Funed alerta para risco no consumo de chás
Funed alerta para risco no consumo de chás
Insetos e pedras: essas são algumas das impurezas que vêm sendo encontradas em amostras de chás consumidos pela população e que estão sendo analisadas pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). O alerta é da bióloga e responsável pelas análises, Virgínia Del Carmem Oliveira.
Segundo a bióloga, o uso de plantas para fins medicinais é uma prática constante no país, mas a falta de padronização e a má qualidade do material vegetal comercializado constitui um problema que reflete na qualidade dos produtos consumidos pela comunidade.
Foi com o objetivo de controlar a qualidade dessas plantas e fornecer ao consumidor a certeza de estar comprando o produto desejado, e em boas condições, que a Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde (VISA/SES), junto com a Funed, implantou o programa de Análises de Espécies Vegetais para Controle de Qualidade de Plantas Medicinais. “A VISA recolhe amostras de chás comercializados em vários estabelecimentos comerciais em mais de 40 municípios mineiros e as envia para Funed, onde é feita uma análise dos produtos de acordo com os parâmetros de identidade botânica, sujidades e impurezas, tudo conforme a portaria 519 do Ministério da Saúde”, explica Virgínia Oliveira.
Na primeira fase do programa, ela conta que o laboratório de microscopia da Funed elaborou um laminário de amostras de raízes, caules, folhas e flores, de acordo com a localização do princípio ativo de cada planta. O laminário é utilizado como referencial para controle da qualidade de cada amostra. “No caso da Camomila (Matricaria chamomilla), por exemplo, é na flor que se encontram os princípios ativos com propriedades antiespasmódica e antiinflamatória. Mas, misturados ao produto, já encontramos caules e outras partes da planta que não apresentam os constituintes ativos. E o excesso dos mesmos é um contaminante que contribui para o aumento do peso da amostra”. diz a bióloga.
Ainda segundo Virgínia, o maior problema está em produtos embalados informalmente, de empresas de pequeno porte que não se preocupam com o controle de qualidade. Por isso, na nova fase do programa de análises, com início previsto para maio, estas marcas serão priorizadas, afirma.