Franceses avaliam possibilidades para o artesanato de Minas Gerais
“O artesão mineiro precisa se profissionalizar”. Essa afirmação feita pelo superintendente de economia agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa), Alexandre Hideki, retrata a maior necessidade do setor, que gera empregos e renda para uma parcela significativa da população. Essa e outras conclusões foram constatadas durante a visita de uma missão francesa ao Estado, na última semana, para conhecer e avaliar as potencialidades de exportação da agroindústria artesanal.
BELO HORIZONTE (26/10/05) – “O artesão mineiro precisa se profissionalizar”. Essa afirmação feita pelo superintendente de economia agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa), Alexandre Hideki, retrata a maior necessidade do setor, que gera empregos e renda para uma parcela significativa da população. Essa e outras conclusões foram constatadas durante a visita de uma missão francesa ao Estado, na última semana, para conhecer e avaliar as potencialidades de exportação da agroindústria artesanal.
A equipe francesa – formada pelo responsável por Programas de Cooperação de Nice, Jacques Bessou, pelo presidente do Centro de Convenções Acropolis e presidente do Sindicato dos Proprietários de Hotéis da região de Nice, Jean Paul Cordero, e pelo adido de cooperação francesa em Minas Gerais Thierry Benazech - visitou os municípios de Paraopeba e Diamantina, acompanhada por técnicos da Seapa, da Emater-MG e do Senac – um dos idealizadores do projeto.
A idéia principal é que o artesão realize sua atividade independentemente do poder público. “Não podemos ter um artesanato visto como uma atividade de ‘ganhar algum dinheiro’. No mundo todo, o artesão é um profissional que vende talento e criatividade”, afirma Alexandre Hideki. Ele acredita que esse avanço esbarra na resistência cultural. "Isso é um problema sério no Brasil e nós estamos remando contra essa maré. Queremos que o artesão se torne independente”, diz.
A necessidade de profissionalizar a atividade também foi um dos pontos destacados pelo presidente do Centro de Convenções Acropolis e do Sindicato dos proprietários de hotéis da região de Nice, Jean Paul Cordero. Ele reconhece que os artesãos mineiros têm boas idéias, mas não conseguem escoar bem a sua produção. “Apesar da criatividade, eles precisam ser mais bem gerenciados, ter alguém com poder de decisão para orientá-los quanto às melhores alternativas. Ele precisa entender que seu trabalho tem uma responsabilidade coletiva nas comunidades”, diz.
Responsabilidade que está diretamente ligada à manutenção das tradições e à permanência do artesão em seu local de origem. Cordero defende que o principal foco do trabalho deve ser direcionado para manter o artesão em seu município, vendendo seus produtos, agregando valor e estimulando outros setores como o turismo.
Bijuterias, bolsas, trabalhos com a flor sempre-viva e as quitandas foram os produtos que mais despertaram a atenção dos franceses. Apesar disso, ainda é cedo para contabilizar o retorno obtido. “Eles ainda não tem como precisar o impacto que esses produtos terão junto ao mercado externo”, explica Alexandre Hideki. “A intenção é de que seja viabilizado um convênio para o desenvolvimento de projetos”.
Jean Paul Cordero informa que esse será um dos aspectos estudado pelo grupo, de volta à França. “Temos que criar alternativas para que esses produtos atraiam mais a atenção dos turistas, explorando as potencialidades, ou seja, um produto que seja vendável”, analisa.
Todas essas intenções devem transformar-se em um acordo de cooperação técnica - semelhantes a outros já desenvolvidos pela Seapa e suas vinculadas – entre os dois países, para a troca de conhecimentos e de tecnologia nas áreas de educação profissional, organização de produtores, criação e comercialização de produtos agroartesanais, serviços de gastronomia e turismo.
A feira
Além da coleta de dados, a visita dos franceses vai viabilizar que produtos e produtores da agroindústria familiar brasileira participem, em abril, de uma grande feira de Artesanato, em Nice, no ano que vem. Em breve, a Seapa vai iniciar a montagem de um catálogo da agroindústria artesanal que será enviado aos franceses para a escolha de produtos que possam participar do evento.
Está em estudo também a preparação de um programa de intercâmbio, com o objetivo de melhorar a qualidade do trabalho artesanal, o que abrirá as portas do mercado internacional para o talento dos artesãos mineiros.