Funed inicia segunda edição de programa para jovens talentos
A Fundação Ezequiel Dias (Funed) lança na terça-feira a segunda edição do Bic Júnior. O programa oferece bolsas para 30 alunos de escolas estaduais do ensino médio, com idade entre 15 e 17 anos, que, no período de um ano, desenvolverão trabalhos científicos na Funed, sob orientação de pesquisadores.
BELO HORIZONTE (03/03/06) - Terá início nesta terça-feira (7), na Fundação Ezequiel Dias (Funed), a segunda edição do programa de Bolsa de Iniciação Científica (Bic Júnior). O programa oferece bolsas para 30 alunos de escolas públicas estaduais, do ensino médio, com idade entre 15 e 17 anos que, no período de um ano, desenvolverão trabalhos científicos na Funed, sob orientação de pesquisadores.
Ao longo deste ano, cada bolsista desenvolverá, com seu respectivo orientador, um projeto científico na Funed, cumprindo a carga horária de oito horas por semana. Para ajudar nas despesas, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) fornecerá aos participantes a bolsa de R$ 100 mensais e a Funed oferecerá vale-transporte, quando necessário, e refeição no local de trabalho.
O Bic Júnior é uma iniciativa que possibilita o acesso e o desenvolvimento de pesquisas científicas a jovens estudantes de escolas públicas, incentivando a formação de novos cientistas. "O objetivo é descobrir talentos que tenham disposição de desenvolver um projeto científico", relata Thaís Viana de Freitas, diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da Funed e também coordenadora do programa.
Através do Bic Júnior os estudantes têm, na maioria das vezes, o primeiro contato com o mercado de trabalho. Thaís de Freitas acredita que a bolsa é de grande valia para os jovens estudantes porque eles têm a possibilidade de freqüentar uma fundação voltada para pesquisas, ter contato direto com pesquisadores experientes, participar de um seminário e receber um certificado. “Além disso, é uma oportunidade grande porque dá chance aos alunos de escola pública de conhecer a área científica, além da bolsa que, para esta faixa etária, tem um valor significativo", explica Thaís de Freitas.
Estudo científico
Este ano, serão 30 vagas, sendo que seis já foram preenchidas por bolsistas que participaram da primeira edição e que, por estarem cursando o 3º ano do ensino médio, puderam estender o período da bolsa por mais um ano. Nayara Cristina Nunes, 17 anos, é uma delas. Iniciou a bolsa em agosto de 2004 e, agora no último ano do ensino médio, dará continuidade ao estudo científico desenvolvido no Laboratório de Análises em Produtos de Sangue, do Instituto Octávio Magalhães (IOM), sob orientação de Adriane Zacarias Nunes.
O laboratório recebe produtos de sangue de todas as unidades do Hemominas em Minas Gerais e realiza testes para identificar doenças de transmissão sangüínea, como Aids, hepatite B e C, sífilis e chagas. Devido ao elevado risco de contaminação do laboratório, Nayara acompanha todo o processo das análises, mas não manipula as amostras. A orientadora Adriane conta que, apesar dessa restrição, a aluna tira muito proveito da bolsa. "Em termos de teorias, das patologias e diagnósticos, passamos tudo o que podemos. Aqui ela vivencia todas as metodologias de análises, só não manipula."
A bolsista descreve com entusiasmo o seu primeiro contato com o mundo das análises laboratoriais: "Quando entrei pela primeira vez no laboratório, fiquei surpresa, tudo parecia mágico. Foi emocionante conhecer de perto aquilo que eu só via nas gravuras dos livros da escola", conta. Nayara não considera o Bic Júnior um trabalho, mas sim um aprendizado, e reconhece ainda que a experiência representa o primeiro passo da sua vida profissional.
Sentindo-se incentivada, ela garante que, desde que entrou no programa, passou a se dedicar ainda mais aos estudos. "Aqui dentro a gente traça um futuro de verdade. Tenho a certeza de que tudo o que aprendi aqui na Funed vai me ajudar, desde o vestibular até a minha carreira profissional", afirma. Quanto à escolha da profissão, Nayara afirma com segurança: "Antes de vir para a Funed, eu já sonhava com patologia clínica, mas não sabia que área seguir. Agora não tenho dúvidas, quero ser bióloga!".
Carolina Silva Martins, aluna da mesma escola, é outra bolsista que continuará na Funed. A aluna do terceiro ano do ensino médio é orientada por Marta do Nascimento Cordeiro e desenvolve a atividade "Purificação de componentes de venenos de aranhas", no Laboratório de Química de Proteínas, da Diretoria de Pesquisas e Desenvolvimento (DPD).
A orientadora Marta acredita que o Bic Júnior traz benefícios não só para os estudantes, mas também para a Funed. "Eles (os estudantes) também contribuem para o avanço de nossas pesquisas. A gente não só ensina, mas também aprende com eles. E, além de tudo, o trabalho que eles desenvolvem traz produtividade para a Funed."
Agência Minas
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