Fhemig alerta população para os cuidados com crianças
A Diretoria do Hospital João XXIII, da rede Fhemig, em Belo Horizonte, divulgou estatísticas sobre atendimentos a crianças. O objetivo foi alertar e orientar a população sobre os cuidados para evitar acidentes. De 20 a 30% dos atendimentos do Hospital João XXIII são de crianças.
BELO HORIZONTE (28/08/09) - Criança exige atenção constante. Não há quem não tenha ouvido essa frase proferida por pais, avós, educadores e, principalmente, médicos. Ciente dos cuidados que devem ser tomados e aproveitando a proximidade do dia 30 de agosto, data do Dia de Prevenção de Acidentes com Crianças, o Hospital João XXIII, da rede Fhemig, em Belo Horizonte, divulgou, nesta sexta-feira (28), estatísticas sobre atendimentos a crianças com o objetivo de alertar e orientar a população.
De acordo com o diretor, Antônio Carlos Barros de Martins, de 20 a 30% dos atendimentos do Hospital João XXIII são de crianças. “Nossa intenção é alertar para diminuir estes acidentes, já que cerca de 80% deles poderiam ser evitados facilmente”, destacou o diretor.
“Toda criança deve brincar sob a vigilância de um adulto, porque ela não tem maturidade para sair de uma situação de risco”, alertou a pediatra Marislaine Lumena de Mendonça.
Acidentes
Os motivos destes atendimentos variam muito com a faixa etária das crianças. Geralmente, de 0 a 12 anos, os acidentes acontecem, na maioria das vezes, com quedas. Os acidentes de trânsito se referem aos atropelamentos. Já de 13 a 19 anos, as quedas continuam prevalecendo, mas entram outros motivos, como a violência e os acidentes de moto, principalmente entre adolescentes.
“Os líquidos quentes são responsáveis por um grande número de casos de mortes domiciliares na faixa etária de 1 a 9 anos, mas a maioria das mortes é associada à queimadura por fogo, e álcool líquido, por ser um produto altamente inflamável”, afirma a pediatra Marislaine Lumena. Os afogamentos também são frequentes. “As crianças podem se afogar em superfície com 2,5 cm de água. Um bebê deixado na banheira pode submergir-se em 10 segundos e ter dano cerebral irreversível”, explica a médica.
Acidentes refletem na saúde pública
Em 2008, o número total de atendimentos a crianças de zero a 12 anos foi de 11.208. Neste ano até julho, a soma já chega a 10.355 atendimentos. Dados divulgados pelo DataSUS revelam que “acidentes” e violências representam a primeira causa de morte de crianças de um a 14 anos no Brasil e constituem sério problema de saúde pública. São cerca de 6 mil mortes por ano e calcula-se que, para cada criança que morre por trauma, ocorrem 20 a 50 hospitalizações. Um terço das crianças hospitalizadas evolui com sequelas permanentes. “Este é um custo emocional e econômico muito grande para a nossa sociedade”, lembra Lumena.
Para a pediatra, os acidentes não ocorrem por acaso. Ao contrário, são previsíveis e podem ser evitados. “A tendência atual é substituir o termo acidente por injúria física, devido ao sentido errôneo que a palavra acidente sugere como sendo uma ocorrência ao acaso”, afirma Lumena. Segundo dados do Hospital João XXIII, 52% dos atendimentos no HPS são de acidentes domésticos, sendo que 80% deles ocorrem na cozinha e 43% do total de acidentes são com crianças de até dez anos. O Hospital João XXIII atualmente oferece 30 leitos na Enfermaria Pediátrica e 10 leitos na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica.