloto pela vida”. Segundo o presidente da fundação, Antônio Carlos de Barros Martins, o objetivo geral é sensibilizar a população sobre os riscos, cuidados e prevenção desses acidentes, além de alertar sobre o crescente índice de mortalidade entre os motociclistas e as graves sequelas que marcam a vida dos sobreviventes.

Outra preocupação da Fhemig está na redução dos custos decorrentes destes acidentes nas várias esferas públicas e privadas. O diretor do Hospital João XXIII, o clínico geral Eduardo Liguori Cerqueira, afirma que é preciso entender que o problema envolvendo as motos é multifatorial. Só uma força-tarefa formada por todas as instituições direta ou indiretamente responsáveis pela organização do trânsito poderá solucionar esse problema.

Segundo o médico, é preciso conscientizar também o pedestre sobre a importância de obedecer à sinalização de rua, como faixa de segurança, semáforo; as crianças e idosos, que são por natureza mais vulneráveis aos acidentes de trânsito; as pessoas que andam pelas ruas nas garupas das motocicletas; os profissionais que vivem da profissão de motociclistas, os chamamos motoboys; e os motociclistas que usam a moto para ir e voltar ao trabalho.

Custo social alto

Paulo Roberto Carreiro ressalta que o custo social desses acidentes é muito elevado, não só para o hospital, como para a vítima, pelo tempo em que ela fica afastada do trabalho. Para alguns, o afastamento é definitivo, resultando em uma aposentadoria precoce. O médico cita ainda os casos de jovens que morrem e perdem o retorno do investimento feito em sua educação.

Movidos à velocidade

“É uma guerra por espaço no trânsito”, comenta Paulo Roberto Carreiro, para quem é necessário uma postura mais amigável entre os motoristas de veículos, motociclistas e pedestres. Ele ressalta que os motociclistas trafegam nos corredores, ultrapassam pela direita, desobedecendo às leis do trânsito. Por lei, as motos devem circular na faixa dos carros. A maioria dos acidentes é em horário comercial e envolve pessoas trabalhando ou se locomovendo.

As sequelas são diretamente relacionadas à velocidade. Quanto maior a velocidade, mais graves são as lesões, principalmente quando batem de frente contra outro veículo ou objeto fixo. A motocicleta é um veículo que não tem proteção estrutural. A pessoa fica mais exposta e frequentemente é ejetada da moto. As principais lesões envolvem membros inferiores, principalmente esmagamento e fraturas expostas.

Proteção

É importante que o motociclista use sempre os dispositivos de segurança, como capacete, calça e jaquetas de material resistente que minimizem as lesões no momento em que ele toca no solo.

O chefe da Neurologia do Hospital João XXIII, Rodrigo Faleiro, disse que nem sempre o capacete previne todas as lesões cranianas que podem acontecer. Ele citou como exemplo a lesão anoxal difusa (estado de coma após acidente em alta velocidade). “É comum casos de traumatismo craniano grave no CTI em decorrência de acidentes com moto. Muitos não acordam. Outros acordam, mas com traumatismo raquimedular”, explicou.

A coordenadora da Pediatria do Hospital João XXIII, a pediatra Eliane de Souza, alerta para o número crescente de atropelamentos de crianças por motos. “Em algumas semanas temos pelo menos três leitos ocupados por estas crianças. Algumas delas, segundo a pediatra, com sequelas graves”, informou.